Limite

653 Words
hotel era simples. Pequeno. Quase escondido… Nos limites da cidade. Nada parecido com o mundo que Camila tinha conhecido com ele. Ela entrou com a mochila nas costas. Cansada. — Tem um quarto? — Tem sim… diária simples. Ela contou o dinheiro. Pagou. Subiu. O quarto era humilde. Mas limpo. Ela fechou a porta. Encostou as costas nela… E deslizou até o chão. Silêncio. E então… As lágrimas vieram. — Me perdoa… Ela sussurrou sozinha. — Eu nunca quis te deixar… Mas sabia… Que precisava. Do outro lado da cidade… Os carros rodavam. Homens procurando. Ruas. Hotéis. Nada. Nenhum vestígio. — Não acharam ainda, chefe. O olhar de Alonso escureceu. — Procura melhor. Frio. Direto. — Ela não sumiu. Dias passaram. O dinheiro acabou. E a realidade voltou com força. Camila saiu cedo. Procurando trabalho. De porta em porta. Até que conseguiu. Uma lanchonete simples. Uniforme básico. Salário baixo. Mas suficiente. Ela voltou a trabalhar. Como sempre fez. Servindo mesas. Limpando. Sorrindo… Mesmo quando queria chorar. À noite… Sozinha no quarto. — Alonso… Ela sussurrava. — Me perdoa… Enquanto isso… Na mansão… O silêncio também machucava. Alonso andava de um lado pro outro. Inquieto. O quarto dele… Vazio. A cama… Fria. Ele passou a mão pelo rosto. — Onde você tá…? A voz saiu baixa. Quase um desespero contido. Ele olhou pela janela. — Camila… Silêncio. — Eu vou te encontrar. Pausa. — Nem que eu vire essa cidade do avesso. Ele não dormia direito. Não comia direito. Nada fazia sentido. Porque pela primeira vez… Ele tinha tudo. E ainda assim… Não tinha nada. Porque ela não estava ali. A lanchonete estava quase vazia. Fim de turno. Camila limpava as mesas. Cansada. O corpo doía. Mas ela continuava. Como sempre fez. — Já vai fechar. A dona falou lá do caixa. — Tá bom! Camila respondeu. Ela foi até os fundos. Área mais isolada. Pouca luz. Pegou um pano. Começou a limpar o balcão. E não percebeu… Que não estava mais sozinha. — Você é novata, né? Ela se assustou. Virou rápido. Um dos funcionários. Mais velho. Olhar estranho. — Sou… sim. Ela tentou continuar o que estava fazendo. Mas ele não saiu. Pelo contrário… Se aproximou mais. — Você é bonita demais pra trabalhar aqui. O coração dela acelerou. — Obrigada… Seco. Sem graça. Ela tentou sair. Mas ele segurou o braço dela. Forte. — Calma… — Me solta! A voz já tremia. — Não precisa disso… Ele disse, sorrindo de lado. Ela tentou puxar o braço. Mas ele apertou mais. — Para! Desespero. — Ninguém tá aqui… O medo tomou conta. — Me solta! Ela tentou gritar. Ele a puxou contra o corpo. — Para de graça… Ela começou a se debater. — SOCORRO! A voz saiu falha. Mas saiu. Ele tentou calar a boca dela. — Fica quieta! Mas Camila não parava. Chutava. Empurrava. Desesperada. — NÃO! As lágrimas já caíam. O coração disparado. O trauma… O medo… Tudo voltando de uma vez. Até que… Um barulho. A porta batendo forte. — QUE p***a É ESSA?! A voz ecoou. Furiosa. O homem soltou ela na hora. Camila caiu pra trás. Assustada. Tremendo. E quando olhou… Parou. — Alonso…? Ele estava ali. Respiração pesada. Olhar mortal. E dessa vez… Ele não parecia um homem apaixonado. Parecia perigo. — Encosta nela de novo… A voz saiu baixa. Assustadora. — E eu acabo com você. O homem recuou. — Eu não fiz nada… Alonso avançou. — Eu vi. Simples. Direto. Camila tremia. Sem conseguir se levantar. Ele olhou pra ela. E o olhar mudou. Na hora. — Vem… Ele se abaixou. Segurando ela com cuidado. — Eu tô aqui… Ela se agarrou nele. Chorando. — Eu fiquei com medo… A voz quebrada. Ele fechou os olhos por um segundo. Raiva. Culpa. — Acabou. Ele sussurrou. — Ninguém mais toca em você. Mas por dentro… Ele já tinha decidido. Aquilo… Não ia ficar assim.
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