Festa
Milena narrando
Saio do táxi com minha amiga e entramos na enorme festa. Vim como acompanhante dela, já que Bruna é secretária do dono da empresa e também cunhada dele, confuso eu sei, mas ela está em um relacionamento com o irmão do grande chefe. Somos melhores amigas e vizinhas. Desde que nos conhecemos, eu adorei essa maluca e nunca mais nos separamos.
Ela me puxa para uma direção e eu só sigo, admirada com a beleza do salão.
— Bruna, para de me puxar!
— Foi m*l, só queria evitar a namorada do Damon.
— Quem?
— Meu chefe. Bem, não é namorada. É mais uma mulher que ele chama... eles transam e ele paga.
— Garota de Programa? Porque receber depois né…
— Tipo, mas acho que não exatamente. Cadê o Gabe? Ele disse que seria o primeiro a chegar com o pai, por isso vim com você.
— Amiga, esse tipo de festa não tem música não?
— Não. É uma comemoração, mas só uma desculpa para arrumar novos sócios e compradores, bom pra quase todos.
— Oi, Bruna — um cara se aproxima de nós, mas ele só olha para mim. É bem bonito, mas tem cara de cafajeste.
— Oi, senhor Damon. Amiga, esse é meu chefe.
— E cunhado. Qual é o seu nome, mia bella?
— Milena — ele tenta pegar minha mão, mas eu puxo.
— Você trabalha em quê, Milena? É da empresa?
— Sou médica.
— Ah, muito bom. Em qual hospital?
— Senhor, desculpe interromper, mas preciso procurar seu irmão, e ela tem que vir comigo — Bruna fala, me puxando para longe.
— O que foi, amiga?
— Digamos que é melhor fugir dele. Ele é estilo o Gabe: obsessivo, controlador, possessivo, ciumento... um italiano das lendas do
Wattpad.
— Meu Deus, amiga, Deus me livre.
— Pois é, eles falam que quando acham a mulher certa, sabem que é ela. Fazem o que for preciso para tê-la, inclusive sequestro.
Então, melhor cortar de vez.
— E você trabalha pra ele mesmo assim?
— Sim, só tive problemas quando o Gabriel me viu e já queria casar. Você lembra como foi quando ele me sequestrou. Agora ele
praticamente mora na minha casa, mas o irmão dele me respeita, eu que não dou trela.
— Mas o Gabe é incrível.
— Ele é, sim. Só... só muito italiano.
O Gabriel chega e já beija a Bruna. Eu me viro para não ficar encarando. Um garçom passa e pego uma taça de champanhe. Bebo e
faço careta, pois não costumo beber álcool, peguei por impulso.
— Amiga, onde consigo algo que não seja alcoólico? — pergunto, quando vejo que eles se separaram.
— No bar, vamos.
— Amor, eu quero te apresentar a uns amigos. Espera, não acredito que você veio com esse vestido curto.
— Que curto nada! A Bruna tá é parecendo uma múmia com esse vestido — eu defendo, e ele ri, concordando com a cabeça.
— Para, gente! Eu gostei — ela fala, mas também dá risada.
— Amiga, é lindo.
— Vocês vão conversar com outras pessoas, mas eu não quero ficar sozinha. Acho que vou embora.
— Eu vou te apresentar pra minha mãe, Milena, e peço um suco pra você — Gabriel fala. Eu assinto e eles vão andando na frente.
Eles param em uma mesa, onde estão um casal de uns 50 anos. Que casal lindo!
— Milena, esses são meus pais, senhor e senhora Rossi. Família, ela é amiga da Bruna. Vou deixar ela aqui e dar uma volta com
minha mulher. Vou pedir seu suco — ele fala rápido e sai.
— Ai, meu Deus, estou me sentindo um pet — digo, envergonhada.
— Não fica assim, meu bem. Senta aí, vamos conversar. Meu nome é Júlia — ela diz, e eu sento.
— Você é amiga da minha nora há quanto tempo? — o senhor Rossi pergunta.
— Há uns quatro anos, desde que me mudei.
Damon chega à mesa e senta uma cadeira de distância.
— Por que se mudou, Milena? — ele pergunta, e eu fico envergonhada, já que ele me olhava como se estivesse vidrado em mim.
— Porque eu estava terminando a faculdade e era uma boa localização, perto do parque também. Adoro o ar livre.
— Milena, você namora? — o sogro da Bruna pergunta, intercalando o olhar entre mim e seu filho.
— Não, senhor. Acho que vou ao banheiro — digo, desconcertada.
— Fica! Quer dizer... pai, você deixou ela com vergonha. Não vamos mais fazer isso hoje, Milena, eu prometo — Damon diz,
segurando minha mão.
Um garçom chega com o suco e eu solto minha mão para pegá-lo. Bebo e vejo que os pais dele olham para Damon, e ele para mim.
Dou um sorrisinho, e ele sorri de volta.
— Não quer champanhe? — dona Júlia pergunta.
— Ah, eu não gosto. Na verdade, não bebo nada com álcool.
— Isso é raro. Normalmente as pessoas têm problemas para parar.
— Verdade — digo, abaixando a cabeça, pela falta de assunto.
— Milena, já que você é melhor amiga da Bruna, é da família. Está convidada para jantar lá em casa amanhã — o senhor Rossi fala.
— Amanhã não dá, mas obrigada pelo convite. Vou estar de plantão no hospital.
— Você conhece nossa empresa? — ele pergunta, tentando quebrar o silêncio.
— Na verdade, não.
— Bem, nossa empresa é de construção. Construímos casas, prédios, empresas, restaurantes... e também decorações. Fazemos o
serviço completo — o senhor Rossi fala, orgulhoso.
— Muito legal — digo, sem saber o que acrescentar.
— Está com fome? Quer sair para jantar? — Damon pergunta, e um dos seus pais o chuta, porque escuto o barulho e vejo sua cara de
bravo na direção deles.
— Com licença, vou ao toalete.
Me levanto e ando na direção do banheiro, mas na muvuca consigo sair sem ser vista. Eu não vou ficar aqui, vou deixar a Bruna
curtir também.
[...]
Pego um táxi que estava parado e peço para ir ao McDonald's perto de casa. Passamos no drive-thru e eu pago. Compro um combo
para o motorista também.
Chegando em casa, fico com dó de tirar meu vestido. Ele é tão lindo! Mas, mesmo assim, o tiro. De lingerie, como e escovo os
dentes. Tomo um banho e, do jeito que vim ao mundo, me deito na cama.
Penso naquela família doida e agora entendo o porquê de eles terem feito tantas perguntas. Só não querem um oportunista por perto.
Nossa, fui uma i****a!
Tirando a parte do Damon... ele sim tinha outras intenções. Mas eu não quero um louco possessivo na minha vida. Nunquinha!