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1741 Words
Tem competidores de Brasil, Rússia, Japão, Holanda, Inglaterra e muito outros países. Com grande frequência se esgotam as entradas e algumas podem custar preços muito elevados. Basicamente se trata de dois homens dentro de um quadrado concordando que briguem até que um deles fique fora de combate ou golpeie a lona varias vezes. Cam se mostrou surpresa. —O que acontece se golpeia a lona? —Ás vezes, se sabe que não pode aguentar a dor de um braço, uma perna, um joelho ou tornozelo, pode render-se, abandonar a luta. Pode-se dar o caso de que um lutador fique inconsciente por causa de uma chave de estrangulamento, devido a que se fique sem oxigênio, mas, também pode golpear a lona várias vezes quando notar que está a ponto de perder a consciência. De vez em quando, a decisão corresponde aos juízes, mas normalmente ninguém quer chegar a esse extremo. —Sim, Deus! Não quer que o combate termine sem que alguém se rompa a perna – ironizou Eve. Dessa vez Dean não pode conter a gargalhada. —Os lutadores estão bem treinados e são inteligentes. Além disso, os médicos sempre estão próximos. —Inteligentes? – Eve assentiu em sinal de conformidade zombadora – Sim, tem pinta de ser realmente brilhantes. —Eve. De maneira que Cam havia mudado de lado? Parecia estar defendendo na frente de Eve. Dean negou com a cabeça. —Não acontece nada Cam. No que concerne a SBC, tem vários tipos de mulheres. Temos as groupies, que se voltam loucas por algum lutador de verdade. As que olham com superioridade o assunto apesar de que não entender. E, por fim, aquelas que sentem verdadeiro interesse pelo esporte em si – Girou a cabeça – A que grupo você pertence Eve? Essa o olhava com o cenho franzido, esperando poder dar a volta na situação. —Quando fala de groupies se refere a essas mulheres que se lançam aos seus braços não? —Exatamente – respondeu ele sustendo o olhar – Em meu último combate, coloquei um autografo sobre o peito de uma que terminou seguindo-me até minha casa. Cam aguentou a risada como pode, mas Eve ficou rígida como um p*u. —Igual um cachorro – resmungou quase com um grunhido – Imagine. —Sim, era jovem – admitiu Dean com melhor humor, e em seguida sorriu com cumplicidade – Mas, o suficiente grande. Cam decidiu intervir para aliviar a tensão. —Se todos os combates acontecem nos Estados Unidos por que viaja tanto? Dean deixou em paz Eve... De momento. —Por diversos motivos. É importante adquirir experiência sobre os melhores, o que significa viajar a distintos campos de entretenimento. E tenho patrocinadores por toda a parte, faço giros promocionais e coisas assim. Cam parecia impressionada, mas Eve seguia olhando fixamente seu copo de chá, pelo o Dean não pode entender sua reação. —Tudo isso o faço em meu tempo livre. Quando estou me preparando para algum combate não tenho tempo livre. Ás vezes, treino seis horas ao dia, inclusive mais. Nunca é demais. Para todos os lutadores que conheço praticar artes marciais é sua vocação. —É o seu caso? De jovem treinava para esquecer a raiva. Grover o havia animado, mas era Dean quem havia pagado as aulas, cuidando sempre de que não interferisse com o trabalho. Ou com os estudos. —Sempre desfrutei competindo. Comecei a tomar mais serio na universidade, quando Grover morreu. Foi então quando descobri a SBC. Um dos patrocinadores me viu brigar e ofereceu-se me supervisionar se competisse profissionalmente. Os primeiros triunfos me serviram para pagar a universidade. —Combinava os estudos e a luta? Cam o disse como se parecesse algo extraordinário. —A maioria dos lutadores cursou cursos superiores. Alguns dos mais jovens ainda estão estudando. Outros são homens de negócios, ou profissionais de outra área. —Não parece ser duas coisas compatíveis. —Um i****a não chegaria muito longe na SBC. Trata-se de uma competição tanto física como mental. Tem que ser capaz de pensar com rapidez estando sobre baixa pressão e superar o seu oponente. Cam aceitou a explicação. —Tem sentido, mas sigo pensando que a partir de agora isso me dará motivos de preocupação. E por que teria de preocupar-se? Estava claro que não tinha motivos. Ainda que fosse seu irmão, apenas o conhecia. —É um esporte de contato, mas os médicos estão muito atentos para garantir a segurança do lutador. Eve enrugou o nariz. —Segue parecendo algo espantoso. —A mim parece algo fascinante – reconheceu Cam estendendo a mão por cima da mesa para acariciar a machucada bochecha de Dean – Fez-lhe isso seu último combate? —Sim – E menos m*l que o cabelo ocultava a maior parte dos pontos que havia tido que dar na parte superior da testa, perto da sobrancelha – Recebi sua carta na manhã seguinte da briga – Mudou então a direção do olhar a Eve – E ganhá-la. —Quem dera o tivesse sabido. Poderia ter ido vê-lo – Cam o olhava cheia de orgulho – Quando voltara a competir? —Não farei em um tempo. Decidi descansar primeiro – Para visita-la, mas não o disse – Não participarei em nenhum combate em uns meses. —Ganha a vida brigando? —Sim. Mas, também reformo casas, um negócio igualmente lucrativo. As duas mulheres pareceram igualmente confusas. —Compro casas em m*l estado a um bom preço, as arrumo e logo as vendo por um preço maior – explicou Dean. Eve o olhou com o rosto aceso. Inclinou-se para frente em seu assento como se fosse a dizer algo, mas Cam se apressou em silenciá-la. —Gosta de viajar? Estava escondendo algo, mas Dean não acertava adivinhar o que. —Sempre gostei. Grover se dedicava a construção de casas por todo o mundo. Viajo com motivo de competições e giros promocionais – O que ia dizer Eve? E por que Cam o havia impedido? – Mas, já basta de falar de mim. O que me diz de você? Por alguma razão, Cam parecia envergonhar-se de ser o centro das atenções. —Nada tão emocionante como ser lutador profissional que viaja por todo o mundo – disse ela rindo com timidez – Dirijo o motel de Roger. Ao ouvir o nome de Roger Eve se enfureceu. —O mesmo Roger que poderia converter-se em seu marido? Cam se voltou rumo a Eve. —Contou-lhe da proposta de casamento? A outra encolheu os ombros. —Depois de que o bom Roger o provocara para que iniciasse uma briga, falamos um pouco dele sim. —Oh Dean. Sinto muito – Cam deixou escapar um longo sorriso – Roger tem um problema de insegurança. —Não me diga – disse Dean com um tom seco como pó. Cam assentiu com a esperança de poder convencê-lo. —É ridículo, dado tudo o que conseguiu na vida, mas é como se tivesse que demonstrar algo a si mesmo. Espero que não te dê muitos problemas. —Em absoluto. —Afortunadamente – disse Eve – Dean rejeitou logo – Apoiou um cotovelo na mesa e o observou detalhadamente – E agora que sei um pouco mais sobre você não posso evitar perguntar por que o fez? —Estou acostumado com idiotas que me detenham. Não é nada novo. Terminou-se ele o chá com um longo gole. Somente pensava em Roger deixava um sabor asqueroso na boca, mas não era assunto seu. Que lhe importava se Cam decida casar com ele? Mas, Eve não o deixou estar. —As maiorias dos caras se sentiram tentados a aceitar e demonstrar sua capacidade ou algo. O orgulho masculino e todas essas baboseiras. —Teria o matado – respondeu Dean –Não tenho necessidade de carregar algo assim sobre minha consciência. Cam permaneceu em silêncio, mas Eve havia falado. Apoiou ambos os cotovelos na mesa e se inclinou rumo a ele. —Nunca se sabe. É grande, mas Roger também não é pequeno. Sabia que jogou futebol americano na faculdade? Dean encolheu os ombros. Importava-lhe nada o que teria feito esse cara. —Era um running back muito bom. Provavelmente poderia ter feito profissional de não ser pelo o golpe na cabeça que causou problemas de visão. —Fico feliz por ele – retrucou Dean, imitando a postura dela, de forma que o espaço entre ambos se reduziu até que seus ares se roçaram e pode ver os espessos cílios que marcavam seus olhos – Ainda assim, não teria tido nenhuma possibilidade comigo. Não tem o porte de um lutador, nem os reflexos de um lutador, nem a inteligência de um lutador. —A julgar por suas palavras, é um homem com muitos defeitos não? – brincou Cam – Deveria sentir-me insultada em nome de Roger? Foda. Ao dar-se conta Dean retrocedeu. —Não pretendia insultar, somente estava mencionando os fatos. Mas, deveria dizer a Roger que se mantenha afastado de outras mulheres. Eve fechou os olhos, presa no pânico. Cam elevou as sobrancelhas em gesto interrogativo. E então, uma voz feminina distinta interrompeu o silêncio. —Alguém poderia ter-me dito que tínhamos visita. Dean se voltou. De pé na sala havia uma menina alta, com o cabelo tingido de loiro, revolto e disparado em todas as direções, como se tivesse colocado gel e logo tivesse passado a noite dando voltas na cama. Mediria no mínimo um metro setenta e sete. Uma menina espigada, de ossos longos... Sua irmã menor. Diante de seu olhar, Dean sentiu que seu coração começava a bater com um ritmo desatado. A julgar por sua aparência, sua postura e atitude, estava claro que era um problema de pernas. E por alguma isenta razão gostou disso. De maneira que sua irmã menor se havia convertido em uma menina problema, justo ao contrario de Cam, pelo que havia visto. Somente tinham dois anos de diferença, apesar de que Cam parecia muito mais madura que Jack. O sol grudava na janela da cozinha como uma miragem de círculos dourados de diversa intensidade. Jack se voltou rumo a ele e Dean pode ver a atrevida tatuagem que a menina usava nos quadris, visível debaixo da camisa recortada e os jeans de cintura extremamente baixa que, a pesar de suas longas pernas, chegavam até ao chão. —Jack se levantou cedo – balbuciou Cam, levantando-se rapidamente e dirigindo-se rumo a ela. Com um enorme sorriso acrescentou – Tesouro, esse é nosso irmão, Dean.
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