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832 Words
O silêncio depois dela falar aquilo não era paz. Era tensão. Daquelas que não relaxam… só esperam o próximo estalo. Penélope estava deitada no meio de nós como se tivesse vencido mais uma guerra que nem precisava existir. O dedo dela desenhava coisas aleatórias na minha mão enquanto ela fingia tranquilidade. Fingia. Porque eu conhecia aquele olhar. Ela não estava calma. Ela estava observando. — Você ficou três meses sumida — eu falei baixo, sem tirar os olhos dela. Ela nem piscou. — Eu precisava pensar. Dante soltou um riso curto. — Pensar? Você simplesmente desapareceu. Ela virou o rosto devagar pra ele. — E vocês ficaram quietinhos, não ficaram? Alan bufou. — Quietinhos? A gente quase virou a cidade de cabeça pra baixo te procurando. Liam apertou a mão dela de leve, mas firme. — A gente achou que tinha acontecido alguma coisa. Ela suspirou, como se aquilo fosse exagero nosso. — Não aconteceu nada. Silêncio. Eu me inclinei um pouco. — Mentira. Os olhos verdes dela vieram direto pros meus. Aquele tipo de olhar que não recua. — Você tá me chamando de mentirosa, Tyler? Meu nome na boca dela sempre vinha com veneno doce. Eu não desviei. — Tô. Dante se mexeu, já ficando mais alerta. — Fala a verdade, Penélope. Ela sentou devagar no meio de nós, puxando a camisola no corpo como se estivesse se reorganizando por dentro também. — A verdade? — ela riu sem humor. — A verdade é que eu não gostei do que vi. Alan franziu a testa. — Do que você viu? Ela olhou um por um. Um por um. Como se estivesse escolhendo onde machucar primeiro. — Vocês… sorrindo. Silêncio pesado. Liam soltou o ar devagar. — Isso é o motivo? — Não — ela respondeu rápido demais. — Não só isso. Eu já sabia. Sempre havia mais. Ela desviou o olhar por um segundo. — Eu vi vocês seguindo suas vidas como se… como se eu fosse só uma parte conveniente. Dante ficou sério na hora. — Conveniente? Ela deu de ombros. — Eu vi vocês funcionando sem mim. Alan passou a mão no rosto, irritado. — A gente não “funciona sem você”, Penélope. A gente só não fica destruindo tudo quando você some. Ela riu de leve. — Ah, então eu sou o caos agora? Eu encarei ela. — Você sempre foi. Silêncio. Ela engoliu seco. Só um segundo. Mas eu vi. — Então pronto — ela falou, levantando da cama de repente. — Agora vocês têm seu caos de volta. Liam levantou também. — Não é assim. Ela já estava andando pelo quarto. — É assim sim. Dante veio atrás, a voz mais baixa, perigosa: — Você acha que a gente quer isso? Essa guerra toda? Ela parou. Virou devagar. — Querem. Eu levantei também agora. — Não. Ela riu, mas não tinha alegria. — Vocês me perseguem, me provocam, me querem por perto o tempo todo… mas quando eu sumo vocês ficam irritados porque perdem o controle. Alan deu um passo. — A gente fica irritado porque você some sem explicação. Ela inclinou a cabeça. — E se eu explicasse, mudava alguma coisa? Silêncio. Porque não mudava. E isso doía mais do que qualquer resposta. Liam foi o primeiro a admitir em voz baixa: — Não. Ela respirou fundo, passando a mão no cabelo. — Então pronto. Mas dessa vez eu segurei o pulso dela. Firme. Sem machucar. Mas sem deixar escapar. — Não termina assim. Ela olhou pra minha mão no pulso dela. Depois pra mim. — Tyler… — Não. — eu cortei. — Você não some por três meses, volta mandando “vem”, beija a gente, bagunça tudo… e depois tenta fingir que é simples. Dante se aproximou atrás dela. Alan do lado. Liam na frente. Ela olhou ao redor. Preso. Mas ainda assim… sorrindo de canto. — Vocês são impossíveis. Eu cheguei mais perto. — E você nos fez assim. Silêncio. O ar ficou mais pesado. Mais real. Ela baixou o olhar por um segundo. E quando falou, a voz saiu mais baixa: — E se eu disser que não sei ser diferente? Dante respondeu na hora: — Então a gente aprende com você. Alan soltou um riso curto. — Ou enlouquece junto. Liam encostou a testa dela de leve com a dele. — Já estamos no meio disso. Eu soltei o pulso dela… e segurei o rosto. Fazendo ela olhar pra mim. — Mas não some de novo. Ela não respondeu de imediato. Só ficou me encarando. E pela primeira vez naquela noite… não tinha provocação. Só ela. E o caos dela respirando junto com o nosso. — Eu não prometo — ela disse baixo. Dante fechou o maxilar. — Penélope… Ela levantou a mão, interrompendo. — Mas eu tô aqui agora. Silêncio. E, por mais que isso não resolvesse nada… Era exatamente por isso que a gente sempre voltava. Porque com ela… nunca era paz. Era vício.
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