O anel em meu dedo pesa mais do que deveria.
Não pelo ouro.
Mas pelo significado.
Minhas mãos tremem enquanto o homem ao meu lado me arrasta com ele e aceita os cumprimentos como se estivesse fechando um negócio comum e, para ele, provavelmente está. No canto, vejo meu pai, que não olha para mim. Não desde que assinou os papéis.
Vendida.
Essa é a palavra que ecoa na minha cabeça o dia inteiro. Quando finalmente fico sozinha com Matteo De Luca, meu marido, solto um suspiro de alívio. É horrível ter que sorrir quando seu mundo desmorona e tudo que se quer é chorar.
Tentando não olhar para o homem que me observa em silêncio, encaro o cômodo para onde ele me trouxe.
É o seu escritório. E assim como ele, é grande, escuro, elegante. Tudo nele parece caro demais e perigoso demais. Assim como o homem encostado na mesa. Engulo em seco, retorcendo as mãos em meu colo.
Ele se mexe, se afastando um pouco e vai até o mini bar que tem no canto.
— Pode sentar — ele diz, com uma voz baixa e firme.
Não é um pedido.
Encaro a cadeira confortável em minha frente e me sento devagar, mantendo o queixo erguido. Não vou dar a ele o prazer de me ver encolhida.
— Quero deixar algo claro desde o início — Matteo continua, aproximando-se. Cada passo dele parece calculado. — Esse casamento é um acordo. Nada mais.
Ele para à minha frente. Perto demais.
Sinto seu perfume. Madeira. Algo quente. Errado.
Vejo ele virar o líquido marrom de seu copo em uma única vez antes de continuar.
— Você terá tudo o que precisa — ele continua. — Proteção, conforto, status.
Os olhos escuros descem lentamente pelo meu rosto e corpo, sem pudor algum. Eu ainda estou com o vestido que usei na cerimônia, mas sob seu olhar, me sinto nua.
— Em troca, quero obediência. — Ele finaliza e meu coração dispara, mas minha boca se abre antes que o medo me vença.
— E se eu não quiser obedecer?
Um silêncio pesado se instala. De repente, respirar se tornou difícil e então, ele sorri. Não é bonito. É perigoso.
— Você vai querer me obedecer… — responde. — Eu te garanto que obedecer é a sua melhor escolha, porque aqui dentro… — Ele se inclina, a boca próxima ao meu ouvido, seu hálito me embriagando. — Eu sempre consigo o que eu quero.
Ele se afasta, deixando o ar faltar nos meus pulmões.
Naquele instante, percebo que não me casei com um homem.
Me casei com uma sentença.
E se até hoje, minha vida foi controlada, a partir de hoje, ela seria ainda mais.