hotel era simples.
Pequeno.
Quase escondido…
Nos limites da cidade.
Nada parecido com o mundo que Camila tinha conhecido com ele.
Ela entrou com a mochila nas costas.
Cansada.
— Tem um quarto?
— Tem sim… diária simples.
Ela contou o dinheiro.
Pagou.
Subiu.
O quarto era humilde.
Mas limpo.
Ela fechou a porta.
Encostou as costas nela…
E deslizou até o chão.
Silêncio.
E então…
As lágrimas vieram.
— Me perdoa…
Ela sussurrou sozinha.
— Eu nunca quis te deixar…
Mas sabia…
Que precisava.
Do outro lado da cidade…
Os carros rodavam.
Homens procurando.
Ruas.
Hotéis.
Nada.
Nenhum vestígio.
— Não acharam ainda, chefe.
O olhar de Alonso escureceu.
— Procura melhor.
Frio.
Direto.
— Ela não sumiu.
Dias passaram.
O dinheiro acabou.
E a realidade voltou com força.
Camila saiu cedo.
Procurando trabalho.
De porta em porta.
Até que conseguiu.
Uma lanchonete simples.
Uniforme básico.
Salário baixo.
Mas suficiente.
Ela voltou a trabalhar.
Como sempre fez.
Servindo mesas.
Limpando.
Sorrindo…
Mesmo quando queria chorar.
À noite…
Sozinha no quarto.
— Alonso…
Ela sussurrava.
— Me perdoa…
Enquanto isso…
Na mansão…
O silêncio também machucava.
Alonso andava de um lado pro outro.
Inquieto.
O quarto dele…
Vazio.
A cama…
Fria.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Onde você tá…?
A voz saiu baixa.
Quase um desespero contido.
Ele olhou pela janela.
— Camila…
Silêncio.
— Eu vou te encontrar.
Pausa.
— Nem que eu vire essa cidade do avesso.
Ele não dormia direito.
Não comia direito.
Nada fazia sentido.
Porque pela primeira vez…
Ele tinha tudo.
E ainda assim…
Não tinha nada.
Porque ela não estava ali.
A lanchonete estava quase vazia.
Fim de turno.
Camila limpava as mesas.
Cansada.
O corpo doía.
Mas ela continuava.
Como sempre fez.
— Já vai fechar.
A dona falou lá do caixa.
— Tá bom!
Camila respondeu.
Ela foi até os fundos.
Área mais isolada.
Pouca luz.
Pegou um pano.
Começou a limpar o balcão.
E não percebeu…
Que não estava mais sozinha.
— Você é novata, né?
Ela se assustou.
Virou rápido.
Um dos funcionários.
Mais velho.
Olhar estranho.
— Sou… sim.
Ela tentou continuar o que estava fazendo.
Mas ele não saiu.
Pelo contrário…
Se aproximou mais.
— Você é bonita demais pra trabalhar aqui.
O coração dela acelerou.
— Obrigada…
Seco.
Sem graça.
Ela tentou sair.
Mas ele segurou o braço dela.
Forte.
— Calma…
— Me solta!
A voz já tremia.
— Não precisa disso…
Ele disse, sorrindo de lado.
Ela tentou puxar o braço.
Mas ele apertou mais.
— Para!
Desespero.
— Ninguém tá aqui…
O medo tomou conta.
— Me solta!
Ela tentou gritar.
Ele a puxou contra o corpo.
— Para de graça…
Ela começou a se debater.
— SOCORRO!
A voz saiu falha.
Mas saiu.
Ele tentou calar a boca dela.
— Fica quieta!
Mas Camila não parava.
Chutava.
Empurrava.
Desesperada.
— NÃO!
As lágrimas já caíam.
O coração disparado.
O trauma…
O medo…
Tudo voltando de uma vez.
Até que…
Um barulho.
A porta batendo forte.
— QUE p***a É ESSA?!
A voz ecoou.
Furiosa.
O homem soltou ela na hora.
Camila caiu pra trás.
Assustada.
Tremendo.
E quando olhou…
Parou.
— Alonso…?
Ele estava ali.
Respiração pesada.
Olhar mortal.
E dessa vez…
Ele não parecia um homem apaixonado.
Parecia perigo.
— Encosta nela de novo…
A voz saiu baixa.
Assustadora.
— E eu acabo com você.
O homem recuou.
— Eu não fiz nada…
Alonso avançou.
— Eu vi.
Simples.
Direto.
Camila tremia.
Sem conseguir se levantar.
Ele olhou pra ela.
E o olhar mudou.
Na hora.
— Vem…
Ele se abaixou.
Segurando ela com cuidado.
— Eu tô aqui…
Ela se agarrou nele.
Chorando.
— Eu fiquei com medo…
A voz quebrada.
Ele fechou os olhos por um segundo.
Raiva.
Culpa.
— Acabou.
Ele sussurrou.
— Ninguém mais toca em você.
Mas por dentro…
Ele já tinha decidido.
Aquilo…
Não ia ficar assim.