o encontro
O vento da cidade grande soprava diferente.
Era mais frio, mais apressado… mais c***l.
Ela sentia isso.
Com uma mochila simples nas costas, calça jeans justa e uma blusa branca de manga, ela caminhava olhando tudo ao redor. Prédios enormes, carros passando rápido, pessoas que nem sequer se olhavam.
Ela tinha acabado de chegar.
Interior → cidade grande.
Um mundo completamente novo.
Respirou fundo, tentando esconder o nervosismo.
— Vai dar certo… — murmurou para si mesma.
Do outro lado da rua, ele observava tudo.
Sentado em sua cadeira de rodas, cercado por seguranças discretos e seus filhos brincando próximos, ele parecia apenas mais um homem rico… vulnerável.
Mas não era.
Alto, forte, barba perfeitamente desenhada, cabelo castanho com um leve topete… e um olhar frio, calculista.
Um homem que controlava tudo.
Ou quase tudo.
Porque naquele momento… ele estava fingindo.
Anos atrás, o acidente tinha quase tirado seus movimentos.
Quase.
Mas depois de muito tratamento… ele voltou a andar.
E ninguém sabia.
Ele preferiu assim.
A cadeira de rodas virou sua máscara.
Uma forma de observar quem realmente estava ao seu lado… e quem só esperava sua queda.
Família.
Só de pensar, seu maxilar travava.
Falsidade. Interesse. Traição.
Ele já tinha visto de tudo.
E continuava vendo.
Até que—
Um leve declive na calçada.
A cadeira começou a se mover.
Devagar… depois mais rápido.
— Segura! — ele disse, baixo, tentando manter a postura.
Mas a cadeira acelerou.
— SEGURA! — chamou novamente, dessa vez mais firme, sem poder levantar… não ali.
Os seguranças demoraram um segundo.
Um segundo.
Mas foi o suficiente.
A cadeira desceu rápido demais.
E foi quando—
Ela apareceu.
Sem perceber o que estava acontecendo, virou no momento exato em que a cadeira vinha em sua direção.
— Meu Deus!
Instintivamente, ela largou a mochila e segurou a cadeira com força.
O impacto foi leve… mas suficiente para parar.
Silêncio.
Ela levantou o olhar.
E então—
Os olhos dele se encontrou com os olhos Verdes.
Profundos.
Vivos.
Ele travou.
Pela primeira vez em muito tempo… ele simplesmente não soube reagir.
— Senhor… tá tudo bem? — ela perguntou, com a voz doce, levemente preocupada.
Ele abriu a boca…
Mas nenhuma palavra saiu.
Porque naquele momento—
Ele já sabia.
Era ela.
Ele não sabia o nome.
Não sabia de onde vinha.
Não sabia nada.
Mas sabia.
Ela sorriu de leve.
Um sorriso simples… mas que desarmava qualquer um.
— Tá tudo bem, senhor?
E foi aí que os seguranças chegaram correndo.
— Chefe!
Eles se aproximaram rápido demais.
Um deles esbarrou na cadeira.
E tudo aconteceu em segundos.
O corpo dele foi lançado para frente.
Contra o dela.
Os rostos ficaram próximos.
Próximos demais.
E então—
Um beijo.
Rápido.
Inesperado.
Explosivo.
Ela arregalou os olhos.
O mundo pareceu parar.
E no segundo seguinte—
PÁ!
O som ecoou.
O tapa foi certeiro.
Ele virou o rosto com o impacto.
Ela deu um passo para trás, completamente indignada.
— Seu… abusado!
Pegou a mochila rapidamente.
— Você acha que pode sair beijando as pessoas assim?!
Ele ainda estava com a mão no rosto.
Mas…
Ele estava sorrindo.
Um sorriso verdadeiro.
Raro.
Os seguranças ficaram em choque.
— Chefe… você tá bem? — um deles perguntou, incrédulo.
Outro completou, quase rindo:
— É a primeira vez que uma mulher te bate…
Ele não tirou os olhos dela.
Mesmo enquanto ela se afastava, irritada, indo embora sem olhar para trás.
— Eu quero saber tudo sobre ela.
A voz saiu baixa.
Fria.
Decidida.
Perigosa.
Mas o brilho nos olhos…
Era completamente diferente.