Larissa
Eu não dormi.
Tentei.
Juro que tentei.
Mas toda vez que fechava os olhos, voltava para os braços de Dante.
Para o calor dele.
Para a firmeza daquele abraço.
Para a forma como me segurou como se eu fosse algo precioso.
Algo que ele tinha medo de quebrar.
Rolei para um lado da cama.
Depois para o outro.
Depois novamente.
Mas não adiantava.
Porque meu cérebro tinha decidido transformar aquela despedida em um filme.
Repetindo cada segundo.
Cada olhar.
Cada palavra.
Principalmente aquelas últimas.
"Vai embora antes que eu esqueça todas as minhas boas intenções."
Meu coração disparava toda vez que eu lembrava.
Porque eu sabia.
Sabia exatamente o que ele queria dizer.
E a pior parte?
Eu não queria que ele tivesse boas intenções.
Escondi o rosto no travesseiro.
Gemendo de vergonha.
Porque aquilo era ridículo.
Completamente ridículo.
Mas também era verdade.
Pela primeira vez em muito tempo...
Eu queria ser escolhida.
Queria ser desejada.
Queria acreditar que alguém podia olhar para mim daquela forma.
E Dante fazia tudo parecer tão fácil.
Tão natural.
Tão real.
Meu celular vibrou às sete da manhã.
Sorri antes mesmo de olhar.
O que estava se tornando um problema.
Dante: Dormiu bem?
Comecei a rir.
Eu: Não.
A resposta veio quase imediatamente.
Dante: Eu também não.
Meu coração tropeçou.
Eu: Culpa sua.
Dante: Discordo.
Eu: Claro que discorda.
Dante: Culpa daquele abraço.
Fechei os olhos.
Porque meu coração simplesmente não sabia mais como se comportar.
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Dante
Eu estava cansado.
Não fisicamente.
Mentalmente.
Porque tinha passado metade da noite revivendo aquele abraço.
Sentindo novamente o corpo dela contra o meu.
O perfume dela.
O calor dela.
A forma como simplesmente se encaixou nos meus braços.
Como se aquele fosse exatamente o lugar onde deveria estar.
E aquilo era um problema.
Um grande problema.
Porque eu estava ficando sem autocontrole.
— Você parece péssimo.
Levantei os olhos.
Matteo entrou no escritório.
Como sempre.
Sem bater.
— Obrigado.
— Não foi um elogio.
— Eu percebi.
Ele se sentou na cadeira à minha frente.
Observando-me.
— O que aconteceu?
Bufei.
— Nada.
— Mentira.
— Você passa tempo demais com Larissa.
Matteo começou a rir.
— Então aconteceu alguma coisa.
Passei a mão pelo rosto.
Porque não tinha energia para discutir.
— Eu abracei ela.
O silêncio tomou conta da sala.
— Só isso?
Lancei um olhar mortal para ele.
— Vá embora.
— Você está me dizendo que um abraço fez isso tudo?
— Matteo...
— Meu Deus.
O i****a estava se divertindo.
Muito.
— Eu estou apaixonado.
As palavras escaparam antes que eu pudesse impedir.
O sorriso desapareceu imediatamente.
E pela primeira vez...
Meu irmão ficou sem resposta.
O silêncio tomou conta do escritório.
Matteo me observava.
Como se estivesse esperando que eu retirasse aquelas palavras.
Mas eu não retirei.
Porque eram verdade.
Talvez a maior verdade que eu já tivesse dito.
— Desde quando?
Perguntou finalmente.
Passei a mão pela nuca.
Pensando.
— Não sei.
Talvez desde o beijo.
Talvez desde a primeira vez que ela revirou os olhos para mim.
Talvez desde o primeiro sorriso.
Matteo soltou uma risada.
— Você está perdido.
— Eu sei.
— E ela?
Meu coração apertou.
Porque aquela era a única pergunta para a qual eu não tinha resposta.
— Não sei.
E pela primeira vez em muitos anos...
Eu tive medo.
Medo de querer alguém daquela forma.
Medo de precisar de alguém daquela forma.
Medo de não ser correspondido.
Porque perder Larissa já parecia uma possibilidade dolorosa demais.
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Larissa
O dia na livraria passou em câmera lenta.
Ou talvez eu apenas estivesse distraída.
Porque toda vez que a porta abria...
Meu coração disparava.
Esperando vê-lo.
E isso era um péssimo sinal.
Muito péssimo.
— Você está olhando para a porta de novo.
Clara comentou.
— Não estou.
— Está sim.
Bufei.
Mas não consegui negar.
Porque ela estava certa.
Outra vez.
Meu celular vibrou.
Meu coração imediatamente acelerou.
Dante: Que horas você sai?
Sorri.
Eu: Isso foi uma forma elegante de perguntar quando pode me ver?
A resposta veio segundos depois.
Dante: Não.
Eu: Não?
Dante: Foi uma forma desesperada.
Meu coração derreteu.
Completamente.
Quando saí da livraria naquela noite, encontrei Dante esperando do outro lado da rua.
E imediatamente percebi uma coisa.
Ele parecia cansado.
Assim como eu.
Como se também tivesse passado a noite acordado.
Como se também estivesse pensando demais.
Como se também estivesse revivendo aquele abraço.
Meu coração apertou.
Porque aquilo significava que eu não estava sozinha.
Ele atravessou a rua.
Os olhos presos aos meus.
E o mundo pareceu diminuir de tamanho.
Como sempre acontecia quando ele estava por perto.
— Oi.
A voz dele saiu baixa.
Suave.
Meu coração acelerou.
— Oi.
Por alguns segundos apenas nos encaramos.
Sorrindo como dois idiotas.
Sem conseguir esconder.
Sem conseguir evitar.
E então Dante deu mais um passo.
Diminuindo a distância.
Meu coração praticamente parou.
Porque havia algo diferente naquele olhar.
Algo mais intenso.
Mais vulnerável.
Mais honesto.
— Larissa...
— Hum?
O sorriso dele desapareceu.
E pela primeira vez desde que o conheci...
Eu o vi nervoso.
Realmente nervoso.
— Acho que estou começando a ter um problema sério.
Meu coração tropeçou.
— Que problema?
Os olhos dele encontraram os meus.
Profundos.
Sinceros.
Perigosamente sinceros.
— Você.
Minha respiração falhou.
Porque aquela única palavra carregava mais emoção do que qualquer discurso.
Mais verdade.
Mais sentimento.
E naquele instante...
Eu soube que estava completamente perdida.
Porque a verdade era que Dante Moretti também tinha se tornado o meu problema favorito.