A noite ainda não havia terminado. Mesmo depois do sino, do monitor, das ameaças que vibravam como punhais invisíveis, Julie estava ali, deitada ao lado de Romeu, o corpo coberto pelo lençol e a alma despida de todas as armaduras que por anos ergueu para sobreviver. Ele se sentou na beira da cama, os ombros largos iluminados pela penumbra azulada que escapava da cidade pelas cortinas entreabertas. Não falava. Apenas a observava, como quem contempla uma obra de arte que nasceu de fogo, dor e sobrevivência. Julie virou-se devagar, e o robe de seda escorregou de leve pelo ombro, revelando a pele marcada. A tatuagem. A borboleta. Asas delicadas, mas firmes. Um traço de tinta que carregava séculos de silêncio. Não era apenas um desenho. Era cicatriz, promessa, grito. Era a lembrança da menin

