Larissa
Eu não sabia quanto tempo ficamos ali.
Parados no meio da calçada.
Minhas lágrimas já tinham secado.
Mas o aperto dentro do peito continuava.
Só que diferente.
Mais leve.
Como se eu tivesse carregado um peso enorme por anos e finalmente tivesse permitido que alguém dividisse uma parte dele.
Dante continuava segurando minha mão.
Sem pressa.
Sem tentar me apressar.
Sem exigir nada.
E aquilo significava mais do que ele imaginava.
Muito mais.
— Você está pensando demais de novo.
A voz dele era baixa.
Suave.
Sorri.
— Você fala isso toda hora.
— Porque é verdade.
Bufei.
Mas não consegui discordar.
Porque ele estava certo.
Outra vez.
— É estranho.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— O quê?
Olhei para nossas mãos.
Ainda entrelaçadas.
E senti meu coração acelerar.
— Falar sobre isso.
— Sobre seu ex?
Assenti.
— Eu normalmente não conto essas coisas para ninguém.
Os olhos dele suavizaram.
— Obrigado por confiar em mim.
Meu coração apertou.
Porque aquelas palavras eram simples.
Mas sinceras.
E eu estava começando a descobrir que Dante tinha um talento perigoso para a sinceridade.
Continuamos caminhando.
Devagar.
Sem destino.
A cidade parecia mais silenciosa naquele horário.
Mais calma.
Como se o mundo tivesse diminuído o ritmo apenas para nós.
— Posso te fazer uma pergunta?
Olhei para ele.
— Depende.
— Você sempre responde perguntas com perguntas?
— Sim.
— Isso é irritante.
Sorri.
— Eu sei.
Ele balançou a cabeça.
Divertido.
— O que você viu em mim?
Parei de andar.
Porque definitivamente não esperava aquela pergunta.
— O quê?
— No casamento.
— Dante...
— Estou falando sério.
Os olhos dele permaneceram nos meus.
Firmes.
Atentos.
Como se realmente quisesse saber.
Respirei fundo.
— Eu não sei.
Um sorriso apareceu.
— Mentira.
— Não é mentira.
— Então me explique.
Revirei os olhos.
Homem insistente.
Completamente insistente.
Mas a verdade era que eu sabia.
Ou pelo menos parte dela.
— Você parecia sozinho.
A resposta saiu antes que eu pudesse impedir.
O sorriso desapareceu.
— Sozinho?
Assenti.
— Todo mundo estava conversando.
Dançando.
Se divertindo.
E você estava apenas observando.
Como se não pertencesse àquele lugar.
O olhar dele ficou estranho.
Mais profundo.
Mais pensativo.
— Então você me beijou porque ficou com pena de mim?
Comecei a rir.
— Não.
— Que alívio.
— Eu te beijei porque estava tentando me vingar do meu ex.
— Ah.
— Ah?
— Então fui usado.
A gargalhada escapou antes que eu pudesse impedir.
E o sorriso que surgiu no rosto dele fez meu coração tropeçar.
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Dante
Ela estava rindo.
E eu estava completamente perdido.
Talvez desde o primeiro beijo.
Talvez desde o primeiro olhar.
Talvez desde o instante em que aquela mulher entrou na minha vida e bagunçou tudo.
Mas agora eu tinha certeza.
Porque nada importava mais do que vê-la feliz.
Nada.
Nem contratos.
Nem reuniões.
Nem dinheiro.
Nem negócios.
Meu mundo inteiro parecia girar em torno daquela mulher.
E aquilo deveria me assustar.
Mas não assustava.
Pelo contrário.
Parecia certo.
Estranhamente certo.
— O que foi?
A voz dela interrompeu meus pensamentos.
— Nada.
— Mentira.
Sorri.
— Você fala isso toda hora.
— Porque você mente toda hora.
Ela revirou os olhos.
E Deus.
Eu amava quando ela fazia isso.
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Larissa
Já estávamos próximos ao meu prédio novamente quando Dante parou.
Olhei para ele.
Confusa.
— O que foi?
Por um segundo ele pareceu nervoso.
Realmente nervoso.
E aquilo me surpreendeu.
Porque Dante parecia o tipo de homem que nunca ficava nervoso.
— Posso te perguntar outra coisa?
— Você já perguntou.
— Larissa.
Sorri.
— Pergunte.
Ele respirou fundo.
E então disse:
— Você sairia comigo de novo?
Meu coração parou.
Porque não era um convite arrogante.
Não era uma provocação.
Não era uma ordem.
Era uma pergunta.
Uma pergunta sincera.
Feita por um homem que realmente queria ouvir minha resposta.
— Dante...
— Se você não quiser, tudo bem.
Pisquei.
Uma vez.
Duas.
Três.
Porque aquela talvez fosse a coisa mais vulnerável que eu já tinha ouvido sair da boca dele.
E, pela primeira vez, percebi algo importante.
Ele também estava correndo riscos.
Ele também estava se expondo.
Ele também tinha medo de ouvir um não.
Meu coração se aqueceu.
— Eu quero.
Os olhos dele encontraram os meus.
E o sorriso que surgiu em seu rosto foi tão bonito que tirou meu fôlego.
— É?
Assenti.
— É.
Por alguns segundos ficamos apenas nos encarando.
E eu tive a sensação de que alguma coisa importante tinha acabado de acontecer.
Algo silencioso.
Mas poderoso.
Como se tivéssemos cruzado uma linha invisível.
Como se aquilo deixasse de ser apenas atração.
E começasse a se transformar em algo muito maior.
Algo que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar.
Mas que, mesmo assim...
Nenhum dos dois queria evitar.