Antonela Ribas Assim que ele saiu, me deixando sozinha na sala de jantar, olhei ao redor e tudo parecia um campo de guerra silencioso. A mesa... meu Deus, a mesa ainda carregava as marcas do que havia acontecido. O vinho derramado, o vestido amarrotado, a bagunça que denunciava o que eu tinha feito. O que nós tínhamos feito. Sozinha, desabei. As lágrimas vieram sem que eu pudesse controlar, soluços rasgando a garganta, ecoando pelo vazio do apartamento. Eu chorava não só pelo ato, mas por tudo: pela humilhação, pelo desespero, pela sensação de que algo dentro de mim tinha sido arrancado à força. E, mesmo assim, uma única certeza queimava dentro da minha mente como um mantra: acabou. A dívida estava paga. Não havia mais nada que Heitor pudesse exigir de mim. Enxuguei o rosto com pressa,

