O beijo

731 Words
Os meses passaram… E, sem que nenhum dos dois percebesse… Eles estavam cada vez mais próximos. Mais conectados. Mais… necessários um ao outro. Naquele dia… Alonso levou Camila a um clube. O lugar era lindo. Piscinas enormes. Música leve. Sol refletindo na água. Ele estava de bermuda, na cadeira de rodas, relaxado. E ela… Camila estava deslumbrante. Um biquíni preto simples, mas elegante. Um chapéu de palha. Os cabelos loiros soltos, brilhando ao sol. O corpo delicado… perfeito. Natural. Alonso não conseguia desviar o olhar. Eles riam. Conversavam. Tomavam drinks. Como se o mundo lá fora não existisse. — Você não vai entrar na piscina? — ele perguntou, divertido. Ela riu. — Eu não sei nadar… Deu de ombros. — Mas tô adorando estar aqui. Ele sorriu. Observando cada detalhe dela. O tempo passava devagar. Gostoso. Até que… Ela se virou na espreguiçadeira. — Você pode passar protetor nas minhas costas? Ele travou por um segundo. Mas disfarçou. — Claro… Ela se deitou de bruços. E ele se aproximou Com cuidado… Começou a espalhar o protetor na pele dela. Devagar Os dedos dele deslizando pelas costas dela. A pele quente pelo sol. Macia. E ele pensava… Ela é linda demais… O coração dele acelerou. Mesmo sem demonstrar. Camila fechou os olhos por um instante. Sentindo o toque. Leve. Respeitoso. Mas… Intenso. Até que… Ela virou o rosto. E olhou pra ele. Os olhos se encontraram. De novo. Como naquela primeira vez. Silêncio. O mundo pareceu parar. Ele sorriu. De leve. E então… Sem pressa… Sem força… Ela se inclinou. E o beijou. Um beijo calmo. Suave. Cheio de cuidado. Como se estivesse testando. Sentindo. E ele… Correspondeu. Do mesmo jeito. Lento. Carinhoso. Como se tivesse esperado por aquilo… Desde o primeiro olhar. Nada de pressa. Nada de urgência. Só… sentimento. O tempo… parou. Camila ainda estava perto dele. Muito perto. O coração acelerado. A respiração leve… descompassada. Ela desviou o olhar primeiro. Sem saber exatamente o que fazer. — Eu… — começou, mas parou. Alonso continuava olhando pra ela. Intenso. Mas calmo. — Tá tudo bem — ele disse, com a voz baixa. Ela respirou fundo. Passou a mão no cabelo, meio nervosa. — Eu não sei por que eu fiz isso… Mas sabia. No fundo… sabia. Ele deu um leve sorriso. — Eu sei. Ela olhou pra ele de novo. E dessa vez… Não desviou. — Você sabe? — Sei. Pausa. — Porque eu também queria. Silêncio. Mas agora… Um silêncio diferente. Mais quente. Mais vivo. Ela sentou na espreguiçadeira. Ainda tentando organizar os próprios sentimentos. — Isso é novo pra mim… Ele inclinou levemente a cabeça. — Novo? — Eu nunca… ela hesitou, meio envergonhada — nunca me senti assim com alguém. Aquilo atingiu ele. Direto. — Nem com ele? Ela negou devagar. — Com o Vitor… era diferente. Pausa. — Eu amava ele… mas… Procurou as palavras. — Não era leve assim. Silêncio. Alonso absorveu cada palavra. — Com você… — ela continuou — eu me sinto… segura. Os olhos dele suavizaram. — Como se nada de r**m pudesse acontecer. Pausa. — E isso me assusta um pouco. Ele se aproximou um pouco mais. Sem invadir. — Por quê? Ela riu fraco. — Porque tudo que parece bom demais… sempre acaba me machucando. Silêncio. Alonso olhou diretamente nos olhos dela. — Eu não sou ele. A voz saiu firme. Baixa. Mas cheia de verdade. Ela sustentou o olhar — Eu sei… E sabia mesmo. Porque, pela primeira vez… Ela não estava tentando convencer a si mesma. Ela sentia. O vento passou leve. Movendo os cabelos dela. Ele levantou a mão… E, com cuidado… Afastou uma mecha do rosto dela. O toque foi suave. Quase nada. Mas suficiente pra fazer o coração dela disparar de novo. — A gente pode ir devagar — ele disse. Ela assentiu. — Eu quero isso… Pausa. — Com você. Um sorriso pequeno surgiu no rosto dele. Raro. Verdadeiro. — Então a gente vai do seu tempo. Silêncio. Mas agora… Confortável. Ela encostou de leve a cabeça no ombro dele. Sem medo. E ele ficou ali. Sem se mover. Como se aquele momento… Fosse precioso demais pra quebrar. E, pela primeira vez… Depois de tudo… Camila não pensava no passado. Só no agora. E no homem ao lado dela. Que, sem ela perceber… Já estava disposto a fazer qualquer coisa… Pra nunca perder aquilo.
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