AS APRESENTAÇÕES

1170 Words
As seis e meia, Alice aparece gritando. — Gabriella, Gabriella. — Calma, eu já estava pronta, só esperando sua chegada . E assim nós duas fomos pra escola e ao chegarmos, Alice se propôs a apresentar toda a turma para mim, pois queria que eu soubesse quem era bom e quem eram as pessoas com as quais não deveria me misturar, de cara encontramos uma turma do bem e outra que era só problema. Em seguida a turma de Fabrício e Eduardo junto às suas amigas, ou seja, a turma dos playboys e as patricinhas. — Olha, amiga, para você que não conhece quase ninguém, vou esclarecer, aqui têm muitas pessoas bacanas; pessoas boas, porém, você vai encontrar muito vacilão, fica alerta com quem você se mistura. — Oi, gatinhas. — Aí, não te disse? Falando em vacilão já apareceu um deles. — Sorriu enquanto falava ao ver Fabrício e Eduardo. — Bom dia pra vocês, meninos, essa é Gabriella minha vizinha e também minha mais nova amiga, Gaby esses são meus amigos, Fabrício e Eduardo. — Já tive o prazer de ver esse rostinho lindo ontem em meus braços — disse Eduardo, s****o, logo pegou em minha mão. Só pra sacanear com Eduardo, Fabrício disse enquanto ria: — É verdade, você já a viu! Ele mesmo disse que quase matou uma ‘ceguinha’ ontem na entrada. — Muito prazer, Gabriella — Eduardo disse, ainda segurando minha mão ignorando as sandices do amigo. Eu, constrangida com as graças de Fabrício e relembrando do acontecido com Eduardo no primeiro dia quando nos topamos, meio nervosa só disse: “Oi, prazer” e com a fisionomia séria fui me afastando. — Alice, vou subir, depois a gente se fala, com licença — falei, saindo em direção a sala. — Hum, que gatinha espantada! Será que sempre foi assim? Ou está com medo do Fabrício? É, Fabrício, eu acho que vai ser bem difícil dessa vez, essa aí não é pro seu bico, pode cair fora — disse Eduardo, rindo de sua cara. — Cai fora você, Edu! Se eu disse que vou pegar, é porque eu vou pegar! Mudando de assunto, e aí, Alice, que tal a gente fazer uma social e convidar aquela sua amiguinha? — Gabriella? Meio difícil, Gabriella é uma menina simples, não está acostumada com essas coisas, além de vir do interior ela é muito tímida, vocês não estão pensando em fazer nenhum tipo de graça com ela não, né? — Lógico que não! — falou Fabrício, com um ar sarcástico. — Tudo bem, nesse caso posso marcar uma socialzinha lá na minha casa, porque se for à casa de vocês, sem chances, o pai dela é muito careta, ele não permitiria que ela saísse comigo pra uma festinha, só vai rolar se for na minha casa. — Tudo bem, Alice, marca lá então, vê qual é o melhor dia e a gente vai. O sinal toca e todos entraram pra sala, percebi que Eduardo me seguia com os olhos. “Por que será que esse garoto está me olhando tanto?” pensei ao observar atentamente os olhares dele. Enfim o tempo passou, chegando o término da aula, Alice com pressa vem em minha direção. — Vamos, Gaby, hoje não posso fazer muita hora, tenho dentista daqui a vinte minutos. No dia seguinte, como combinado, esperei para ir com Alice, mas algo deu errado, pois já era seis e cinquenta, e nada da Alice chegar, um dos alunos que também estava indo naquela hora, para na minha frente com seu carro. EDUARDO — Ei, está esperando a Alice? Ela não vem, a moto deu problema. — Quem é você? — Não o reconheci e logo dei um passo para trás. — Sou eu, Eduardo, não está me reconhecendo? — disse, já saindo do carro. — Ah, sim, desculpa, não vi que era você, mas como sabe que ela não vem? — A vi parada na rua em frente da casa dela tentando dar partida na Biz, queria ajudá-la, mas não dava tempo então ela me disse que você estava aqui e me pediu para te avisar. — Poxa, e agora o que vou fazer? Não dá mais tempo de chegar na escola de ônibus. — Quanto a isso, não vejo problema você pode ir comigo de carro, se quiser, aceita uma carona? — disse Eduardo, com um ar nada inocente. Lógico que eu precisava daquela carona, mas não podia aceitar. — Obrigado, mas não posso aceitar. — Não? Por que não? É só uma carona, não vou te morder! — falou, esboçando um lindo sorriso. — Não é isso! É que não é conveniente eu andar de carona com um desconhecido, ainda mais sendo homem, de qualquer forma, obrigada pela gentileza. Eduardo não se deu por vencido e insistiu. — Anda, garota, vamos logo, não vai querer m***r aula por uma besteira dessas vai? Já atrasada, hesitei um pouco, mas resolvi aceitar a carona e acabei indo com ele para a escola. Durante a ida, Eduardo conversou comigo sobre meu lugar de origem. Entre uma conversa e outra, deixei bem claro que além de séria também não dava confiança a conversa mole de homens. Após a conversa, ele percebeu que eu não era qualquer uma. Ao chegar à escola, logo ao descer do carro e me ver, Fabrício fica estranho com Eduardo, chamando-o de fura-olho, não entendi nada, mas nem dei assunto a ninguém, apenas agradeci a carona e fui saindo do carro direto pra sala. Deixei eles para trás, conversando. — Para com isso, Fabrício, você não tem nada com ela! E pra ser sincero, nem vai ter, ali não tem pra você, amigo, aquela mina é diferente, não é igual às outras, não vai te dar ideia. — Parar por quê, Edu? Pra eu pegar aquela mina agora é uma questão de honra. — Não concordo, sei lá, cara, a garota tem um jeito diferente, vai fazer isso com ela pra quê? — Fala, Edu, fala logo a real, você tá a fim de pegar ela também! É mais bonito você falar que quer pegar ela do que ficar embaçando, tentando me tirar de cabeça — disse Fabrício e se revolta. — Não é nada disso! Só não concordo com sua ideia de querer brincar com ela, cara, depois de trocar uma ideia com ela, só percebi que não vale a pena fazer isso com a gata. Ela tem um jeito diferente, é uma pessoa bacana, sei lá, é diferente das outras, dá pra ver até no modo de olhar. Poxa, cara, tem tantas garotas dando sopa por aí e você vai querer mexer justo com essa, pra quê? Deixa a garota na dela. — Sem essa, Edu, você me conhece, irmão, se eu disse que vou pegar, então eu vou pegar, custe o que custar! Eduardo era um galinha, um cara bem p********o e um dos maiores pegadores do colégio, mas percebi que a minha presença mexia com ele, deixava tudo com um ar diferente.
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