6 - O bad boy do grupo

2290 Words
Dennis Odeio essas festas grandes. Muita gente, muito barulho. Não é minha praia. Normalmente, gosto de me esconder em algum lugar com alguns caras que têm carteiras enormes, mas cérebros pequenos, e ganho algum dinheiro fácil. Mas hoje à noite, não estou com vontade de jogar. Talvez seja a primeira vez para mim. Tomo um gole do meu uísque e assisto à festa da sacada do andar de cima, observando o salão principal. Não é tão grande quanto a última festa, mas ainda assim impressionante. Diga o que quiser sobre Julian, ele adora uma boa festa. Tenho que admitir, estou de bom humor. Não consigo me conter. O grupo todo parece mais energizado do que o normal, embora eu odeie essa coisa de "grupo". Amo esses caras como irmãos e faria qualquer coisa por eles, mas nunca fui um cara de turma. Prefiro estar à margem, observando, jogando conforme minha vontade. É então que vejo Hyle. Ela está perto da mesa de pingue-pongue, segurando uma bebida, conversando com um produtor musical sueco — um cara chamado Steven ou algo assim. Mas, pelo jeito que ela constantemente desvia o olhar, está claro que está entediada. Um sorriso se forma no canto da minha boca. Ela é a razão pela qual o grupo está animado, tenho certeza disso. Desde que chegou, notei os caras a observando, flertando, tentando chamar sua atenção. Não posso culpá-los. Ela é uma coisinha deliciosa — loira, borbulhante e sexy pra c*****o. Tomo mais um gole do meu uísque e decido me divertir um pouco. Desço as escadas e vou direto até Hyle e Steven. — Com licença, desculpe... você é Steven Johnson? — pergunto ao cara. Ele me encara, confuso. — Ah, uh, não, não — responde, hesitante. — Sim, você é Steven — insisto, cruzando os braços. Hyle já está sorrindo para mim, percebendo o que estou fazendo. — Não, não sou — ele repete, agora parecendo um pouco desconfortável. — Tem um carro esperando por você lá fora — digo, com a expressão séria. — Por favor, se puder me acompanhar? Os olhos dele se arregalam, e ele recua, claramente sem entender o que está acontecendo. Sem pensar duas vezes, murmura uma desculpa apressada e desaparece na multidão. — O que foi isso? — Hyle pergunta, rindo e dando um tapa no meu braço. — Você parecia entediada — respondo, dando de ombros. — Pensei em assustá-lo um pouco. Como é o inglês dele? — Não muito bom — ela admite. — Acho que ele estava falando sobre batidas techno... ou talvez carnes saborosas, não tenho certeza. Solto uma risada. — Cuidado, esses suecos são um bando desonestos. Ela sorri de novo para mim, inclinando um pouco a cabeça. — Você é meio babaca, não é? — Culpado — admito, sem vergonha. — Mas, pelo menos, você não está mais presa a ele, certo? — Não, acho que não — ela diz, fingindo ponderar. — Eu deveria estar agradecendo a você. — De nada. — Talvez você possa me fazer mais um favor — ela sugere, levantando seu copo vazio. Levanto uma sobrancelha. — Agora você está ficando gananciosa. Ela sorri de forma travessa. — Por favor? Solto um suspiro teatral e pego o copo dela. — Você tem sorte de ser bonitinha. Me afasto para buscar outra taça de vinho para ela. Quando volto, a encontro encostada contra a parede, um braço cruzado sobre a frente do corpo. Ela tem um jeito interessante, um tanto fechado e reservado, mas quando fala, seu rosto inteiro se ilumina. É surpreendentemente atraente, e me sinto puxado para ela de novo. — Eu sabia que podia contar com você — ela diz, pegando a taça das minhas mãos. — Sou eu, o Sr. Confiável. Ela ri levemente. — Você é o jogador, certo? Franzo a testa. — Jogador, hein? — Quero dizer, você é um jogador profissional de cartas. — Isso é melhor... mas "jogador" não está tão longe da verdade. — Como é? Olho pela janela, observando a areia e o oceano ao longe. — Emocionante — admito. — E não é para pessoas que não conseguem lidar com a incerteza. Ela me observa por um momento, então pergunta: — Qual foi a maior perda que você já teve? Viro o rosto para encará-la, surpreso com a pergunta. — Essa é incomum. — É? Achei que estava apenas sendo intrometida. Rio, surpreso com o quão divertida ela é. — Ok, é intrometida também. A maioria das pessoas me pergunta quanto eu ganhei. — Ah, ganhar é chato — ela diz, acenando a mão. — Qualquer um pode ganhar. — O que você quer dizer? — Bem, qualquer um pode ganhar e continuar jogando, certo? Acho que as pessoas realmente interessantes são aquelas que perdem... e continuam. Eu me inclino em direção a ela, atraído por sua conversa… ou talvez pelos lábios lindos e pelo jeito que ela está me encarando. Concordo completamente com o que ela disse. Sempre senti isso instintivamente, mas nunca havia colocado em palavras. Os caras que fazem o que eu faço estão acostumados a perder e continuar. A verdade é que perdemos quase tanto quanto ganhamos, mas o truque é vencer só um pouquinho mais. Os realmente bons podem ganhar, na melhor das hipóteses, sessenta por cento das vezes. — Era um jogo de bastidores — digo finalmente, decidindo ser honesto com ela. — O tipo de coisa para a qual você só é convidado. — Alto risco? — ela pergunta, curiosa. — Muito — respondo. — Eu estava jogando com alguns caras suspeitos. Eles gostavam de ter um jogador profissional por perto… acho que achavam interessante tentar me vencer. — Imagino que sim — ela murmura, um brilho divertido nos olhos. — Normalmente não é assim. Mas dessa vez, tinha um cara novo jogando. Um russo que eu nunca tinha visto antes. Uma cicatriz grande no olho, comendo biscoitos Oreo o tempo todo. Ela ri, inclinando a cabeça. — Oreo? Sério? — Sim — confirmo, balançando a cabeça. — Quer dizer, eu não conseguia acreditar. Achei que o cara fosse maluco. Mas quanto mais jogávamos, mais percebia que ele era um trapaceiro. No começo, fingiu ser um perdedor, mas eu vi através dele. Os outros caras, por outro lado, ficaram gananciosos. E conforme a noite avançava, ele ia ganhando mais e mais. Faço uma pausa, recordando a cena como se estivesse acontecendo agora. Ela está completamente focada em mim, e isso me dá vontade de prolongar a história. — Então já eram umas quatro da manhã. Estávamos todos cansados, os caras bêbados, menos eu e esse russo. Eu pego uma boa mão e aposto alto. Ele paga imediatamente. — Assustador — ela diz, arregalando os olhos. — Esses caras eram tipo… — Mafiosos? — termino por ela, erguendo uma sobrancelha. — É, eram. Mas na real, inofensivos… a menos que você fosse um babaca. Ela ri baixinho, mas continua me observando, atenta. — De qualquer forma, ele me pagou e a bolada veio. Parecia ótimo para mim. Então aposto de novo… e ele paga de novo. A próxima carta vem, eu continuo jogando agressivo, mas já estou suando nesse momento. Ele só me encara, sem emoção nenhuma no rosto. Não consigo ler o cara de jeito nenhum. — E então? — ela pergunta, inclinando-se ligeiramente na minha direção. — Eu apostei de novo, e ele pagou. Agora o prêmio já devia estar em uns cinquenta mil. Grande, mas nada absurdo. A última carta vira… e é exatamente o que eu queria. Balanço a cabeça, rindo sozinho, lembrando da sensação naquele momento. — Quer dizer, eu surtei. Achei que era o meu dia de sorte. Apostei tudo. Os olhos dela se arregalam. — Sério? — Sério. E o filho da p**a me pagou sem piscar. Agora, tem quase trezentos mil naquela mesa. Todo mundo ao redor ficou em silêncio absoluto. Quero dizer, silêncio total. Porque isso era enorme. — Meu Deus… — ela murmura, com a boca entreaberta. Sorrio para ela. — Pois é. Viramos as cartas… e ele me vence. Ela solta uma exclamação surpresa. — Não acredito! — Eu também não acreditei. Era a única mão que poderia me vencer… e ele tinha. Mas o que me pegou mesmo foi que ele pegou o dinheiro sem se gabar. Sem risadinha, sem provocação, nada. Ela me encara por um segundo, como se tentasse processar tudo. — Quanto você perdeu? — O prêmio era tipo cinquenta mil, então… — dou de ombros. — Nossa — ela diz, balançando a cabeça. Dou uma risada curta e continuo: — Depois, ele veio até mim e disse, com aquele sotaque russo forte: "Amigo, melhor jogo da minha vida, né? Se jogar comigo de novo algum dia, você ganha seu dinheiro de volta." Faço uma pausa dramática, deixando as palavras pairarem no ar, antes de concluir: — Ele dá um tapinha no meu ombro, vai embora… e eu nunca mais o vejo. Ela solta um riso, ainda balançando a cabeça. — Uau. Eu quase não acredito em você. — Bem, então talvez um dia eu te leve para ver com seus próprios olhos — digo, piscando para ela. Ela sorri, e por um momento, ficamos ali, apenas nos encarando. — Acredite — digo. — Aqueles cinquenta mil doem pra c*****o. Eu rio e me inclino contra o vidro. Não é uma boa lembrança, e deixo de fora algumas das partes mais difíceis, como o fato de que aquele jogo me deixou tão quebrado que tive que vender meu carro para pagar o aluguel naquele mês. As coisas melhoraram para mim depois disso, e eu não jogo mais cartas com mafiosos, mas isso ainda me assombra. — E você? — pergunto a ela. — Alguma história sobre perder? Ela sorri para mim, balança a cabeça. — Não, nenhuma. Eu sou uma vencedora, pura e simplesmente. Eu rio e me aproximo dela, quase por instinto. Sem pensar, ela levanta o queixo para mim. Minha mão encontra sua parte inferior das costas, eu a puxo para mais perto e a beijo. Bem aqui na festa, onde qualquer um pode ver. Felizmente, estamos na lateral, e o lugar está lotado o suficiente para que sejamos apenas mais duas pessoas no mar de gente, mas não consigo acreditar no que estou fazendo. Parecia tão natural beijá-la daquele jeito, todos os sinais apontavam para isso, mas ainda assim... Julian cortaria minhas bolas se soubesse que eu estava fazendo isso. Mas é uma sensação boa pra c*****o. O gosto dela é incrível, e o corpo dela pressionado contra o meu parece certo, como se ela pertencesse ali. Nós nos separamos lentamente, e ela pisca para mim. — Isso foi surpreendente — ela diz, respirando fundo. — Estou cheio de surpresas. Passo as mãos pelos cabelos dela, e ela se inclina para mim novamente. Por um segundo, acho que ela vai querer mais. Mas, em vez disso, ela se afasta. — Segure esse pensamento — ela diz. Eu a observo enquanto se afasta rapidamente, desaparecendo na multidão. Fico ali, observando-a ir. Sua b***a é linda pra c*****o. Eu quero vê-la nua, provar aquela pele, mas sei que isso não vai acontecer hoje à noite. Ela está fugindo de mim agora, e eu realmente não a culpo. Eu sou o bad boy do grupo. O cara de quem ela deveria ficar longe. Claro, eu pego o que eu quero, mas ela deveria saber que não pode me deixar beijá-la. Suspiro e tomo um gole do meu uísque. Provavelmente não a verei mais esta noite. Me junto a outro grupo, tentando esquecê-la, mas aquele beijo permanece. Eu a vejo mais tarde naquela noite, e quando pisco para ela, seu rosto fica vermelho escarlate profundo. É tão fofo, mas eu a deixo em paz. Sei que não é bem assim. Perto do fim da noite, estou falando com uma modelo bonitinha que quer ser cantora country. Ela é totalmente insípida, um pouco chata, e está falando sobre como o pai dela é um ótimo agente, toda essa merda do showbiz. Estou meio ouvindo, concordando, resmungando, sei lá. Os outros caras ainda estão por aí, todos, exceto Julian. Me pergunto se ele encontrou outra pessoa. A garota com quem estou falando — merda, não lembro o nome dela — se inclina na minha direção. — Danny? — ela pergunta. — Dennis — corrijo. — Claro, Dennis. Ela olha para mim com seus grandes olhos de f**a-me, e eu sei o que está por vir. — Então, você está tipo... ficando aqui, certo? — Certo — digo. — Por que você não me leva para um pequeno tour? Quero dizer, talvez me mostrar seu quarto? Ela não poderia ser mais óbvia. Bem, talvez pudesse enfiar a mão nas minhas calças, agarrar meu p*u e exigir que eu a fodesse. Isso é provavelmente preferível a isso, na verdade. — Talvez outra hora — digo, me afastando dela. — Eu tenho que fazer alguma coisa. Vou embora sem dizer mais nada. Posso dizer que ela está atordoada e irritada, mas tanto faz. Não sei por que estou indo embora. Ela era uma coisa certa, e eu ainda não dormi com ninguém. Julian está ganhando, até onde sei, e eu deveria estar mais nesse jogo i****a, já que meu tempo está em jogo aqui. Mas eu simplesmente não sinto vontade. Fico pensando naquele beijo com Hyle e percebo que ela é a única que eu quero provar esta noite. Ela é a mais proibida aqui, mas não consigo evitar. Essa é só a minha p***a de sorte. Mas, felizmente, sou muito bom em virar a minha sorte. Acho que as coisas vão mudar — e logo. Especialmente se aquele beijo for alguma indicação.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD