o teatro e a proteção dela

624 Words
Naquela noite… Camila estava nervosa. Mas também… animada. Quando Alonso chegou, ela já estava pronta. Um vestido simples… mas elegante. Cabelo solto dessa vez. Levemente ondulado. Os olhos brilhando. — Você tá linda — ele disse, sem tirar os olhos dela. Ela sorriu. — Obrigada… Eles entraram no carro. Alex, como sempre, dirigindo em silêncio. Minutos depois… Eles chegaram. O teatro era… Deslumbrante.Luzes douradas. Arquitetura antiga. Um lugar que parecia sair de um sonho. Camila ficou parada por alguns segundos. Encantada. — Meu Deus… Olhava tudo ao redor, como uma criança descobrindo o mundo. — Isso é… lindo… Alonso apenas observava. Mas não o lugar. Ela. Durante a peça… Ela ficou completamente envolvida. Riu. Se emocionou. Os olhos marejaram em alguns momentos. E ele… Permaneceu ali. Ao lado dela. Na cadeira de rodas. Mas completamente presente. Porque, naquele momento… Nada mais importava. Quando terminou… Ela ainda estava sorrindo. — Eu nunca vi algo assim… — Gostou? — ele perguntou. — Muito… Eles saíram. A noite estava agradável. — Quer jantar? — ele perguntou. Ela pensou por um segundo. E sorriu. — Quero… Foram para um restaurante. Bonito. Aconchegante. Jantaram. Conversaram. Riram. Tudo fluía…Leve,natural. Até que… Uma presença interrompeu. Uma mulher parou ao lado da mesa. acompanhada de um homem. Ela olhou diretamente para ele. Com desprezo. — Alonso? O clima mudou. Na hora. Ele a encarou. Frio. — O que você quer? O homem ao lado dela riu com desdém. — Fala direito com a minha mulher, aleijado. Silêncio. Pesado. Os olhos de Camila mudaram na hora. A mulher cruzou os braços. Olhou para Camila de cima a baixo. — Querida… com todo respeito… — Você tá perdendo seu tempo com um homem que nem consegue te satisfazer. Pausa. Sorriso venenoso. — Mas enfim… dizem que loiras são burras, né? Camila não pensou. — Repete. A voz saiu firme. Cortante. A mulher arqueou a sobrancelha. Provocando. — Olha… a caipirinha tem voz… Camila levantou o queixo. Os olhos firmes. — Eu espero que você nunca mais chegue perto de mim pra falar desse jeito. — Ah, então você vai defender o aleijado? Camila deu um passo à frente. — Ele não é aleijado. Pausa. — E você devia aprender a respeitar as pessoas. A mulher riu. — Eu já fui mulher dele. Silêncio. Camila olhou pra ela por um segundo. E então respondeu, sem hesitar: — Então você foi muito i****a por ter largado ele. Pausa. Olhou para o homem ao lado dela. — Pra ficar com isso aí. O homem se irritou. — Olha como você fala— — Eu tô falando o que eu tô vendo — Camila cortou. — Você acha que eu não vi você olhando pra outras mulheres? A mulher ficou sem reação. — Ele já trocou número aqui dentro — Camila continuou. — E você aí… se achando esperta. Silêncio. Constrangedor. — Agora faz um favor — Camila disse, fria. — Sai da nossa frente. A mulher puxou o homem, irritada. E saiu. O clima voltou ao silêncio. Camila respirou fundo. E então olhou para Alonso. — Me desculpa… A voz agora era suave. — Eu nem sei o que deu em mim… — Eu só… não gostei do jeito que ela falou com você. Ele não disse nada. Só olhou pra ela. Ela continuou: Eu quero que você saiba uma coisa… Pausa. — Ninguém fala assim com você na minha frente. Silêncio. Ele estendeu a mão. E segurou a dela. Firme.Calmo. Mas carregado de algo intenso. E, pela primeira vez… Camila sentiu. Que não estava mais sozinha. E Alonso… Naquele momento… Teve certeza de uma coisa: Ela não era só alguém que ele queria proteger. Ela era… A mulher que ele estava começando a amar. De verdade.
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