Capítulo 19

891 Words
Larissa Eu deveria ter dito alguma coisa. Depois da confissão de Dante. Depois de ouvir que ele gostava de mim. Muito. Mais do que planejava. Mais do que fazia sentido. Eu deveria ter respondido. Mas as palavras ficaram presas na minha garganta. Porque fazia muito tempo que ninguém escolhia ficar. Muito tempo que ninguém me olhava daquela forma. E, honestamente? Eu não sabia o que fazer com aquilo. Na manhã seguinte... Acordei encarando o teto do meu quarto. As palavras dele ainda ecoavam na minha mente. "Eu gosto de você." Simples. Diretas. Sinceras. E talvez fosse justamente isso que tornasse tudo tão assustador. Meu celular vibrou. Sorri antes mesmo de olhar. Ridículo. Completamente ridículo. Dante: Bom dia. Meu coração acelerou. Eu: Você nunca desiste? A resposta veio segundos depois. Dante: Nunca quando a coisa certa vale a pena. Fechei os olhos. Porque aquele homem definitivamente queria acabar comigo. Eu: Você sabe que isso não ajuda, não é? Dante: Estou aprendendo que nunca existe uma resposta certa quando se trata de você. Um sorriso escapou. Porque ele estava começando a me conhecer. E eu estava começando a gostar disso. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dante Ela não tinha respondido. E eu sabia por quê. Larissa tinha medo. Não de mim. Mas do que poderia acontecer se acreditasse. Do que poderia perder. Do que poderia sentir. E eu não a culpava. Porque confiança era construída. E eu pretendia conquistá-la. Um dia de cada vez. Uma escolha de cada vez. Uma prova de cada vez. — Você está com aquela cara de novo. Levantei os olhos. Matteo estava parado na porta do escritório. — Que cara? — A de quem está apaixonado e tentando fingir que continua racional. Revirei os olhos. — Vá trabalhar. Ele começou a rir. — Ela não respondeu, não é? Meu silêncio foi resposta suficiente. — Dê tempo a ela. Cruzei os braços. — Eu sei. E sabia mesmo. Porque pela primeira vez na vida... Eu não queria apenas ganhar. Queria merecer. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa — Então você vai fingir que não aconteceu? Júlia perguntou, do outro lado da linha. — Eu não estou fingindo. — Larissa. — O quê? — Um homem maravilhoso disse que gosta de você e você está agindo como se tivesse recebido uma conta de luz. Comecei a rir. — Não é tão simples. — Por quê? Olhei pela janela da livraria. Pensando. — Porque se eu acreditar nisso... e der errado... Minha voz falhou. — Vai doer. O silêncio tomou conta da ligação. — Vai. Júlia respondeu suavemente. — Mas se der certo? Meu coração apertou. Porque eu nunca tinha parado para pensar nessa possibilidade. E se desse certo? E se Dante fosse exatamente quem parecia ser? E se eu finalmente tivesse encontrado alguém que me amasse do jeito que eu era? — Eu tenho medo. Confessei. — Eu sei. — E se ele mudar de ideia? — E se ele não mudar? As lágrimas ameaçaram surgir. Porque aquela pergunta ficou ecoando dentro de mim. E se ele não mudasse? No fim do expediente, peguei minha bolsa e saí da livraria. E encontrei Dante. Esperando. Como sempre. Só que daquela vez ele não sorriu imediatamente. Parecia cauteloso. Como se tivesse medo da minha reação. E aquilo fez meu coração apertar. Porque Dante Moretti nunca parecia inseguro. Até agora. — Oi. Ele disse. A voz baixa. Cuidadosa. — Oi. Ficamos em silêncio. Nos encarando. Até que ele respirou fundo. — Eu não quero que você se sinta pressionada. Meu coração acelerou. — Dante... — Você não precisa dizer que gosta de mim. Ainda não. Não precisa dizer nada. Os olhos dele encontraram os meus. Sinceros. Firmes. — Eu só precisava que você soubesse. Minha garganta apertou. Porque eu acreditava nele. De verdade. — Eu sei. Sussurrei. E, pela primeira vez desde que o conheci, vi vulnerabilidade estampada em seu rosto. — Então está tudo bem? A pergunta saiu tão baixinha que quase partiu meu coração. Porque aquele homem tão seguro estava me pedindo uma garantia. Uma pequena certeza. E talvez eu ainda não conseguisse entregar tudo. Mas podia entregar a verdade. Dei um passo na direção dele. Meu coração batendo tão forte que chegava a doer. — Eu não sei exatamente o que estou fazendo. Confessei. — E tenho medo. Muito medo. Os olhos dele não deixavam os meus. — Mas... Aproximei-me mais. O suficiente para sentir o perfume dele. O suficiente para ver a esperança surgir naquele olhar escuro. — Eu sei que sinto sua falta. A respiração dele falhou. — Sei que penso em você o tempo todo. Meu coração disparou. — E sei que gosto de estar com você. Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios. Lindo. Contido. Como se tivesse medo de assustar aquele momento. — Então... A voz dele saiu rouca. — Isso é um sim? As lágrimas se misturaram à risada que escapou de mim. — Isso é um "não desista de mim". Por um segundo, Dante apenas me encarou. E então levou a mão ao meu rosto. Acariciando minha bochecha com delicadeza. Como se eu fosse preciosa. — Nunca. A resposta veio imediata. Sem hesitação. Sem dúvida. Meu coração se entregou um pouco mais. Porque pela primeira vez em muito tempo... Eu não estava pedindo para alguém me escolher. Dante já tinha feito isso. E estava disposto a continuar escolhendo. Todos os dias.
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