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4954 Words
Sonho, aquilo começava a ficar interessante, pensou Eve. Dean examinava a Jack como se estivesse acostumado a tratar com jovens rebeldes de vinte e um anos. E Cam, a pobre, parecia atrapalhada entre o prazer de anunciar a presença de Dean e o pavor do que sua irmã pudesse dizer. Jack piscou com seus cílios que luziam uma excessiva quantidade de rímel e disse: —Não fode. —Cuidado com essa língua – Chamou a atenção Cam com o cenho franzido. O que disse? Dean começou a rir. —Nada que não tenha ouvido antes. —Amem – concluiu Eve. Pessoalmente, entendia melhor a atitude de Jack que a de Cam. As duas irmãs não tinham passado muito bem nos últimos tempos. Em vista do que, obviamente, Jack acabava de levantar, Dean olhou a hora. —Uma noite longa? A menina franziu os lábios, o olhou de cima a abaixo e voltou rumo a cafeteira, como se reencontrar com seu irmão, ao que não via há muitos anos fosse o mais normal. —Uma festa de merda. Minha cabeça vai explodir. Não tem café feito Cam? —Sente antes que caia, enquanto preparo. Eve observava a Dean, enquanto este contemplava o comportamento de suas irmãs. Não fazia precisava ser um gênio parar dar-se conta de que Cam se ocupava de Jack como se fosse sua mãe e que esta a deixava fazer. —Ok – Arrastando-se rumo a mesa, Jack se sentou pesadamente em uma cadeira e depois de mostrar a todos suas amídalas em um bocejo bastante pouco elegante sorriu a Dean – A tia Lorna irá ter um ataque. —Jack – advertiu-a Cam sem deixar de preparar o café – Contarei a tia Lorna. Não se preocupe por isso agora. —Sim e o que irá dizer? – Jack se esticou no assento espreguiçando-se – Perguntará por que voltou o filho pródigo – Olhou a Cam – Suponho que você o convidou. —Foi. —Claro – Voltou-se então de novo rumo a Dean – E você aceitou o convite obviamente. Mas, por quê? A final acredita que temos dinheiro e ninguém me disse? Cam ficou como pedra. Inclusive Eve se sentiu consternada diante da aberta indireta. Jack sempre se comportava de forma escandalosa, o fazia de propósito, mas aquele sarcasmo era demais inclusive para ela. —Prodigo? Não diria isso – disse Dean sem insultar-se. —Sim – Jack levantou a sobrancelha – E o dinheiro? —Quer que comparemos nossas contas bancarias? – perguntou lançando um rápido olhar aos eletrodomésticos da cozinha, o descolorido papel de paredes, e as superfícies dos moveis cheias de marcas – Estou certo que sairia ganhando. —De verdade? De maneira que tenho um irmão vencedor. Melhor, que melhor. Mas, isso não explica o que está fazendo aqui. A tia Lorna sempre dizia que nunca voltaríamos a vê-lo. Dean sentiu como se algo machucasse seu coração. —E alguma vez os disse por quê? —Sim – respondeu ela com a voz aguda e imposta – Os homens são todos uns porcos que somente se preocupam com si mesmo. —Já chega Jack – Cortou-a Cam apressando-se em terminar o café – Guarda as garras agora mesmo. Parecia ela de verdade? – retrucou Jack com um amplo sorriso Eve ia dizer que sim, mas Cam se adiantou. —Não, não parecia ela, parecia uma menina malcriada. E, agora pare. —Sim mamãe. Dean começou a rir. Eve se sentiu aliviada ao ver que não se tinha ofendido, mas a Jack seu bom humor pareceu confundi-la. —O que lhe parece tão divertido? – quis saber apoiando ambos os cotovelos sobre a mesa – Se é que pode se saber. —É somente que leva carga demais encima. Eve se perdeu no relaxado sorriso de Dean e da doçura que havia em seus olhos. Realmente era um homem devastador em mais de um sentido. —E se não tem cuidado – continuou com suavidade – esses magros ombros seus se partiram embaixo o peso de seu mensurado ressentimento. Oh-Oh. De todos os insultos que Dean tinha soltado, provavelmente chamá-la de magra fosse o que mais dano teria causado. Eve aguardou o estalo de cólera de Jack. Isso não demoraria a chegar. A menina levantou da cadeira rapidamente. —Mudei de ideia. Já não quero café – Fez um gesto de despedida a Dean e uma inclinação de cabeça a Cam – Vou tomar banho e me vestir. Cam ficou rígida. —Queria que nos conhecêssemos um pouco – disse-lhe a Jack tentando detê-la. —Já fiz planos com meus amigos – E com isso a menina saiu do quarto Cam se apressou a desculpar-se com Dean. —Sinto muito Dean. Pelas manhãs não está de muito bom humor. —É pela ressaca. Isso pode colocar m*l a qualquer pessoa. —Jack não bebe. Era obvio que a menina se tinha acabado em uma boa noite, mas Dean não quis dizer ao contrario. Eve agradeceu sua contenção. —Se me perdoam irei a... – As palavras de Cam morreram em seus lábios e em seguida saiu como sua irmã. —É hora de ir-me – comentou Eve observando Cam sair – Se meteu em cheio no miolo da questão. Mercado imobiliário, álcool e formas femininas... Os três temas tabu da família Conor. Quase o sentia por Dean. A situação tinha que ser incomoda para ele. Mas, quando levantou o olhar não o viu em absoluto preocupado por como haviam ido as coisas. Não, o que viu foi o ardor de todo o fogo do inferno. E uma clara intenção. —Eu... Dean se levantou da cadeira rodeou a mesa em direção a ela. Eve sentiu que o coração subia na garganta. O que vai fazer? Ele colocou uma mão na superfície da mesa, enquanto apoiava a outra nas costas da cadeira de Eve prendendo-a. —Vou beijá-la. A forma com que disse, com um tom grave e profundo, a fez estremecer. —Não é uma boa ideia. Ele olhou a boca dela. —É uma ideia genial e sabe disso – Inclinou-se ainda mais – Você mesma disse. A química surgiu entre nos dois ontem –murmurou. —Ontem não sabia que era... Dean posou sua boca sobre a dela, quente, firme e deliciosa. Eve se deixou cair com um peso morto. Ao notar a língua dele dentro de sua boca, a pegou com a sua. Um gemido gutural vibrou muito dentro de seu corpo, e Dean se afastou tão somente uns milímetros para olhar com aqueles olhos dourados. Ai Deus. Se pelo menos tivesse ainda usando os óculos, afastar-se resultaria mais fácil. Eve suspirou. —Nem se atreva a começar algo que não pretenda terminar – sussurrou com a voz entrecortada. A avidez s****l brilhou nos olhos de Dean. —Acredite-me carinho, posso terminar. Que o céu a ajudasse —Certo – Eve tragou saliva e o afastou de si antes que pudesse beijá-la novamente – Estou certa de que pode... Mas verás... Devo ir dentro de vinte minutos. Tenho um encontro com um possível cliente. —Janta comigo essa noite Ela negou com a cabeça —Impossível. Acaba de reencontrar suas irmãs. Estou certa de que desejaram... —Desejo você, e quanto antes melhor. Saltava a vista que aquele homem somente ia deixa claro o que queria. —E se Cam fez planos? Sou sua melhor amiga. Não posso monopolizá-lo. —Passarei todo o dia com ela até a hora do jantar. —Cam também tem que trabalhar – Vendo que o homem não se renderia, e consciente de que na verdade tampouco queria que o fizesse. Eve tratou de pensar em algo com rapidez – Essa noite, vou jantar com minha família. Mas, depois... – Quebrou a voz ao notar as mãos dele ao redor de seu pescoço e seus joguinhos de caricias na nuca. —Diga-me a hora e em que lugar – respondeu ele com apenas um sussurro, enquanto seus lábios roçavam nos dela com suma delicadeza – Ali estarei. Em vista de como se sentia nesse momento, temerosa e totalmente excitada não acreditava que pudesse sobreviver até então. De não ser por que queria muito a seus pais, cancelaria o jantar. Ás oito? Depois de um gesto de assentimento, Dean aprisionou novamente sua boca e sem saber como Eve se encontrou apertando-se contra seu duro corpo. Ele a segurava com uma mão pela a nuca, enquanto a outra descia por suas costas e se grudava contra seu traseiro. Acariciou-o e apertou antes de falar com uma voz rouca de desejo. —Deus meu, que traseiro tem. Com ambos os braços, a estreitou ainda mais contra a parte inferior de seu corpo. Eve conteve a respiração. Aquele homem era puro músculo, claro, ardente de força contida. Naquela postura podia sentir cada centímetro de seu corpo, e fez uma ideia mental de como seria. Teria gemido, mas Dean não lhe deu oportunidade. Logo, sem saber como, estava de novo sentada na cadeira, confusa e desnorteada, enquanto ele estava na sua, com expressão de aborrecimento no rosto. “Que demônios?”. Cam entrou na cozinha e abriu a boca como se fosse dizer algo, mas então olhou a Eve e permaneceu em silêncio. Detendo-se na metade da cozinha, olhou a ambos com suspeita. Eve sabia que tinha que dizer algo, mas o único que pode fazer foi esboçar um sorriso que bem certo deveria parecer culpado e falso. Como havia ouvido Dean que Cam se aproximava? Ela somente podia prestar atenção nele, no seu sabor, seu corpo musculoso e quente e seu excitante aroma. —Tudo vai bem? – perguntou Cam. Dean respondeu por Eve, evitando-lhe ter que tentar recuperar a voz que havia perdido. —Suponho que Jack não estava ciente da carta que me enviou. Cam ficou vermelha. —Assim é. Sinto muito. A única que sabia era Eve. Agradecida a ele pela mudança de assunto, ela entrou. —Mas não me ocorreu atar os cabos ontem quando apareceu no bar. Cam te escreveu essa carta faz muito tempo. —E também não disse a Lorna? Cam negou com a cabeça. —Por que ela não queria que me colocasse em contato com você – acrescentou. Sua irmã olhou a Eve, que lhe sorriu com esperança de tranquiliza-la. —Lorna nunca fala de você Dean. Cam era muito jovem quando se foi... —Quando me afastaram daqui. Cam parecia ter-se ficado como pedra, incapaz de responder. Eve, contudo, não tinha esse problema. —O que quer dizer? —Que não foi por minha decisão. Por Deus, não era mais que um menino. Não me deram opção. Grover me tirou daqui por que Lorna se negou a cuidar dos três. Cam negou com a cabeça. —Não isso não pode ser verdade. —Como sabe se Lorna nunca fala de mim? A cegas sua irmã tateou em busca de uma cadeira. Mas... Verá apenas te lembro. —Quer dizer que em seguida esqueceu de mim. Dean o disse sem emoção alguma, mas Eve não pode evitar sentir uma pontada de dor. O que outras ideias enganadas teria? Provavelmente não foram piores que a de Cam. Negando com a cabeça, esta estendeu as mãos rumo a seu irmão e apertou com força. —Sinto muito Dean, mas somente tinha dois anos. Era quase um bebê. Haviam acontecido muitas coisas; a morte de nossos pais, o funeral, os amigos e vizinhos que se aproximavam daqui. Tudo era estranho e muito diferente. Você não estava... O mesmo que papai e mamãe. E Lorna não falava de você. Eve viu como Dean tencionava a mandíbula e se fixou na inequívoca forma em que retirou as mãos da de Cam, como se não pudesse suportar que o tocasse, enquanto discutiam aquele assunto em particular. Ambos os irmãos estavam sofrendo, e Eve desejou poder fazer algo para ajudá-los. Cam respirou fundo para relaxar. —Quando tinha dezesseis anos, descobri alguns álbuns de fotos antigos – Um fugaz sorriso apareceu em seu rosto – Em algumas saíam você, com Jack e comigo nos braços, brincando, molhando-me com a mangueira do jardim, beijando a Jack na cabeça... —Éramos irmãos. Um comportamento normal – Dean parecia mais distante do que nunca – Aonde quer chegar? —Sentia curiosidade por você e perguntei a tia Lorna quem era. Aborreceu-se quando lhe disse que havia encontrado as fotos, e então me dei conta de que nunca até então havia visto imagens de nos três antes de nossos pais morrerem. As tinha depois, quase todas com amigos e vizinhos, mas nenhuma quando Jack e eu éramos bebe. E... Nenhuma sua. —Suponho que quando se desfez de mim, também se desfez de tudo o que tivesse que ver comigo – girou os olhos – O que me diz de nossos pais? Viu foto deles? Cam negou com a cabeça. —Não muitas. Ao menos não antes de encontrar as do sótão. Dean sorriu com suficiência. —De saber que existia, Lorna também havia tirado esse álbum. Cam olhou ao seu redor sem ver, confusa. Quando voltou de novo a olhar a Dean, sua necessidade de compreender algumas coisas eram mais evidentes. —Está me dizendo que Lorna pretendia que não soubéssemos nada de você? Que ambas crescessem ignorando o fato de que tínhamos um irmão mais velho? Mas... – Cam franziu o cenho com força – Não compreendo por que teria que afazer algo assim. —Não queria que ficasse rastro suponho. Eve pensou então que Cam devia ter crescido com a sensação de que faltava algo em sua vida sem saber por que. Com toda segurança, Lorna jamais o teria contado. Ao ver a dor que se desenhou no rosto da amiga, Eve supôs que tinha acabado de dar-se conta do mesmo que ela. —Tenho fotos, se tiver curiosidade por nossos pais – ofereceu Dean como tentando suavizar o golpe. Tenho curiosidade de você – respondeu ela olhando-o fixamente – Desejo compreender tudo isso. Desejo conhecê-lo. —Se quiser – respondeu ele com mandíbula tensa, ignorando a súplica de Cam – posso enviá-las. Ou posso fazer cópias. A confusão embargou a Cam de novo. —E como é que você tem fotos e eu não tenho nenhuma? —Quando Grover tirou-me daqui, levou dois álbuns e alguns fotos marcadas que havia pela a casa – Dean coçou o lóbulo da orelha – Não as roubou nem nada disso, simplesmente Lorna não as queria. —Ela disse isso? Dean encolheu os ombros. —Grover me disse que seria doloroso recordar para você e para Jack do que tinham perdido. Com uma inclinação de cabeça um tanto ausente, Cam aceitou a explicação. —Suponho que talvez fosse esse o motivo. —Pode ser. Erguendo-se com renovada determinação, Cam voltou a tomar as mãos de Dean entre as suas. —Lorna não me mentiu Dean. Quando lhe perguntei por você através das fotos, me disse que era meu irmão. Mas, me contou que você quis ir com Grover, que queria viver aventuras... —Pois mentiu para você não acha? Ao ouvir isso Cam parecia tão deprimida, tão ferida que Eve a rodeou com os braços. Dean observou o gesto e afastou o olhar dos dois. —De verdade acredita que um menino de nove anos que acabava de perder os pais queria abandonar tudo o que lhe resultava familiar? – perguntou ele – Meus amigos, meus pertences? Acredita de verdade que queria abandonar a vida que tinha aqui? – Voltou-se rumo a Cam – Lorna mentiu. A voz de Dean não se alterava em nada; não subia de tom nem se tornava mais grave. Conseguia esconder sua expressão com sumo cuidado e habilidade, contudo, Eve leu a verdade e a dor que se ocultava atrás da indiferença; não Cam. —E por que teria de fazer Lorna algo assim? – perguntou Eve – Não tinha nenhum sentido. —Como disse, somente era um menino – Dean fez uma inclinação rumo a Cam – Mas, Grover me falava muito de você e de Jack quase tanto quanto de Lorna. De maneira que tenho a minha própria opinião. Eve decidiu que era um bom momento de ir. Depois de dar um novo aperto tranquilizador no ombro de Cam, levantou-se. —Vocês dois têm muito que falar, e tenho que ir para casa preparar uma reunião. Já estou atrasada. Dean ficou de pé antes que ela. —Acompanharei você a saída. Deixando Cam ali sentando sentindo-se doida e insegura de si mesma e de sua própria vida? Eve moveu a cabeça negativamente. Não é preciso. —Ainda não me deu seu endereço. Isso distraiu a Cam, que começou a olhá-los com interesse; Eve quase ficou vermelha. —Agora o faço – respondeu e como se tivesse em sua própria casa foi a uma gaveta, tirou papel e caneta e escreveu algo – Agora tem. Anotei também meu celular debaixo pra se precisar de algo – Talvez cancelar o encontro com ela se arrumasse às coisas com suas irmãs. Cam os olhos alternativamente. —Vão sair juntos? – perguntou. —Sim – respondeu Dean. —Não – corrigiu Eve. Aproximou-se da porta e pôs os chinelos – Quero dizer que, talvez, mas, não será até tarde, e sempre e quando não interfira em seus planos. Sei que Dean e você têm muitas coisas que falar – Eve dirigiu a Dean um eloquente olhar – Não quero intrometer de qualquer maneira. Ele cravou de novo o olhar em Eve. —Vou ficar essa noite com ela, não é assim Eve? —Não se Cam tem outros planos – repetiu ela com firmeza. —Hum...- Cam mordeu o lábio inferior – Esperava que quisesse ficar e jantar com a gente Dean. E você também esta convidada Eve, se quiser vir... —Já tinha feito planos para jantar – Apressou-se a dizer a sua amiga. Finalmente, Dean se voltou rumo a Cam. —Também tenho que ir. Quero ocupar-me de alguns assuntos, mas gostaria de ver um pouco a cidade. O que parece se jantamos juntos nessa noite? Jack também claro. Ocorre algum lugar agradável? O alivio passou aos ombros de Cam. —Isso seria genial, senão se importar de jantar cedo. Tenho que voltar ao trabalho às sete. Dean consultou a hora. —Poderia passar para pegá-las às quatro e meia. —Perfeito —Estará de acordo Jack? Cam girou os olhos. —Estará aqui. —Bem. Vou então – Eve abriu as portas que davam para o pátio. Dean a segurou pelo cotovelo. Ela observou que, ao contrario que Roger, não a pegava com força, e, contudo, era mais consciente do contato de Dean do que jamais teria sido com Roger. —Te acompanharei – disse ele. —Não – negou-se ela assinalando com um gesto de cabeça a Cam, com esperança de que ele captasse a mensagem – Não é necessário. —Sim é necessário. Eve tentou soltar-se, mas apesar de Dean não a segurar com força, também não parecia ter intenções de soltá-la. Já ia de qualquer forma – Dean pegou os óculos de sol e lhe fez a Cam uma inclinação de cabeça – Obrigada pelo chá. Vejo vocês em algumas horas. Sua irmã vacilou e, finalmente, se lançou sobre Dean. Este soltou a Eve, assustado com as carinhosas atenções de Cam. —Fico feliz que esteja aqui – disse a menina – Vamos solucionar tudo isso, você verá. Eve percebeu que Dean não participava do abraço, mas sim que se limitava suportá-lo. Mostrando-se frio e distante, apesar de Cam não parecer dar-se conta. Finalmente ela retrocedeu um passo, sorridente, feliz e muito esperançosa. —Até mais tarde. Dean fez um gesto de assentimento. —Não quero que Eve chegue tarde. Até logo – acrescentou agradecido por ter um bom motivo para escapar. Eve deixou que Dean a acompanhasse até o carro antes de protestar. —Não posso acreditar que a vai deixar dessa forma – disse com desgosto. —A quem? Eve se deteve de golpe e o olhou com o cenho franzido de pura incredulidade. — A sua irmã. Dean ainda se sentia deslocado depois de umas calorosas boas-vindas que lhe havia dispensado Cam, por não mencionar o efeito de suas assombrosas revelações: Ela não sabia de sua existência. Antes de vê-la e que falassem, sua ideia era desprezar cada gesto, fazer saber que não a havia precisado antes e agora também não precisava. Mas, agora tudo era diferente, a situação, suas irmãs e seus próprios sentimentos rumo a elas. —Voltarei a vê-la de noite – E como não se sentia ainda preparado demais para pensar nisso, não estava disposto a permitir que Eve o fizesse – Não se preocupe. Ela se afastou dele —Que não me preocupe? Cam é minha melhor amiga, quase uma irmã. Estava claro que desejava que não se fosse. Pediu que viesse por uma razão. Poderia ter falado dela. Poderia ter explicado essa teoria em de deixá-la... Dean se inclinou e a beijou. Ainda quando o estava censurando seu comportamento, Eve tinha a boca mais suave e sexy que havia provado. Ela retrocedeu uns passos, olhou-o, com os olhos carregados de desejos e lhe sussurrou sem convicção demais. —Para. —Não. Eve não discutiu. Em vez disso, fechou os olhos convidando-o abertamente e Dean posou sua boca sobre a dela. Apesar da atitude claramente antagônica que lhe havia demonstrado rumo um momento, seus lábios entreabriram-se ao contato com os dele. Havia estado com mulheres fáceis em sua vida. Mulheres que se haviam aproximado dele por motivos interesseiros. Mulheres calculistas. Mas, jamais lhe havia derretido uma mulher nos seus braços como estava fazendo nesse momento Eve. Enquanto apoiava contra a porta do carro, Dean girou a cabeça um pouco para ter melhor ângulo e fundiu a língua em sua boca. Demônios, era bom. E que gosto se sentia com seu corpo contra o seu, o contraste da leveza com o peso emocional que Cam lhe havia causado com suas atenções. Ao tocar a Eve, quase podia esquecer a lembrança de suas irmãs e tudo relacionado ao reencontro. Antecipando o encontro que teriam juntos, Dean despregou os dedos sobre suas estreitas costas. Pensou no momento em que a tivesse sozinho, nua debaixo dele... Eve girou a cabeça para tomar ar, momento que Dean aproveitou para advertir para que não se metesse. —Mantém o nariz fora de meus assuntos com minhas irmãs de acordo? Eve ficou de boca aberta. Atônita diante do incomodo, franziu o cenho e se dispôs a mandálo ao inferno... Mas, antes que pudesse dizer algo, Dean a beijou de novo. Gemendo, apoiou-se contra ele... Durante uns segundos. E então explodiu. Ou tentou fazê-lo, mas ele a segurava contra seu corpo com tanta força que o único que conseguiu com seu estalo de dignidade foi liberar a sua boca. —Oh! Vamos Eve não se aborreça – sussurrou Dean. Ela apoiou a mão no tronco dele e o fez retroceder. —Afaste-se agora mesmo. Outra característica única daquela mulher. Não lembrava que nenhuma outra lhe tivesse dado uma bronca. Desfrutava muito com ela, mas lançou as mãos em gesto de rendição. Uma vez livre, dedicou-se um momento a tomar ar profundamente várias vezes, tentando acalmar-se, antes de olhá-lo nos olhos. No olhar de Eve havia hostilidade. Na de Dean, curiosidade. Ela inspirou fundo antes de perguntar. —De verdade me disse que não me intrometa? —Sim – o confirmou. Deus meu que bonita era – Acredita que será um problema para você? —Problema? – quase gritou – Pois claro que é um problema. Não pode entrar na vida da minha melhor amiga e logo ir como tal coisa. —Disse que voltaria mais tarde. —E utilizou como uma desculpa para escapar. Como acredita que se sentiu Cam? Dean encolheu os ombros. —Em todo caso não pensava em ficar ali o dia todo. Como se ele não houvesse dito nada em absoluto Eve continuou com sua fala. —E de verdade espera que fique tranquila e não dê opinião? – Sua voz adquiriu um tom agudo – Que demônios acontece? —Confio em que seja pergunta retórica, que não espera de verdade que te desnude minha alma. A Eve lhe saíram os olhos. —O que? Dean deixou escapar uma gargalhada. —Sou um homem cheio de falhas Eve. Aceita-o. Já fiz. Vim aqui repleto de dúvidas e receios. Não tenho nem ideia de até que ponto quero conhecer as minhas irmãs ou quanto quero que elas saibam de mim. Envolver-se no assunto seria um erro de sua parte. Digo-lhe amistosamente: Mantenha-se a margem. —Santo Deus – Eve se deixou cair contra o carro em evidente consternação – Não posso acreditar que me disse isso sem nem sequer mudar. —É a verdade. Ela cruzou os braços sobre o peito. —Já acredito que está cheio de falhas. Não muito certo se gostaria de ouvir a conformidade por parte dela, ergueu a sobrancelha. —E? —Mas, também te vi com suas irmãs. Não queria que Eve fosse por ali. —Maldita seja. Não iria me analisar de verdade? Seu sarcasmo não a fez vacilar. —Deseja formar parte delas Dean. É parte delas, tanto se quiser admitir como se não. Vi nos seus olhos. O que admitia para si e o que admitiria diante dela eram duas coisas bem diferentes. —Apenas falei com Jack antes que saísse como alma que leva ao d***o, de maneira que o que acreditou ver... —Sabe esconder melhor que Cam – cortou-o ela sem ceder um centímetro em sua determinação – Claro que Cam não tentava de escondê-lo. Ela mostra seus sentimentos a todo mundo, sempre o fez. Desde que se inteirou de sua existência, não deixou de preocupar-se com você. Apesar de que teria resultado ser um ogro, Cam seguiria amando-o. —Oh! Por Deus – protestou ele, apesar de que lhe dava medo pensar que Eve tivesse razão. —Pode que não goste, mas é seu irmão e isso significa muito para ela – Ele pôs a mão em seu braço – Afortunadamente, é um cara legal, não um ogro. E acredito que ser seu irmão também significa algo para você. Consciente de que não podia detê-la, ao menos não de momento. Dean elevou o olhar ao céu em resignação. —Também sei que não quer ferir seus sentimentos. E que fará o que possa para compensála – Eve se aproximou mais dele – Não é? Dean não pensava deixar que ela o manipulasse apesar do que disse tivesse sentido. Apoiando um antebraço no teto do carro por trás da cabeça de Eve, desviou sua atenção do assunto rumo a outro bem distinto. —Por que ficou pálida quando mencionei que Roger te havia colocado a mão? Ela desviou o olhar. —Não me passou a mão. —Quase lhe arrancou o braço. —Não era nada pessoal contra mim. —Era pessoal você sabe. A julgar pela a forma que soava a Eve não gostou que a corrigisse. —Roger maltrata a todo mundo. É sua forma de ser. Tem que ver com o fato de ser jogador de futebol – dirigiu-lhe um calculado olhar – A maioria dos atletas que conheci é um pouco ogro nesse sentido. Dean não mordeu a isca. —Uma coisa é a imperícia e outra o abuso, e nenhuma das duas coisas têm que ver com os esportes. Muitos dos caras que conheço da SBC são homens de família. Preocupam-se pelas as mulheres, as tratam com amor e respeito. —Também as groupies? Ele sorriu ao captar o tom sarcástico da sua voz. —Não importa de que mulher se trate. Somente um i****a tão inseguro de si mesmo usa o tamanho e sua força contra alguém menor ou frágil – Apoiou o outro antebraço no teto do carro de forma que a deixou encerrada entre o veiculo e o seu corpo – E, para que o saiba, a groupie que me seguiu até em casa não conseguiu o que veio buscar. A expressão de falsa surpresa de Eve lhe deu um aspecto adorável. —Não me diga que seus escrúpulos funcionaram. Ter estado exposta ao sol intensificava seu aroma. A brisa a arrastou ate o nariz de Dean excitando-o. —Não estou muito certo de ter escrúpulos no que se refere ao sexo. —Pelo menos é sincero. —Com você sempre serei – Eve tinha uns olhos azuis realmente lindos. Igual a sua boca. E seu corpo – A verdade é que estava machucado demais para fazer alguma coisa. Então, na manhã seguinte, recebi a carta de Cam e... – Encolheu os ombros – Mandei-a para casa com a promessa de lhe enviar entradas grátis para o próximo combate. Dean aguardou para ver o que achava ela de seu comportamento, mas sua reação fez que quase caísse de costas. Movendo a cabeça negativamente, Eve colocou as pontas dos dedos no torso dele, e com um gesto de lástima brincadeira sorriu. —E se conformou? Menina i****a. Se quer saber minha opinião, obteve o que merecia. Dean tomou ar. —Gosta de jogar. —Normalmente não – o contrariou, deslizando a mão em direção ao seu pescoço – Tenho que ir, de verdade. Vai ficar muito tarde. —Segue de pé para essa noite? Ela fixou o olhar na boca dele e assentiu. —Sim. E espero que valha a pena, depois de todos esses incômodos. —Maldita mulher – Dean apoiou a frente contra ela e riu – Adoro os desafios. E depois de um último beijo quente a deixou ir.
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