A noite estava silenciosa.
Mas o carro de Alonso cortava a cidade como um aviso.
Dentro dele...
Nenhuma palavra.
Apenas o som do motor.
E um homem...
Que já não era mais apenas amor.
Era fúria.
— Onde ela está?
A voz dele saiu baixa.
Fria.
Um dos homens respondeu:
— Em uma casa afastada, senhor.
— Tentando fugir.
Alonso soltou um pequeno riso.
Sem humor.
Perigoso.
— Fugir?
Ele olhou pela janela.
— Ela já deveria saber...
— Que não existe lugar no mundo onde eu não consiga encontrar alguém.
O carro parou.
Uma casa isolada.
Luzes acesas.
Movimento lá dentro.
Alonso abriu a porta.
Antes de entrar, olhou para os homens.
— Ninguém entra.
— Ninguém sai.
Eles assentiram.
Ele desceu.
Passos firmes.
Lentos.
Determinados.
A porta foi aberta sem aviso.
Ela estava lá.
A ex-esposa.
Quando viu Alonso...
O rosto perdeu completamente a cor.
— Alonso...
Ele entrou.
Fechou a porta atrás de si.
— Surpresa?
Ela deu um passo para trás.
— Eu... eu posso explicar.
Ele soltou uma risada baixa.
Sem nenhuma emoção.
— Explicar?
Ele se aproximou.
— Você jogou a minha mulher...
— Grávida...
— Dentro de uma piscina.
O silêncio tomou conta do lugar.
Pesado.
Ela começou a chorar.
— Eu não queria matar ela!
— Foi um impulso!
Os olhos de Alonso ficaram ainda mais frios.
— Mas poderia ter matado.
Ela caiu de joelhos.
Desesperada.
— Por favor...
— Eu te amei!
— Eu fiquei com você quando ninguém mais ficou!
Alonso ficou parado olhando para ela.
Depois caminhou devagar.
— Ficou?
A voz dele era baixa.
— Ou me abandonou quando eu mais precisava de alguém?
Ela abriu a boca.
Mas nenhuma palavra saiu.
Ele continuou.
— Você me chamou de inútil.
— Me deixou sozinho.
— Destruiu tudo que a gente tinha.
O olhar dele endureceu.
— E agora tentou tirar a única coisa que realmente importa para mim.
Alonso se abaixou na frente dela.
Olhou diretamente nos olhos dela.
Sem raiva.
Sem gritos.
Apenas uma frieza assustadora.
— Você mexeu com a minha família.
Ela chorava.
O medo estava estampado no rosto.
— Eu tenho medo de você...
Ele inclinou levemente a cabeça.
— E deveria.
O silêncio voltou.
Longo.
Pesado.
Então Alonso falou:
— Sabe o que eu mais pensei hoje?
Ela levantou os olhos.
— Que eu quase cheguei tarde demais.
A mandíbula dele travou.
— Que eu poderia ter perdido Camila.
— Poderia ter perdido meu filho.
Por um instante...
A dor apareceu.
Mas desapareceu rapidamente.
Dando lugar novamente à frieza.
— E isso...
Ele respirou fundo.
— Eu não perdoo.
Alonso se levantou.
Virou de costas.
— Eu não vou destruir minha vida sujando minhas mãos com você.
Ela ficou confusa.
Uma pequena esperança apareceu.
— Então...
— Você vai me deixar ir?
Ele ficou parado.
Sem olhar para trás.
— Não.
Fez apenas um pequeno sinal.
Os homens entraram.
O desespero tomou conta dela.
— Não!
— Por favor!
— Alonso!
Ele caminhou até a porta.
Sem se virar.
— Tirem tudo dela.
Silêncio.
— Dinheiro.
— Contas.
— Poder.
— Tudo.
Ele continuou andando.
— Quero que ela saiba como é perder tudo.
Parou por um segundo.
— Como ela tentou fazer a minha mulher perder.
Ela chorava.
Mas Alonso não olhou para trás.
— E mais uma coisa...
Ele virou apenas o rosto.
O olhar era gelado.
— Se ela chegar perto da minha família novamente...
Pausa.
— Eu mesmo volto.
Ninguém respondeu.
Não precisava.
A ameaça estava clara.
Alonso saiu.
Sem olhar para trás.
Sem culpa.
Sem dúvida.
Porque naquele dia...
Ele não escolheu vingança.
Ele escolheu proteger.
E deixou uma coisa muito clara...
Ninguém.
Ninguém tocava na família dele.
E saía sem consequências.