Os meses passaram…
E, sem que nenhum dos dois percebesse…
Eles estavam cada vez mais próximos.
Mais conectados.
Mais… necessários um ao outro.
Naquele dia…
Alonso levou Camila a um clube.
O lugar era lindo.
Piscinas enormes.
Música leve.
Sol refletindo na água.
Ele estava de bermuda, na cadeira de rodas, relaxado.
E ela…
Camila estava deslumbrante.
Um biquíni preto simples, mas elegante.
Um chapéu de palha.
Os cabelos loiros soltos, brilhando ao sol.
O corpo delicado… perfeito.
Natural.
Alonso não conseguia desviar o olhar.
Eles riam.
Conversavam.
Tomavam drinks.
Como se o mundo lá fora não existisse.
— Você não vai entrar na piscina? — ele perguntou, divertido.
Ela riu.
— Eu não sei nadar…
Deu de ombros.
— Mas tô adorando estar aqui.
Ele sorriu.
Observando cada detalhe dela.
O tempo passava devagar.
Gostoso.
Até que…
Ela se virou na espreguiçadeira.
— Você pode passar protetor nas minhas costas?
Ele travou por um segundo.
Mas disfarçou.
— Claro…
Ela se deitou de bruços.
E ele se aproximou
Com cuidado…
Começou a espalhar o protetor na pele dela.
Devagar
Os dedos dele deslizando pelas costas dela.
A pele quente pelo sol.
Macia.
E ele pensava…
Ela é linda demais…
O coração dele acelerou.
Mesmo sem demonstrar.
Camila fechou os olhos por um instante.
Sentindo o toque.
Leve.
Respeitoso.
Mas…
Intenso.
Até que…
Ela virou o rosto.
E olhou pra ele.
Os olhos se encontraram.
De novo.
Como naquela primeira vez.
Silêncio.
O mundo pareceu parar.
Ele sorriu.
De leve.
E então…
Sem pressa…
Sem força…
Ela se inclinou.
E o beijou.
Um beijo calmo.
Suave.
Cheio de cuidado.
Como se estivesse testando.
Sentindo.
E ele…
Correspondeu.
Do mesmo jeito.
Lento.
Carinhoso.
Como se tivesse esperado por aquilo…
Desde o primeiro olhar.
Nada de pressa.
Nada de urgência.
Só… sentimento.
O tempo… parou.
Camila ainda estava perto dele.
Muito perto.
O coração acelerado.
A respiração leve… descompassada.
Ela desviou o olhar primeiro.
Sem saber exatamente o que fazer.
— Eu… — começou, mas parou.
Alonso continuava olhando pra ela.
Intenso.
Mas calmo.
— Tá tudo bem — ele disse, com a voz baixa.
Ela respirou fundo.
Passou a mão no cabelo, meio nervosa.
— Eu não sei por que eu fiz isso…
Mas sabia.
No fundo… sabia.
Ele deu um leve sorriso.
— Eu sei.
Ela olhou pra ele de novo.
E dessa vez…
Não desviou.
— Você sabe?
— Sei.
Pausa.
— Porque eu também queria.
Silêncio.
Mas agora…
Um silêncio diferente.
Mais quente.
Mais vivo.
Ela sentou na espreguiçadeira.
Ainda tentando organizar os próprios sentimentos.
— Isso é novo pra mim…
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Novo?
— Eu nunca… ela hesitou, meio envergonhada — nunca me senti assim com alguém.
Aquilo atingiu ele.
Direto.
— Nem com ele?
Ela negou devagar.
— Com o Vitor… era diferente.
Pausa.
— Eu amava ele… mas…
Procurou as palavras.
— Não era leve assim.
Silêncio.
Alonso absorveu cada palavra.
— Com você… — ela continuou — eu me sinto… segura.
Os olhos dele suavizaram.
— Como se nada de r**m pudesse acontecer.
Pausa.
— E isso me assusta um pouco.
Ele se aproximou um pouco mais.
Sem invadir.
— Por quê?
Ela riu fraco.
— Porque tudo que parece bom demais… sempre acaba me machucando.
Silêncio.
Alonso olhou diretamente nos olhos dela.
— Eu não sou ele.
A voz saiu firme.
Baixa.
Mas cheia de verdade.
Ela sustentou o olhar
— Eu sei…
E sabia mesmo.
Porque, pela primeira vez…
Ela não estava tentando convencer a si mesma.
Ela sentia.
O vento passou leve.
Movendo os cabelos dela.
Ele levantou a mão…
E, com cuidado…
Afastou uma mecha do rosto dela.
O toque foi suave.
Quase nada.
Mas suficiente pra fazer o coração dela disparar de novo.
— A gente pode ir devagar — ele disse.
Ela assentiu.
— Eu quero isso…
Pausa.
— Com você.
Um sorriso pequeno surgiu no rosto dele.
Raro.
Verdadeiro.
— Então a gente vai do seu tempo.
Silêncio.
Mas agora…
Confortável.
Ela encostou de leve a cabeça no ombro dele.
Sem medo.
E ele ficou ali.
Sem se mover.
Como se aquele momento…
Fosse precioso demais pra quebrar.
E, pela primeira vez…
Depois de tudo…
Camila não pensava no passado.
Só no agora.
E no homem ao lado dela.
Que, sem ela perceber…
Já estava disposto a fazer qualquer coisa…
Pra nunca perder aquilo.