Festa

1123 Words
Milena narrando Saio do táxi com minha amiga e entramos na enorme festa. Vim como acompanhante dela, já que Bruna é secretária do dono da empresa e também cunhada dele, confuso eu sei, mas ela está em um relacionamento com o irmão do grande chefe. Somos melhores amigas e vizinhas. Desde que nos conhecemos, eu adorei essa maluca e nunca mais nos separamos. Ela me puxa para uma direção e eu só sigo, admirada com a beleza do salão. — Bruna, para de me puxar! — Foi m*l, só queria evitar a namorada do Damon. — Quem? — Meu chefe. Bem, não é namorada. É mais uma mulher que ele chama... eles transam e ele paga. — Garota de Programa? Porque receber depois né… — Tipo, mas acho que não exatamente. Cadê o Gabe? Ele disse que seria o primeiro a chegar com o pai, por isso vim com você. — Amiga, esse tipo de festa não tem música não? — Não. É uma comemoração, mas só uma desculpa para arrumar novos sócios e compradores, bom pra quase todos. — Oi, Bruna — um cara se aproxima de nós, mas ele só olha para mim. É bem bonito, mas tem cara de cafajeste. — Oi, senhor Damon. Amiga, esse é meu chefe. — E cunhado. Qual é o seu nome, mia bella? — Milena — ele tenta pegar minha mão, mas eu puxo. — Você trabalha em quê, Milena? É da empresa? — Sou médica. — Ah, muito bom. Em qual hospital? — Senhor, desculpe interromper, mas preciso procurar seu irmão, e ela tem que vir comigo — Bruna fala, me puxando para longe. — O que foi, amiga? — Digamos que é melhor fugir dele. Ele é estilo o Gabe: obsessivo, controlador, possessivo, ciumento... um italiano das lendas do Wattpad. — Meu Deus, amiga, Deus me livre. — Pois é, eles falam que quando acham a mulher certa, sabem que é ela. Fazem o que for preciso para tê-la, inclusive sequestro. Então, melhor cortar de vez. — E você trabalha pra ele mesmo assim? — Sim, só tive problemas quando o Gabriel me viu e já queria casar. Você lembra como foi quando ele me sequestrou. Agora ele praticamente mora na minha casa, mas o irmão dele me respeita, eu que não dou trela. — Mas o Gabe é incrível. — Ele é, sim. Só... só muito italiano. O Gabriel chega e já beija a Bruna. Eu me viro para não ficar encarando. Um garçom passa e pego uma taça de champanhe. Bebo e faço careta, pois não costumo beber álcool, peguei por impulso. — Amiga, onde consigo algo que não seja alcoólico? — pergunto, quando vejo que eles se separaram. — No bar, vamos. — Amor, eu quero te apresentar a uns amigos. Espera, não acredito que você veio com esse vestido curto. — Que curto nada! A Bruna tá é parecendo uma múmia com esse vestido — eu defendo, e ele ri, concordando com a cabeça. — Para, gente! Eu gostei — ela fala, mas também dá risada. — Amiga, é lindo. — Vocês vão conversar com outras pessoas, mas eu não quero ficar sozinha. Acho que vou embora. — Eu vou te apresentar pra minha mãe, Milena, e peço um suco pra você — Gabriel fala. Eu assinto e eles vão andando na frente. Eles param em uma mesa, onde estão um casal de uns 50 anos. Que casal lindo! — Milena, esses são meus pais, senhor e senhora Rossi. Família, ela é amiga da Bruna. Vou deixar ela aqui e dar uma volta com minha mulher. Vou pedir seu suco — ele fala rápido e sai. — Ai, meu Deus, estou me sentindo um pet — digo, envergonhada. — Não fica assim, meu bem. Senta aí, vamos conversar. Meu nome é Júlia — ela diz, e eu sento. — Você é amiga da minha nora há quanto tempo? — o senhor Rossi pergunta. — Há uns quatro anos, desde que me mudei. Damon chega à mesa e senta uma cadeira de distância. — Por que se mudou, Milena? — ele pergunta, e eu fico envergonhada, já que ele me olhava como se estivesse vidrado em mim. — Porque eu estava terminando a faculdade e era uma boa localização, perto do parque também. Adoro o ar livre. — Milena, você namora? — o sogro da Bruna pergunta, intercalando o olhar entre mim e seu filho. — Não, senhor. Acho que vou ao banheiro — digo, desconcertada. — Fica! Quer dizer... pai, você deixou ela com vergonha. Não vamos mais fazer isso hoje, Milena, eu prometo — Damon diz, segurando minha mão. Um garçom chega com o suco e eu solto minha mão para pegá-lo. Bebo e vejo que os pais dele olham para Damon, e ele para mim. Dou um sorrisinho, e ele sorri de volta. — Não quer champanhe? — dona Júlia pergunta. — Ah, eu não gosto. Na verdade, não bebo nada com álcool. — Isso é raro. Normalmente as pessoas têm problemas para parar. — Verdade — digo, abaixando a cabeça, pela falta de assunto. — Milena, já que você é melhor amiga da Bruna, é da família. Está convidada para jantar lá em casa amanhã — o senhor Rossi fala. — Amanhã não dá, mas obrigada pelo convite. Vou estar de plantão no hospital. — Você conhece nossa empresa? — ele pergunta, tentando quebrar o silêncio. — Na verdade, não. — Bem, nossa empresa é de construção. Construímos casas, prédios, empresas, restaurantes... e também decorações. Fazemos o serviço completo — o senhor Rossi fala, orgulhoso. — Muito legal — digo, sem saber o que acrescentar. — Está com fome? Quer sair para jantar? — Damon pergunta, e um dos seus pais o chuta, porque escuto o barulho e vejo sua cara de bravo na direção deles. — Com licença, vou ao toalete. Me levanto e ando na direção do banheiro, mas na muvuca consigo sair sem ser vista. Eu não vou ficar aqui, vou deixar a Bruna curtir também. [...] Pego um táxi que estava parado e peço para ir ao McDonald's perto de casa. Passamos no drive-thru e eu pago. Compro um combo para o motorista também. Chegando em casa, fico com dó de tirar meu vestido. Ele é tão lindo! Mas, mesmo assim, o tiro. De lingerie, como e escovo os dentes. Tomo um banho e, do jeito que vim ao mundo, me deito na cama. Penso naquela família doida e agora entendo o porquê de eles terem feito tantas perguntas. Só não querem um oportunista por perto. Nossa, fui uma i****a! Tirando a parte do Damon... ele sim tinha outras intenções. Mas eu não quero um louco possessivo na minha vida. Nunquinha!
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