sem perdão

625 Words
A noite estava silenciosa. Mas o carro de Alonso cortava a cidade como um aviso. Dentro dele... Nenhuma palavra. Apenas o som do motor. E um homem... Que já não era mais apenas amor. Era fúria. — Onde ela está? A voz dele saiu baixa. Fria. Um dos homens respondeu: — Em uma casa afastada, senhor. — Tentando fugir. Alonso soltou um pequeno riso. Sem humor. Perigoso. — Fugir? Ele olhou pela janela. — Ela já deveria saber... — Que não existe lugar no mundo onde eu não consiga encontrar alguém. O carro parou. Uma casa isolada. Luzes acesas. Movimento lá dentro. Alonso abriu a porta. Antes de entrar, olhou para os homens. — Ninguém entra. — Ninguém sai. Eles assentiram. Ele desceu. Passos firmes. Lentos. Determinados. A porta foi aberta sem aviso. Ela estava lá. A ex-esposa. Quando viu Alonso... O rosto perdeu completamente a cor. — Alonso... Ele entrou. Fechou a porta atrás de si. — Surpresa? Ela deu um passo para trás. — Eu... eu posso explicar. Ele soltou uma risada baixa. Sem nenhuma emoção. — Explicar? Ele se aproximou. — Você jogou a minha mulher... — Grávida... — Dentro de uma piscina. O silêncio tomou conta do lugar. Pesado. Ela começou a chorar. — Eu não queria matar ela! — Foi um impulso! Os olhos de Alonso ficaram ainda mais frios. — Mas poderia ter matado. Ela caiu de joelhos. Desesperada. — Por favor... — Eu te amei! — Eu fiquei com você quando ninguém mais ficou! Alonso ficou parado olhando para ela. Depois caminhou devagar. — Ficou? A voz dele era baixa. — Ou me abandonou quando eu mais precisava de alguém? Ela abriu a boca. Mas nenhuma palavra saiu. Ele continuou. — Você me chamou de inútil. — Me deixou sozinho. — Destruiu tudo que a gente tinha. O olhar dele endureceu. — E agora tentou tirar a única coisa que realmente importa para mim. Alonso se abaixou na frente dela. Olhou diretamente nos olhos dela. Sem raiva. Sem gritos. Apenas uma frieza assustadora. — Você mexeu com a minha família. Ela chorava. O medo estava estampado no rosto. — Eu tenho medo de você... Ele inclinou levemente a cabeça. — E deveria. O silêncio voltou. Longo. Pesado. Então Alonso falou: — Sabe o que eu mais pensei hoje? Ela levantou os olhos. — Que eu quase cheguei tarde demais. A mandíbula dele travou. — Que eu poderia ter perdido Camila. — Poderia ter perdido meu filho. Por um instante... A dor apareceu. Mas desapareceu rapidamente. Dando lugar novamente à frieza. — E isso... Ele respirou fundo. — Eu não perdoo. Alonso se levantou. Virou de costas. — Eu não vou destruir minha vida sujando minhas mãos com você. Ela ficou confusa. Uma pequena esperança apareceu. — Então... — Você vai me deixar ir? Ele ficou parado. Sem olhar para trás. — Não. Fez apenas um pequeno sinal. Os homens entraram. O desespero tomou conta dela. — Não! — Por favor! — Alonso! Ele caminhou até a porta. Sem se virar. — Tirem tudo dela. Silêncio. — Dinheiro. — Contas. — Poder. — Tudo. Ele continuou andando. — Quero que ela saiba como é perder tudo. Parou por um segundo. — Como ela tentou fazer a minha mulher perder. Ela chorava. Mas Alonso não olhou para trás. — E mais uma coisa... Ele virou apenas o rosto. O olhar era gelado. — Se ela chegar perto da minha família novamente... Pausa. — Eu mesmo volto. Ninguém respondeu. Não precisava. A ameaça estava clara. Alonso saiu. Sem olhar para trás. Sem culpa. Sem dúvida. Porque naquele dia... Ele não escolheu vingança. Ele escolheu proteger. E deixou uma coisa muito clara... Ninguém. Ninguém tocava na família dele. E saía sem consequências.
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