Capítulo 18

1114 Words
Larissa Meu problema favorito. Foi exatamente nisso que fiquei pensando durante todo o caminho para casa. No sorriso dele. No abraço dele. Na forma como me olhava. Na maneira como parecia lutar contra si mesmo toda vez que estávamos próximos. Meu coração estava completamente fora de controle. E eu já não tinha certeza se queria recuperá-lo. Naquela noite, dormi melhor. Não porque estivesse menos confusa. Mas porque alguma coisa dentro de mim começava a acreditar. Acreditar nele. Acreditar em nós. E aquilo era assustador. Mas também era maravilhoso. Na manhã seguinte, acordei antes do despertador. Outra vez. O que estava começando a se tornar um hábito preocupante. Peguei o celular. E encontrei uma mensagem enviada poucos minutos antes. Dante: Bom dia. Sorri imediatamente. Eu: Você nunca dorme? A resposta veio quase instantaneamente. Dante: Durmo. Eu: Mentira. Dante: Estou começando a achar que você gosta dessa palavra. Comecei a rir. Sozinha. Na cozinha. Enquanto preparava café. E foi naquele momento que percebi uma coisa. Eu estava feliz. Genuinamente feliz. E fazia muito tempo que não me sentia assim. O restante da manhã passou lentamente. Eu organizava livros. Atendia clientes. Respondia perguntas. Mas minha cabeça estava em outro lugar. Ou melhor... Em outra pessoa. Toda vez que meu celular vibrava, meu coração acelerava. Toda vez que a porta da livraria se abria, eu levantava os olhos. Esperando. Procurando. Sentindo falta dele. E admitir isso para mim mesma foi quase tão assustador quanto libertador. Porque pela primeira vez... Eu não estava apenas gostando de Dante. Eu estava me apaixonando. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dante Eu estava em uma reunião. Ou pelo menos era onde meu corpo estava. Porque minha mente estava em outro lugar. Novamente. — Senhor Moretti? Pisguei. Voltando à realidade. — Sim? O diretor financeiro me encarou. — Acabamos de fazer uma pergunta. Ótimo. Eu definitivamente estava perdendo o controle. — Repita. A reunião continuou. Mas minha atenção não. Porque, pela primeira vez em muitos anos, existia algo mais importante do que trabalho. E o nome dela era Larissa. Passei a mão pelo rosto. Tentando voltar minha atenção para os relatórios. Não funcionou. Porque minha mente insistia em voltar para ela. Para a forma como sorria. Para a forma como me olhava. Para a maneira como sempre tentava esconder o quanto ficava nervosa perto de mim. Era ridículo. Eu tinha construído empresas. Fechado contratos milionários. Tomado decisões importantes todos os dias da minha vida. Mas uma mulher trabalhando em uma livraria tinha conseguido fazer algo que ninguém jamais conseguiu. Ela tinha se tornado indispensável. E aquilo me assustava mais do que eu gostaria de admitir. Porque eu já não conseguia imaginar meus dias sem ela. No final da tarde enviei uma mensagem. Eu: Jante comigo. A resposta demorou poucos segundos. Larissa: Isso não é um convite. Sorri. Eu: Está funcionando? Larissa: Talvez. Eu: Então estarei aí às sete. Meu humor melhorou imediatamente. O que era outro problema. Porque estava ficando perigosamente fácil para ela afetar meu dia. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa Às sete em ponto, Dante chegou. Como sempre. Pontual. Impecável. Perigosamente bonito. Quando entrei no carro, ele me observou por alguns segundos. Em silêncio. Como se estivesse absorvendo minha presença. Como se tivesse sentido minha falta. Outra vez. — O que foi? Perguntei. — Nada. — Mentira. Um sorriso apareceu imediatamente. — Você está me influenciando. Comecei a rir. E o olhar dele suavizou. Como sempre acontecia quando eu ria. O jantar foi tranquilo. Leve. Cheio de provocações e conversas. Mas havia algo diferente naquela noite. Algo mais profundo. Como se ambos soubéssemos que estávamos nos aproximando de um ponto sem volta. Depois do jantar caminhamos pela praça iluminada. O vento era suave. A noite agradável. E pela primeira vez nenhuma palavra parecia necessária. Dante segurava minha mão. Naturalmente. Como se aquele lugar sempre tivesse sido dela. Como se aquilo fosse normal. Talvez estivesse começando a ser. Acabamos sentados em um banco. Lado a lado. Observando as luzes da cidade. Por alguns minutos ninguém falou. Mas não era um silêncio desconfortável. Era tranquilo. Confortável. Como se estivéssemos exatamente onde deveríamos estar. — Posso te confessar uma coisa? Dante perguntou. Meu coração acelerou. — Pode. Ele demorou alguns segundos para responder. Como se estivesse escolhendo cuidadosamente cada palavra. — Você me assusta. Pisquei. — Eu? Um sorriso apareceu. Pequeno. Quase sem humor. — Muito. Comecei a rir. — Eu tenho um metro e sessenta. — Não é esse tipo de medo. Meu coração desacelerou. Porque havia algo sério em sua voz. Muito sério. — Então qual é? Os olhos dele encontraram os meus. Profundos. Sinceros. Perigosamente sinceros. — O tipo de medo que aparece quando alguma coisa se torna importante demais. Minha respiração falhou. Porque eu entendi. Entendi exatamente o que ele estava tentando dizer. E talvez aquela fosse a declaração mais honesta que Dante já tinha feito. — Você ainda quer fugir? Ele perguntou depois de alguns segundos. Olhei para nossas mãos entrelaçadas. Depois para ele. E finalmente respondi. — Menos do que antes. Os olhos dele encontraram os meus. — Menos? Assenti. — Porque você está tornando isso difícil. Um sorriso apareceu em seus lábios. — Ótimo. Revirei os olhos. — Viu? É exatamente isso. — O quê? — Sua confiança irritante. Ele começou a rir. Mas então ficou sério novamente. Muito sério. — Larissa. Meu coração acelerou. — Sim? Dante parou de andar. E quando seus olhos encontraram os meus... Tudo ao redor desapareceu. — Eu não quero te apressar. Minha respiração falhou. — Certo. — Não quero que você faça nada antes de estar pronta. Meu peito apertou. Porque eu sabia o quanto aquelas palavras eram importantes. — Mas também não vou mentir para você. O coração começou a bater mais rápido. Mais forte. Mais alto. — Dante... — Eu gosto de você. A simplicidade da frase me atingiu em cheio. Porque não havia jogos. Nem exageros. Nem promessas impossíveis. Apenas verdade. Pura e simples. — Muito. Os olhos dele não deixavam os meus. — Mais do que eu planejava. Mais do que esperava. Mais do que faz sentido. Meu coração apertou. Forte. Porque não havia exagero. Não havia frases prontas. Apenas sinceridade. E talvez fosse justamente isso que me emocionasse tanto. Porque Dante nunca tentava me convencer. Nunca tentava me impressionar. Ele simplesmente dizia o que sentia. — Você não precisa responder agora. Ele disse suavemente. — Eu sei. — Só queria que soubesse. As lágrimas ameaçaram surgir. Porque fazia muito tempo que alguém escolhia ficar. Muito tempo que alguém me olhava daquela forma. Muito tempo que alguém fazia meu coração acreditar que talvez... Talvez eu também merecesse ser amada. E naquele instante... Pela primeira vez... Eu comecei a acreditar que isso podia ser verdade.
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