Capítulo 20

960 Words
Dante Eu não fazia ideia de quando tinha começado. Se tinha sido no beijo impulsivo. No primeiro sorriso. Na primeira vez que ela revirou os olhos para mim. Ou na primeira vez que ouvi sua risada. Talvez tivesse sido tudo isso. Talvez tivesse sido muito antes do que eu queria admitir. Mas uma coisa era certa. Quando Larissa disse: "Isso é um não desista de mim." Alguma coisa dentro de mim mudou. Porque eu não queria apenas conquistá-la. Queria merecê-la. E faria isso quantas vezes fossem necessárias. Todos os dias. — Você está assustando as pessoas. Levantei os olhos do computador. Matteo estava encostado na porta do escritório. — O que foi agora? — Você está sorrindo. Franzi a testa. — E? — Isso não é normal. Revirei os olhos. — Vá trabalhar. Ele começou a rir. — Então ela finalmente respondeu? Um sorriso surgiu nos meus lábios antes que eu pudesse impedir. — Ela pediu para eu não desistir. A diversão desapareceu do rosto dele. Substituída por algo parecido com surpresa. — E você vai? — Nunca. A resposta saiu imediatamente. Sem hesitação. Porque era verdade. Pela primeira vez em muito tempo... Eu tinha encontrado algo que valia a pena esperar. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa Eu estava distraída. De novo. Tentando organizar uma prateleira enquanto pensava em Dante. No jeito como tinha prometido que não desistiria. No jeito como tinha olhado para mim. Como se aquela promessa fosse a coisa mais natural do mundo. — Você está sorrindo para um livro de culinária. Clara comentou. Olhei para a capa. Depois para ela. — Não estou. — Está sim. Bufei. — Vocês precisam arrumar outro passatempo. Ela começou a rir. — Você está apaixonada. Meu coração tropeçou. Porque pela primeira vez... Aquela palavra não me assustou tanto. Apaixonada. Será que eu estava? Pensei na saudade. Nos abraços. Nas mensagens de bom dia. Na ansiedade que sentia quando o via. Na paz que encontrava quando estava ao lado dele. E a resposta surgiu sozinha. Talvez. Talvez eu estivesse. Meu celular vibrou. Dante: Está ocupada hoje? Meu coração acelerou imediatamente. Eu: Depende. Dante: Quero te mostrar uma coisa. Franzi a testa. Eu: Isso parece suspeito. Dante: Confia em mim. Minha respiração falhou. Porque aquelas três palavras carregavam um peso enorme. Confia em mim. E, pela primeira vez... Eu queria tentar. Eu: Tudo bem. Dante: Te busco às sete. Quando Dante chegou naquela noite, parecia mais nervoso do que o normal. E aquilo me surpreendeu. Porque Dante Moretti não parecia o tipo de homem que ficava nervoso. — O que foi? Perguntei quando entrei no carro. Ele ajustou as mãos no volante. — Nada. — Mentira. Os olhos dele encontraram os meus. E então ele soltou uma pequena risada. — Você está me influenciando. Sorri. — Então me conta. Ele ficou em silêncio por alguns segundos. — Quero te mostrar uma parte da minha vida que quase ninguém conhece. Meu coração acelerou. Porque aquilo parecia importante. Muito importante. O carro parou diante de um prédio simples. Nada parecido com os restaurantes sofisticados ou os ambientes luxuosos aos quais Dante estava acostumado. — Onde estamos? Perguntei. O sorriso dele foi pequeno. Quase tímido. — Vem comigo. Entramos no prédio. E alguns segundos depois eu entendi. Era um instituto. Um projeto social. Crianças corriam pelos corredores. Rindo. Brincando. E, no instante em que viram Dante... Tudo virou caos. — Dante! — Você voltou! — Trouxe presente? Meu queixo praticamente caiu. Porque o homem reservado e poderoso ao meu lado simplesmente abriu um sorriso enorme. Um sorriso verdadeiro. As crianças se jogaram nos braços dele. E Dante as recebeu como se estivesse chegando em casa. Meu coração apertou. Forte. Porque eu nunca tinha visto aquela versão dele. — Você nunca me contou isso. Sussurrei. Uma garotinha agarrou sua mão. E Dante olhou para mim. — Porque ninguém nunca perguntou. Minha garganta apertou. Porque, de repente, eu percebi o quanto ainda não conhecia aquele homem. E o quanto queria conhecer. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dante Larissa observava tudo. As crianças. Os desenhos espalhados pelas paredes. Os brinquedos. Os abraços. E quando seus olhos voltaram para mim... Algo diferente estava estampado neles. Admiração. Carinho. Doçura. — Você ajuda esse lugar? Perguntou. Assenti. — Desde que comecei a empresa. Ela me observou em silêncio. E então perguntou: — Por quê? Olhei para as crianças brincando. Respirei fundo. — Porque quando eu era pequeno, minha mãe dizia que dinheiro só tem valor quando melhora a vida de alguém. O silêncio tomou conta do espaço entre nós. E, quando voltei a encará-la... Os olhos de Larissa estavam marejados. — O que foi? Perguntei. Ela sorriu. Aquele sorriso doce. Lindo. Que parecia acertar diretamente meu coração. — Nada. — Mentira. A risada dela ecoou pelo corredor. E, naquele instante, percebi que me apaixonava por ela de novo. Todos os dias. Em pequenas doses. Em novos detalhes. Como se meu coração ainda estivesse descobrindo novas formas de amá-la. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa Na volta para casa, permaneci em silêncio. Tentando organizar tudo o que estava sentindo. Porque Dante era muito mais do que eu imaginava. Muito mais do que o homem bonito que eu tinha beijado impulsivamente. Muito mais do que o empresário confiante. Ele era gentil. Paciente. Cuidadoso. E tinha um coração enorme. Quando o carro parou diante do meu prédio, virei para encará-lo. Ele pareceu imediatamente atento. — O que foi? Engoli em seco. Meu coração batia tão forte que chegava a doer. E antes que pudesse mudar de ideia, falei: — Obrigada por me mostrar quem você é. Os olhos dele suavizaram. — Ainda estou mostrando. Meu coração tropeçou. Porque eu sabia exatamente o que ele queria dizer. E talvez... Pela primeira vez desde que o conheci... Eu estivesse pronta para mostrar quem eu realmente era também.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD