Capítulo 15

813 Words
Dante Eu estava me tornando um homem previsível. O que era irritante. Porque eu sempre odiei rotina. Sempre odiei repetir comportamentos. Mas nos últimos dias eu vinha fazendo exatamente a mesma coisa. Acordava. Pensava em Larissa. Trabalhava. Pensava em Larissa. Almoçava. Pensava em Larissa. Dormia. Sonhava com Larissa. Era ridículo. Completamente ridículo. E mesmo assim eu não queria mudar nada. Meu celular vibrou. Um sorriso apareceu automaticamente. Matteo, sentado na poltrona do meu escritório, começou a rir. — Ela mandou mensagem? — Não. — Mentira. — Vai embora. — Você está apaixonado. Ignorei. Porque responder seria admitir que ele estava certo. E eu ainda não estava pronto para isso. Ou talvez estivesse. Porque a verdade era simples. Eu não conseguia imaginar um único dia sem ela. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa Meu dia estava estranho. Não r**m. Estranho. Porque eu continuava sorrindo sem motivo. E isso estava começando a chamar atenção. — Ele mandou mensagem? Clara perguntou. Pela quinta vez. — Não. — Mentira. — Por que todo mundo acha que eu minto? — Porque você está sorrindo. Bufei. Mas não consegui esconder. Porque ela estava certa. Eu estava sorrindo. E o motivo era óbvio. Dante. Sempre Dante. Meu celular vibrou. E meu coração disparou. — Ah, meu Deus — Clara comemorou. — Você é dramática. — Atenda. Revirei os olhos. Mas peguei o aparelho. Dante: Está ocupada hoje à noite? Meu coração acelerou. Eu: Depende. Dante: De quê? Eu: Do motivo. A resposta veio imediatamente. Dante: Porque quero passar mais tempo com você. Fechei os olhos. Respirei fundo. E sorri. Outra vez. Naquela noite... Dante me buscou em casa. E pela primeira vez não senti nervosismo. Ou pelo menos não tanto. Quando entrei no carro, ele sorriu. Aquele sorriso. O sorriso que estava se tornando meu ponto fraco. — O que foi? Perguntei. — Nada. — Mentira. — Você está linda. Meu coração tropeçou. Porque ele dizia aquelas coisas com tanta naturalidade. Como se fossem fatos. Como se não estivesse tentando me convencer. Como se realmente acreditasse. E talvez acreditasse. Aquilo ainda era difícil de compreender. — Obrigada. A voz saiu mais baixa. Mais tímida. Os olhos dele suavizaram. E por um segundo eu tive a sensação de que ele queria dizer mais alguma coisa. Mas não disse. O jantar daquela noite foi diferente. Mais leve. Mais confortável. Como se já tivéssemos superado a fase de tentar impressionar um ao outro. Estávamos apenas... Juntos. Conversando. Rindo. Compartilhando pedaços da nossa vida. — Como era você quando criança? Perguntei. Dante apoiou o queixo na mão. Pensativo. — Quieto. Comecei a rir. — Não acredito. — É verdade. — Você nasceu mandando nas pessoas. — Isso também é verdade. A gargalhada escapou antes que eu pudesse impedir. E o sorriso que surgiu no rosto dele fez meu coração aquecer. Porque ele me observava como se ouvir minha risada fosse sua coisa favorita no mundo. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dante Ela estava feliz. E eu estava completamente perdido. Porque bastava vê-la sorrir para que todo o resto deixasse de importar. Eu já tinha conhecido mulheres bonitas. Muitas. Mas nenhuma delas fazia meu peito apertar daquela forma. Nenhuma delas me fazia querer desacelerar. Nenhuma delas me fazia imaginar coisas que eu nunca imaginei antes. Como chegar em casa e encontrá-la lá. Como dividir um sofá. Uma rotina. Uma vida. Aquilo deveria me assustar. Mas não assustava. Pelo contrário. Parecia exatamente o que eu queria. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa Depois do jantar caminhamos pela praça próxima ao restaurante. O vento estava fresco. A noite tranquila. E, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti em paz. Dante segurava minha mão. Naturalmente. Como se aquele lugar sempre tivesse sido dela. Como se aquilo fosse normal. Talvez estivesse começando a ser. — Posso te perguntar uma coisa? Ele disse. Olhei para ele. — Claro. Por alguns segundos, Dante permaneceu em silêncio. Como se estivesse escolhendo as palavras. O que imediatamente me deixou curiosa. Porque Dante raramente hesitava. — O que você vê quando pensa no futuro? Meu coração acelerou. A pergunta era simples. Mas não parecia simples. Não vindo dele. — Não sei. Sorri. — Um apartamento cheio de livros. Um trabalho que eu ame. Talvez alguns gatos. Ele começou a rir. — Gatos? — Muitos gatos. — Quantos? — Uns cinco. — Isso parece um problema. — Você não gosta de gatos? — Eu gosto de você. Minha respiração falhou. Completamente. Porque aquela resposta não tinha sido planejada. Eu podia perceber. Tinha simplesmente escapado. E, pelo olhar dele... Dante percebeu também. O silêncio que se seguiu foi diferente. Mais intenso. Mais íntimo. Meu coração batia tão rápido que chegava a doer. Porque, pela primeira vez... Eu tive a sensação de que estávamos falando sobre algo muito maior do que encontros. Muito maior do que atração. Muito maior do que um beijo roubado. Estávamos começando a imaginar um futuro. E isso era tão assustador quanto maravilhoso.
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