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A dona do nosso caos
Mais uma noite… e lá estávamos nós, rendidos a ela de novo.
Duas horas da manhã.
O celular vibrou na mesa de vidro como se tivesse vida própria. Um único aviso, curto, frio… e suficiente para bagunçar qualquer resquício de controle que ainda fingíamos ter.
“vem”
Só isso.
Nada de explicação. Nada de contexto. Só a ordem dela.
E o pior… era exatamente assim que ela sabia nos desmontar.
— Ela tá brincando com a nossa cara… — Alan passou a mão no cabelo loiro, andando de um lado pro outro na sala escura.
Eu, Tyler, não respondi de imediato. Só encarei a tela. Porque eu conhecia aquele “vem”. Não era convite. Não era pedido.
Era provocação.
E a gente sempre ia.
Dante soltou uma risada baixa, sem humor nenhum, encostado na parede.
— Três meses sumida… e agora acha que manda assim?
Liam não falou nada de início. Só respirou fundo, os olhos escuros fixos no celular como se pudesse atravessar a mensagem e puxar ela pra nossa frente.
— Ela sabe o efeito que isso causa — ele disse por fim, calmo demais pra quem estava claramente no limite.
Eu sorri de lado.
— Claro que sabe. A Penélope não faz nada sem saber.
E esse era o problema.
Penélope, 25 anos… ruiva, olhos verdes que pareciam sempre julgar a gente mesmo quando não estava presente, corpo marcado como se cada tatuagem fosse uma provocação pessoal contra a nossa sanidade.
Nossa musa.
Nosso caos.
Nosso erro preferido.
Três meses.
Três meses sem olhar na nossa cara direito, sem resposta completa, sumindo como se pudesse simplesmente apagar tudo o que a gente era pra ela.
E ainda assim… ela sabia que bastava uma palavra pra gente voltar correndo.
— Ela surtou de ciúmes de novo — Dante falou, cruzando os braços. — Aposto que inventou alguma coisa na cabeça dela.
— Ela sempre inventa — Alan respondeu.
— E sempre acredita — completei.
Liam finalmente olhou pra mim.
— E sempre volta.
Silêncio.
Porque essa era a parte que ninguém queria admitir em voz alta.
A gente podia ser o que fosse lá fora.
Eu, Tyler, o primeiro que entrou na vida dela… irritantemente bonito, como ela fazia questão de dizer com aquele sorriso debochado.
Alan, o francês arrogante que fingia não se abalar, mas que ficava completamente fora de si quando ela sumia.
Dante, o “bandido” como ela chamava, o cara que assustava qualquer um… menos ela.
E Liam, o mais silencioso, o mais perigoso quando perdia o controle — e ela era a única que conseguia fazer isso acontecer.
Quatro homens.
Uma mulher.
E nenhum de nós tinha controle de nada quando se tratava dela.
— Vamos ou não? — Alan perguntou, já pegando a chave do carro.
Eu levantei o olhar.
— Ela mandou.
Dante soltou um “tch” irritado, mas já estava indo também.
— Isso não é resposta.
— É sim — Liam disse, simples.
E foi aí que a decisão morreu antes mesmo de nascer.
Porque no fundo… a gente já tinha escolhido no momento em que a mensagem apareceu.
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O caminho até lá foi silêncio.
Um silêncio pesado, cheio de coisa não dita. Ciúme, raiva, saudade, orgulho ferido… tudo misturado.
Cada um de nós tentando fingir que não estava ansioso.
Mentira.
Quando o carro parou, a casa dela estava parcialmente iluminada.
E aquilo só piorou tudo.
Porque ela estava ali.
A gente sentia.
— Três meses… — Dante murmurou, olhando pra porta.
— E ela manda “vem” como se nada tivesse acontecido — Alan completou.
Eu saí do carro primeiro.
— Ela sabe que a gente vem.
Liam veio logo atrás.
— Sempre soube.
A gente ficou parado por um segundo na frente da porta.
Como se entrar fosse simples.
Mas nunca era.
Porque Penélope não era simples.
E a nossa relação com ela… muito menos.
Toquei a maçaneta.
— Última chance de voltar — Dante falou.
Eu olhei por cima do ombro.
— A gente nunca teve isso.
E entrei.
E lá estava ela… como sempre… como se tivesse esperado exatamente aquele momento pra nos destruir de novo.
Ela estava lá.
Camisola branca de renda, leve demais pra segurar qualquer tipo de sanidade nossa. Os fios ruivos caíam soltos pelos ombros, molhados de um jeito que sugeria banho recente… ou provocação planejada. Na mão, uma taça de vinho meio cheia. Ou meio vazia. Difícil dizer com ela.
E aquele sorriso.
Sempre aquele sorriso.
— Demoraram — ela disse, como se estivéssemos atrasados pra ela… e não o contrário.
Silêncio por um segundo.
A gente ficou só olhando.
Como se o cérebro precisasse de um tempo pra lembrar como funcionava respirar.
Tyler foi o primeiro a quebrar.
— Só isso que você tem a dizer?
Ela girou a taça devagar, o olhar verde passando por cada um de nós com calma irritante.
— Não. — ela sorriu. — Eu já tomei duas garrafas de vinho, estou usando o perfume favorito de vocês… então eu acho que briga agora não vale a pena, né?
A voz dela era doce.
Mas o olhar… era guerra.
Porra.
Eu não aguentei.
Fui direto até ela, puxando-a pela cintura e beijando como se isso fosse a única coisa capaz de impedir meu cérebro de explodir.
Ela sorriu contra meus lábios.
— Oi, meu moreno irritantemente lindo…
Isso foi o fim.
Beijei de novo.
Mais fundo.
Mais urgente.
Como se três meses não existissem.
Dante se aproximou logo atrás. Silencioso. Perigoso. Com aquela expressão que fazia qualquer homem repensar a própria existência.
Ela nem hesitou.
Levantou as duas mãos.
— Eu me rendo, meu bandido gostoso… pode me prender.
E isso foi o bastante.
Dante a puxou pela nuca e beijou com força, sem paciência, sem controle… do jeito dele. Do jeito que sempre dava errado com ela.
Alan soltou uma risada curta.
— Isso é injusto.
Ela se virou, ainda rindo, e abriu os braços como se estivesse recebendo um público.
— Ah, meu francês encantador…
Ele nem esperou.
A puxou pra si e a beijou também, mais lento, mais calculado… mas completamente perdido nela.
E então sobrou Liam.
Ele ficou parado por meio segundo a mais.
Cara fechada. Mandíbula travada. Aquela raiva silenciosa que ele sempre fingia controlar.
— Você some… e volta assim? — ele falou baixo.
Ela caminhou até ele devagar.
Sem pressa.
Sem medo.
E encostou um dedo nos lábios dele.
— Shhh…
Ele congelou.
— Eu voltei, meu coreano lindo.
E o beijou.
Simples assim.
Como se não tivesse deixado quatro homens em colapso por três meses.
Quando ela se afastou, pegou a taça da mão dele como se agora fosse dona de tudo mesmo, virou de costas e caminhou até o corredor.
— Vem. Me sigam.
E ela foi.
Como se a gente não tivesse escolha.
Como se a gente não fosse completamente destruído por ela toda vez.
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Mais tarde.
O caos tinha virado silêncio.
Um silêncio quente, cheio de respiração lenta, corpos próximos, e aquela sensação estranha de que nada no mundo fazia sentido… exceto ela.
Ela estava deitada no meio de nós como se sempre tivesse pertencido ali.
Eu fazia carinho no cabelo dela.
Dante tinha a mão na cintura dela.
Alan estava encostado, brincando com os dedos dela.
Liam observava tudo em silêncio, mas com a mão dela presa na dele como se tivesse medo de soltar.
E então veio.
— p***a… — Alan falou baixo. — Por que você faz isso com a gente, em?
Ela nem abriu os olhos.
Só respondeu calma demais:
— Vocês mereceram.
Dante levantou o olhar.
— A gente fez o quê exatamente?
Ela abriu um olho.
— Tavam de papo com aquelas esquisitas lá.
Silêncio.
Eu ri sem humor.
— Penélope… a gente só conversava.
Ela finalmente sentou, encarando os quatro um por um.
— Só conversavam nada mais?
Liam suspirou.
— Não começa.
Ela apontou pra ele.
— f**a-se. Vocês são meus.
Isso fez o ar mudar.
Não era brincadeira.
Não era carinho.
Era posse.
Do jeito dela.
Do jeito nosso também.
Ela continuou, mais baixa agora:
— Vocês são tão surtados quanto eu… então não reclamem de mim.
Silêncio de novo.
Dante soltou um sorriso de lado.
— Ela não tá errada.
Alan riu.
— Nunca tá.
Liam puxou ela de volta pra deitar no meio de nós.
E eu só encarei o teto.
Porque a verdade era simples.
Caos.
Ciúme.
Guerra.
Desejo.
Controle nenhum.
E ainda assim…
A gente sempre voltava pra ela.