capítulo 5 Marisol

1218 Words
Marisol Dois anos. Dois anos vivendo esse inferno. Robson me agredia com a mesma intensidade a cada vez que eu ousava dizer não. E não eram apenas tapas ou socos. Ele usava as palavras como facas afiadas, cortando minha dignidade, minha força. Me fazia sentir como se eu não fosse mais do que um objeto, uma coisa descartável. Mesmo diante de tudo isso, eu não cedia, mas meu corpo, minha mente, estavam à beira do colapso. Eu resistia, mas ele me esmagava de um jeito que parecia impossível escapar. E a perda da minha filha... Foi ele quem a matou. A dor de ter pegado a minha bebê nos meus próprios braços morta, de saber que ele foi o responsável pela morte dela... isso me consumia a cada segundo. A cada pensamento, a cada respiração, eu me afundava mais e mais. E eu estava sozinha. Não havia ninguém para me salvar. Só eu, presa naquela casa, aprisionada pelo medo dele. O medo de que ele matasse minha avó, de que ele destruísse tudo o que restava de mim. Eu sabia que tudo isso era um pesadelo. Eu sabia que ele estava me destruindo, mas não tinha forças para lutar. E foi então que ele me humilhou de um jeito que eu jamais imaginaria. Ele trouxe Verônica para dentro de casa. Minha irmã. A mulher que eu acolhi, que eu cuidei. A traidora que, ao lado dele, foi a responsável por minha queda. Quando vi ela ali, meu corpo ferveu de raiva, de dor. Não consegui controlar. Eu dei-lhe um tapa no rosto. A raiva tomava conta de mim, uma raiva tão intensa que eu não sabia mais onde ela começava e onde minha dor terminava. Mas Robson, como sempre, me segurou com uma força brutal, me lançou contra o sofá, me deixando sem ar, como se eu fosse nada. Me tratei como um lixo. Robson: Tá ficando doida, Marisol? Quer bater na sua própria irmã agora? Você tá perdendo a cabeça de vez, né? Eu olhei para ele, com ódio pulsando dentro de mim. Ele não tinha o direito de me humilhar dessa forma, ele não tinha o direito de fazer aquilo comigo. Mas ele não parou. Ele me agarrou pelo braço, com força, me apertando, me esmagando ainda mais. Eu senti a dor latejando, mas não era só física. Era uma dor insuportável, de saber que ele me destruiria por dentro, que ele me faria se sentir menos do que eu sou, que ele acabaria com tudo que eu construí. Verônica: Deixa de ser i****a, Marisol. Você é a louca, que não consegue nem cuidar de uma criança, e ainda quer culpar os outros. Aquilo foi como uma lâmina cravada no meu peito. As palavras dela me rasgaram por dentro, mas eu não podia deixar. Não podia deixar que ela me vencesse. Levantei-me, e fui até ela, puxando seu cabelo com toda a força que eu tinha, e socando seu nariz com toda a raiva acumulada dentro de mim. Mas antes que eu pudesse fazer mais alguma coisa, Robson me puxou pelo braço, me jogando de volta para o sofá com uma força que me fez sentir como se meu corpo fosse quebrar. Robson: Chega de palhaçada, Marisol! O que você pensa que está fazendo, causando essa briga dentro da minha casa? Você é louca? Marisol: Sua casa? Sua casa? Você não tem vergonha, Robson! Como tem coragem de trazer essa mulher aqui depois de tudo o que você me fez? Ela me matou, não me bastou matar minha filha! Vocês destruíram minha vida! Verônica: Não venha com esse drama. Você não consegue nem segurar uma criança, e ainda quer culpar os outros? Eu estou aqui porque o Robson me chamou. Você não vale nada. Essas palavras dela foram como uma facada. Ela, que deveria ser minha irmã, estava do lado dele, rindo de mim. Era demais. Eu estava à beira do fim. Mas Robson, com um sorriso c***l no rosto, apertou ainda mais meu braço, como se quisesse me marcar para sempre, como se quisesse me lembrar, a cada momento, de que ele estava no controle de tudo. Robson: Já que você não me dá o que eu quero, então vai ter que ouvir eu e sua irmã trepando, bem do lado do seu quarto. Vai ouvir tudo, vai ver tudo, e vai engolir sua humilhação até o fim. Ou quem sabe, você vai querer se juntar a nós, né? O que você acha? Ele me olhou com os olhos cheios de desprezo, de raiva, e eu sentia o desgosto, o nojo, tomando conta de mim. Eu não queria mais ver isso, eu não queria mais ouvir, não queria mais estar ali. Eu cuspi no rosto dele, uma tentativa de retribuir toda a dor que ele me causava, mas ele não teve piedade. Ele me deu um tapa forte, me empurrou para o chão, e sua risada zombava de mim, me esmagava. Enquanto ele e minha irmã se afastavam, ouvindo os risos e os gemidos, eu só conseguia sentir um vazio profundo, uma dor insuportável. Eu sentia que minha vida estava sendo arrancada de mim, pedaço por pedaço. Eu não sabia mais quem eu era. Aquele lugar, aquela casa, o que um dia era o meu refúgio, agora se tornara o meu calvário. Eles me torturavam, me quebravam a cada respiração, a cada movimento. E tudo o que eu conseguia fazer era olhar para a porta do meu quarto e pensar: "Eu não aguento mais." Sem pensar em nada, saí correndo. Corri pelas ruas como se estivesse fugindo da morte, mas, na verdade, estava fugindo da minha própria dor. Eu queria que a dor acabasse. Eu não sabia onde estava indo. O mundo ao meu redor estava em um turbilhão, e eu estava completamente perdida. E quando o motociclista apareceu, me puxando para o lado antes que os carros me atropelassem, uma parte de mim queria que ele me deixasse ali, no meio da estrada. Talvez fosse mais fácil assim. Talvez fosse o fim. Mas ele me olhou com uma raiva tão pura, tão crueldade, que eu não consegui entender o que estava acontecendo. Motociclista: Você está maluca, p***a? Tá querendo morrer? Eu acabo com isso agora mesmo, se você não parar de ser i****a. Ele me empurrou para longe, e eu não sabia o que pensar. Suas palavras me cortaram como uma lâmina, e antes que eu pudesse reagir, ele me deu a última ameaça. Motociclista: Da próxima vez que você cruzar o meu caminho, eu passo por cima de você e acabo com isso. Não importa quem você é, não importa onde você está. Eu acabo com você. Ele subiu na moto e foi embora. E eu fiquei ali, parada, em choque, sem saber o que pensar. Talvez ele fosse um anjo, talvez fosse o demônio, mas algo dentro de mim dizia que a dor não tinha terminado. Eu tinha que lutar. Eu não podia mais deixar que ele me destruísse. Voltei para casa. Eu entrei no meu quarto e tranquei a porta. Eu sabia que a dor ainda estava comigo, que Robson ainda tinha poder sobre mim, mas naquele momento, algo dentro de mim, que eu achava ter perdido, despertou. Eu não sabia o que aconteceria, mas eu não iria mais me render.
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