Ele me dá um breve beijo na testa e parte para o trabalho, me deixando na porta de entrada, olhava boquiaberta a imensidão daquele lugar, no momento em que fui atropelada por um rapazinho.
— Desculpa, moça, foi sem querer, você está bem, se machucou? — perguntou o garoto, no momento em que me ajudava a levantar do chão.
— Tudo bem! Não foi nada, eu estava distraída e não percebi que você vinha — falei, já saindo à procura da secretaria. Já ao entrar para pedir informações, uma amável senhora me atendeu, percebendo meu desconforto.
— Bom dia, minha querida, no que posso te ajudar?
— Bom dia, senhora, hoje é meu primeiro dia de aula aqui e não conheço nada neste lugar, será que pode me ajudar?
— Sim, meu anjo, como você se chama?
— Meu nome é Gabriella. — Acho que falei com a voz tão trêmula e baixa que ela quase não ouviu.
— Calma, minha filha, não fique tão nervosa, vamos até minha sala para que eu possa olhar na sua matrícula, assim saberemos onde é sua sala. A senhorinha olhou minha pasta e logo disse. — Pronto, minha linda, já resolvemos seu problema, sua sala fica no bloco B1.
— Mas onde fica isso? — perguntei sem fazer a mínima ideia do lugar onde ela se referia.
— Vou com você até lá, minha filha, o bloco B1 fica no segundo piso.
Enquanto subíamos, fiquei horrorizada com toda aquela bagunça, eu, que já estava nervosa, fiquei ainda mais ao me deparar com uma turma cheia de estranhos, entre eles, alguns casais que pareciam estar em qualquer lugar menos em um colégio.
— Credo, que lugar é esse? Isso não parece um lugar de estudar e sim de namorar, por onde olho tem alguém quase devorando alguém.
Entre os bagunceiros e os Don Juan, estava o garoto maluco que me atropelou acompanhado de duas moças, as quais certamente seriam suas conquistas. Eduardo é um rapazinho moreno claro com dezoito anos, também cursando o 2° ano do ensino médio, um dos garotos mais populares da escola, não queria nada com nada, só se importava com seus cabelos caídos sobre a testa, filho único, vindo de uma família bem-sucedida, mais conhecido como Edu pelos seus amigos, a vida para ele parecia uma farra eterna, um verdadeiro filhinho de papai. Fui passando por eles totalmente séria quando desviei meu olhar ao ouvir alguém falando.
— Aquela dali que é a ceguinha que você quase matou, Edu?
— É sim! — Eduardo respondeu, se virando e me encarando nos olhos. — Gostosinha ela, essa eu pego — falou Fabrício, e todos riram com as gracinhas dele, enquanto isso o b****a me acompanhava com os olhos até virar no corredor.
— Finalmente chegamos à sua sala, é aqui, minha querida, pode entrar.
Meio acanhada, agradeci à secretária e entrei, procurando o lugar mais reservado para me sentar, então tocou o sinal e a turma foi entrando na sala com grande euforia, uma bagunça sem igual que cessou com um tremendo berro da professora:
— Silêncio! Bom dia a todos, vamos começar.
Nesse momento entra o garoto com duas de suas amiguinhas cheias de risos.
— Não sem a gente, né, tia?
— Não se vocês chegarem na hora certa não é, Sr. Eduardo? Anda, entrem logo vocês três e vão para os seus lugares.
E assim se deu o início das aulas, com ele e seus amigos sendo o centro das atenções todo o tempo até o final, entediada, olhei para o relógio. ‘Graças a Deus, está chegando ao fim da aula, não aguento mais ficar aqui’. Respirei fundo no momento em que arrumava meu material para finalmente sair daquele hospício e ir embora.
FABRÍCIO
— Oi, novinha, e aí o que achou da nossa escola? Está gostando? — falou o mesmo garoto que fez aquela piadinha, já com as mãos sobre a minha mesa.
— Oi, lógico que sim, não é exatamente o que eu gostaria, mas está bom — respondi a ele, sem deixar transparecer nervosismo.
— Como é seu nome, gata? Espera aí, vamos fazer do jeito certo. Muito prazer, meu nome é Fabrício, e o seu?
Nesse momento o sinal toca para o meu alívio.
— Me chamo Gabriella, e estou louca para ir embora, me dá licença, por favor — falei, já me levantando e saindo, louca para chegar em casa. Infelizmente para o meu desespero, ao chegar do lado de fora, me dei conta que não sabia voltar sozinha. — Ai meu Deus, como vou fazer agora? Me ilumina, mãezinha, não sei como ir pra casa. — Sentei-me no meio-fio da calçada com as mãos sobre o rosto, totalmente sem direção.
ALICE
— Ei, você está passando m*l? Quer que eu chame alguém? — perguntou uma das alunas que também estudava lá e que por coincidência era sobrinha da dona da casa onde eu morava.
— Não, obrigada, estou bem, só um pouco confusa porque não conheço este lugar. — No momento em que ergui a cabeça para responder, logo me reconheceu.
— Espera aí… Você não é a menina que se mudou para casa da minha tia Ofélia? — questionou a moça, curiosa ao perceber que eu estava totalmente deslocada. Vendo a luz no fim do túnel, respondi aliviada.
— Sim, sou eu! Foi Deus quem te mandou aqui, estou perdida não sei como voltar pra lá.
— É sério? Nossa, você deu sorte então, estou indo pra lá agora, quer uma carona?
— Sem dúvida, é lógico que eu quero! Muito obrigada, meu nome é Gabriella, muito prazer.
— Satisfação, amiga, prazer só na cama — disse ela, para descontrair Em seguida me entrega um capacete. — O meu, é Alice, não precisa agradecer, esse é meu caminho todos os dias e se você quiser pode vir e voltar comigo, além disso, moro perto de você, não me custa te ajudar, então vamos?
Enquanto isso, Eduardo quase morria de rir após ter observado as invertidas sem sucesso de Fabrício.
— Se deu m*l, hein, pegador! A gatinha parece não está muito a fim de conhecer você não.
— Isso é questão de tempo, Edu, ninguém resiste ao charme do pai aqui — falou Fabrício cheio de si. — Deixa comigo e você vai ver como que se faz, não dou dois dias e ela estará completamente rendida ao colo do pai.
Chegando em casa, Alice para a moto próxima à calçada.
— Não sei nem como agradecer, estava totalmente perdida no colégio hoje! — falei enquanto descia da moto.
— Tudo bem, não precisa agradecer, eu passo aqui amanhã às seis e meia para te pegar, ok? — Alice falou já indo pra casa.
— Cheguei! — disse, recebendo um abraço gostoso de João Pedro, meu irmãozinho, um doce de criança, nem parece ter sido gerado no ventre de Soraya, tão amarga.
— Como foi seu primeiro dia, mana?— perguntou Marina enquanto terminava de preparar o almoço.
— Sei lá, estranho, diferente, mas foi bom! — respondi, indo para o quarto. — Ufa, enfim em casa! — suspirei, enquanto me jogava na cama, deixando minha mochila pelo chão. — Meu Deus, é muita informação para minha cabeça! Que povo maluco, e ao mesmo tempo tão cativante. É, acho que me enganei redondamente, até que não foi tão r**m como pensei.