A entrega

608 Words
Naquela noite… Tudo parecia mais intenso. Como sempre… Eles estavam deitados. A televisão ligada. Mas ignorada. Os beijos começaram como de costume. Lentos. Carinhosos. Mas dessa vez… Algo mudou. O toque dele demorava mais. A respiração ficou mais pesada. Ela se aproximou mais. Sem perceber. E ele aprofundou o beijo. Mais intenso. Mais envolvido. As mãos dele seguraram o rosto dela com mais firmeza. Puxando ela pra mais perto. E por um instante… O mundo desapareceu. Até que… Ela parou. Se afastando de leve. A respiração acelerada. Os olhos um pouco confusos. — Desculpa… Ele disse na mesma hora. A voz baixa. Controlada. — Eu… fui intenso. Ela negou rapidamente. — Não… não é isso… Silêncio. Ela abaixou o olhar. Nervosa. — Eu preciso te falar uma coisa… Ele ficou atento. — O que foi? Ela respirou fundo. Criando coragem. — É que… Pausa. — Eu nunca fiz isso antes. Silêncio. Os olhos dele mudaram. — Como assim…? Ela levantou o olhar. Um pouco envergonhada. Mas firme. — Eu me guardei… Pausa. — Pra pessoa certa. O coração dele acelerou. — Você tá dizendo que… — Que eu sou virgem. Silêncio. Profundo. Mas não pesado. Diferente. Os olhos dele brilharam. Mas não de desejo. De respeito. De cuidado. Ele se aproximou devagar. — Camila… A voz saiu mais suave do que nunca. — Você não me deve nada. Ela olhou pra ele. — Eu sei… Ele levantou a mão. E tocou o rosto dela com carinho. — A gente vai no seu tempo. Pausa. — Do jeito que você quiser. Os olhos dela se encheram levemente. — Eu não quero ter medo… Ele se aproximou mais. Encostando a testa na dela. — Então a gente não vai ter. Silêncio. Ele deu um beijo nela. Mais leve. Mais calmo. Cheio de promessa. E dessa vez… Sem pressa. Porque agora… Não era só sobre desejo. Era sobre algo muito maior. Confiança. E amor. Alguns dias depois… O clima entre eles já não era mais o mesmo. Era mais profundo. Mais intenso. E naquela noite… Tudo mudou. Camila estava deitada ao lado dele. Como sempre. Mas o silêncio… Era diferente. Carregado. Ela virou o rosto. Os olhos encontraram os dele. Sem medo dessa vez. — Eu confio em você… Ela disse, baixinho. O coração dele apertou. — Tem certeza? Ela assentiu. — Tenho. Silêncio. Ele levou a mão até o rosto dela. Com cuidado. Como sempre. — Então a gente vai devagar… Ela sorriu de leve. — Com você… eu não tenho pressa. O beijo veio. Lento. Mas cheio de sentimento. Mais profundo do que qualquer outro que eles já tinham trocado. Ele a puxou com cuidado… A ajudando a se acomodar sobre ele. Respeitando cada limite. Cada movimento. As mãos dele firmes na cintura dela. Guiando. Com calma. Sem pressa. Como se estivesse cuidando… E não apenas tocando. Ela fechou os olhos por um instante. Sentindo. Confiando. — Tá tudo bem? — ele sussurrou. — Tá… E estava. Porque não havia medo. Só entrega. O mundo lá fora deixou de existir. E ali… Entre respirações próximas… E corações acelerados… Eles se encontraram de verdade. Sem passado. Sem dor. Só eles. Mais tarde… Ela estava deitada sobre o peito dele. Silenciosa. Mas em paz. Ele fazia carinho no cabelo dela. Devagar. — Você tá bem? — ele perguntou. Ela levantou o rosto. E sorriu. Um sorriso diferente. Mais leve. Mais… completo. — Tô… Pausa. — Melhor do que eu já estive. Ele fechou os olhos por um segundo. Segurando aquele momento. Porque sabia… Que aquilo não era só uma noite. Era o começo de algo… Que ele não poderia mais perder.
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