A noite em São Paulo parecia feita de aço e vidro. A cobertura, cercada de seguranças e tecnologia, era um castelo erguido contra a guerra lá fora — mas, para Julie e Romeu, o verdadeiro campo de batalha estava dentro deles. Julie caminhava pelo quarto em silêncio, o robe de seda deslizando pelos ombros como se fosse um escudo. Não queria olhar para ele, mas sentia sua presença, firme, densa, incendiando o ar. Romeu estava de pé, junto à janela, com um copo de whisky nas mãos. A cidade refletia nos olhos negros dele como se também estivesse em chamas. — Você precisa descansar. — disse ele, sem se virar, a voz grave, fria demais para o que latejava dentro dele. Julie apertou os punhos. — E você precisa admitir que não pode controlar tudo. Ele girou lentamente, o olhar queimando. — Se eu

