Larissa
Eu sorri o caminho inteiro até o apartamento.
O que era ridículo.
Completamente ridículo.
Porque eu tinha vinte e cinco anos.
Não quinze.
E mesmo assim parecia uma adolescente voltando para casa depois do primeiro encontro.
Assim que entrei no apartamento, encostei a porta atrás de mim e fechei os olhos.
Suspirei.
Tentando organizar os pensamentos.
Sem sucesso.
Porque tudo o que conseguia lembrar era de Dante.
Da forma como ele tinha segurado minha mão.
Da forma como me ouviu quando falei sobre meu ex.
Da forma como olhou para mim.
Como se eu fosse bonita.
Como se eu fosse importante.
Como se eu fosse exatamente quem ele procurava.
Meu coração apertou.
Porque fazia muito tempo que ninguém me fazia sentir daquela forma.
Muito tempo.
Meu celular vibrou.
Sorri antes mesmo de olhar.
Ridículo.
Completamente ridículo.
Mas verdadeiro.
Peguei o aparelho.
Dante: Já está sorrindo sozinha?
Parei.
Olhei para a tela.
Depois para a tela novamente.
— Impossível.
Digitei rapidamente.
Eu: Você colocou câmeras no meu apartamento?
A resposta chegou quase instantaneamente.
Dante: Ainda não.
Minha boca caiu aberta.
Eu: DANTE!
Dante: Estou brincando.
Eu: Você é impossível.
Dante: E você gosta de mim mesmo assim.
Meu coração tropeçou.
Porque ele estava começando a ter confiança demais.
E o pior?
Talvez tivesse motivos.
Na manhã seguinte acordei antes do despertador.
Algo que nunca acontecia.
Fiquei alguns segundos encarando o teto.
E a primeira coisa que veio à minha mente foi Dante.
O sorriso dele.
A voz dele.
Os olhos dele.
Gemendo baixinho, escondi o rosto no travesseiro.
— Meu Deus.
Eu realmente tinha problemas.
Problemas grandes.
Porque estava pensando nele antes mesmo de escovar os dentes.
Meu celular vibrou.
E eu praticamente o agarrei da mesa de cabeceira.
Dante: Bom dia.
Um sorriso surgiu imediatamente.
Eu: Está me espionando?
Dante: Não.
Eu: Então como sabia que eu estava acordada?
A resposta demorou apenas alguns segundos.
Dante: Porque eu também estou pensando em você.
Fechei os olhos.
Porque aquilo estava ficando perigoso.
Perigosamente perigoso.
E o pior?
Eu adorava.
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Dante
Eu estava me tornando um homem patético.
Pelo menos era o que Matteo dizia.
E infelizmente ele tinha razão.
Porque eu estava sentado no escritório.
Com uma reunião importante começando em dez minutos.
E pensando em Larissa.
Outra vez.
Meu olhar caiu sobre o celular.
Verificando as mensagens.
Novamente.
— Você mandou mensagem para ela?
Levantei os olhos.
Matteo entrou sem bater.
Como sempre.
— Não.
— Mentira.
— Talvez.
Ele começou a rir.
— Você está completamente perdido.
Ignorei.
Mas a verdade era que meu irmão estava certo.
Eu estava perdido.
Porque fazia anos que ninguém ocupava tanto espaço nos meus pensamentos.
Anos.
— Você está sorrindo sozinho.
— Não estou.
— Está sim.
Revirei os olhos.
— Vá trabalhar.
— Você também deveria.
Bufei.
Porque aquela era uma observação extremamente justa.
E extremamente irritante.
Quando Matteo saiu, olhei novamente para o celular.
Para a conversa com Larissa.
E percebi algo que deveria me assustar.
Eu estava começando a sentir falta dela.
Mesmo depois de vê-la poucas horas antes.
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Larissa
A manhã na livraria passou lentamente.
Ou talvez apenas parecesse lenta.
Porque eu continuava olhando para o celular.
Esperando mensagens.
Esperando Dante.
Esperando qualquer coisa.
E isso era um péssimo sinal.
— Você está apaixonada.
Levantei a cabeça.
Clara estava me observando novamente.
— Vocês precisam parar com isso.
— Com o quê?
— Com perceber tudo.
Ela começou a rir.
— Você está sorrindo para os livros.
Olhei para a prateleira.
Droga.
Eu realmente estava.
— Isso é preocupante.
— Isso é amor.
— Ainda não.
— Ainda.
Meu coração acelerou.
Porque aquela palavra ficou ecoando na minha cabeça.
Ainda.
Pouco depois do almoço, a porta da livraria se abriu.
E algo dentro de mim soube.
Simplesmente soube.
Levantei os olhos.
E encontrei Dante.
Outra vez.
Meu coração disparou.
Outra vez.
Ele estava usando uma camisa escura com as mangas dobradas até os antebraços.
Sem gravata.
Sem paletó.
Mais casual.
Mais humano.
E, de alguma forma...
Ainda mais bonito.
— Você não trabalha?
Perguntei assim que ele se aproximou.
O sorriso dele apareceu imediatamente.
— Trabalho.
— Então por que está aqui?
— Porque senti sua falta.
Meu coração perdeu completamente o ritmo.
Por um segundo, achei que tinha ouvido errado.
Porque ninguém dizia aquilo.
Não tão cedo.
Não daquele jeito.
Não com tanta honestidade.
— Nós nos vimos ontem.
A voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
— Eu sei.
— Faz menos de vinte e quatro horas.
— Eu sei.
— Então isso não faz sentido.
Um sorriso pequeno surgiu nos lábios dele.
Mas não era o sorriso arrogante que eu já conhecia.
Era diferente.
Mais suave.
Mais sincero.
— Não estou acostumado com isso.
Franzi a testa.
— Com o quê?
— Com sentir falta de alguém.
Meu coração apertou.
Porque ele parecia genuinamente confuso.
Como se aquela sensação fosse tão nova para ele quanto para mim.
— Dante...
— Estou falando sério.
Os olhos dele encontraram os meus.
Intensos.
Firmes.
Sinceros.
— Normalmente eu gosto de ficar sozinho.
Gosto da minha rotina.
Do meu trabalho.
Do silêncio.
Mas agora...
Ele interrompeu a própria frase.
Como se estivesse escolhendo as palavras.
— Agora?
Perguntei suavemente.
O sorriso dele desapareceu.
— Agora eu me pego pensando em você o tempo inteiro.
Minha respiração falhou.
Outra vez.
— Isso não é normal.
— Concordo.
— Então estamos com um problema.
— Discordo.
Não consegui evitar a risada.
— Claro que discorda.
— Porque não vejo você como um problema.
Meu coração simplesmente derreteu.
Porque ele não estava tentando impressionar.
Estava apenas sendo honesto.
E talvez fosse exatamente isso que tornava tudo tão perigoso.
Por alguns segundos ficamos apenas nos olhando.
Esquecendo completamente da livraria.
Dos clientes.
Das pessoas ao redor.
Como se estivéssemos sozinhos.
Como se o mundo tivesse diminuído o volume apenas para nós.
E foi naquele instante que percebi algo assustador.
Eu não estava apenas gostando de Dante.
Não estava apenas interessada.
Não estava apenas curiosa.
Eu estava começando a sentir falta dele também.
E talvez aquela fosse a coisa mais perigosa que tinha acontecido até agora.
Porque significava que meu coração já estava envolvido.
Muito mais do que eu queria admitir.
Muito mais do que eu estava preparada para enfrentar.
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