Capítulo 45 — A Borboleta e o Protetor

2049 Words

A noite respirava devagar sobre São Paulo, uma criatura imensa de vidro e fumaça. Pelas frestas das cortinas, o brilho dos prédios acendia a pele do quarto em tons de prata. A cobertura estava despertada; câmeras que piscavam, passos contidos no corredor, vozes baixas no rádio, mas ali dentro o tempo parecia suspenso, como se o mundo aguardasse uma confissão. Julie sentou-se à beira da cama, o robe de seda escorrendo pelo ombro como uma onda tímida. O coração batia num compasso novo, cheio demais, grande demais para o peito que o abrigava. Não era apenas desejo. Era alguma coisa que pedia nome e, ao mesmo tempo, recusava rótulos, como as asas de uma borboleta: delicadas ao olhar, ferozes na sobrevivência. A maçaneta girou. Romeu entrou. Sem terno, sem armadura de CEO. Camiseta escura,

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