Alguns dias depois…
Camila finalmente tirou o gesso.
O braço ainda sensível.
Mas livre.
E ela estava feliz.
Leve.
Naquela tarde…
Ela parou em frente ao quarto dele.
Respirou fundo.
E bateu na porta.
— Alonso?
Do outro lado…
Ele estava em pé.
Tinha acabado de sair do banho.
Testando o próprio corpo.
A evolução silenciosa que ninguém podia ver.
— Espera!
A voz dele saiu rápida.
Em segundos…
Ele voltou para a cadeira.
Se deitou na cama.
— Pode entrar.
A porta se abriu.
Ela entrou sorrindo.
— Oi…
Ele virou o rosto pra ela.
E sorriu na mesma hora.
— Minha linda… você tá bem?
Ela assentiu.
— Tô sim… e você?
— Tô bem…
Pausa.
Ele deu um leve tapinha ao lado dele na cama.
— Vem… deita aqui comigo. Vamos ver um filme.
Ela hesitou por um segundo.
Mas sorriu.
— Tá bom…
Ela se aproximou.
E se deitou ao lado dele.
Dividindo a coberta.
O corpo próximo.
Quente.
Ele colocou o filme.
Mas…
Nenhum dos dois estava prestando atenção.
O silêncio era confortável.
Até que ele virou o rosto.
Ela já estava olhando.
Os olhos se encontraram.
E ele se inclinou.
O beijo veio natural.
Lento.
Como se já fosse rotina.
Ela correspondeu.
Sem hesitar.
Os lábios se tocando com mais segurança agora.
Mais vontade.
Ele afastou por um segundo.
— Era pra gente estar vendo o filme…
Ela riu baixinho.
— Era…
Mas não se afastou.
Ele voltou a beijar.
Mais uma vez.
E outra.
E outra.
Intercalando com pequenos olhares.
Sorrisos.
Respirações próximas.
A mão dele encontrou a dela.
Entrelaçando os dedos.
O filme continuava…
Esquecido.
E o mundo lá fora…
Também.
Porque ali…
Naquele quarto…
eles só queriam uma coisa.
Ficar.
Mais um pouco.
Um com o outro.
Os dias passaram…
E, sem perceber…
eles criaram um hábito.
Toda noite…
Sem falhar.
Era o momento deles.
A televisão ficava ligada.
Sempre um filme qualquer.
Mas nunca era sobre o filme.
Era sobre eles.
Camila chegava devagar…
batia na porta.
E ele…
sempre já estava esperando.
— Pode entrar…
Ela entrava com aquele sorriso leve.
Que agora era constante.
E se deitava ao lado dele.
Dividindo a coberta.
Dividindo o silêncio.
Dividindo o espaço…
Como se sempre tivesse sido assim.
No começo…
eles até tentavam assistir.
Comentavam alguma cena.
Riam.
Mas não demorava muito…
Os olhares se encontravam.
E pronto.
O filme deixava de existir.
Ele se aproximava primeiro.
Às vezes.
Outras vezes…
era ela.
Mas sempre acontecia.
Beijos.
Lentos.
Carinhosos.
Sem pressa.
Como se o tempo ali…
não tivesse importância.
A mão dele encontrava o rosto dela.
A dela repousava no peito dele.
E ficavam assim.
Entre um beijo e outro…
pequenos sorrisos.
Respirações próximas.
Nenhuma palavra necessária.
Porque tudo já estava sendo dito.
Com o toque.
Com o cuidado.
Com o jeito que ele sempre a puxava mais pra perto.
E o jeito que ela nunca mais se afastava.
Às vezes…
ela adormecia ali mesmo.
Encostada nele.
E ele ficava parado.
Sem se mexer.
Só pra não acordar ela.
Porque aquele momento…
era tudo pra ele.
E noite após noite…
sem perceber…
aquilo deixou de ser só um costume.
Virou necessidade.
Virou sentimento.
Virou amor.
Mesmo que ainda não tivesse sido dito em voz alta.
Os dois já sabiam.
No silêncio.
Um do outro.