O dia começou devagar, do jeito que eu gostava. Sem pressa, sem susto, sem batida de moto na rua ou recado estranho na porta. Acordei antes do despertador, com Clara esparramada entre mim e Dante, o braço dela jogado por cima da barriga dele. Ele, como sempre, imóvel. Dormia como se carregasse o mundo inteiro nos ombros, mesmo em descanso. Levantei devagar, puxei o lençol até o pescoço dela e fui pra cozinha. Na cafeteira, o cheiro de café fresco já começava a sair. Ele devia ter programado aquilo na noite anterior. Hábito de homem que sempre quer estar no controle de tudo. Fiz pão com manteiga na frigideira, esquentando até tostar. Clara apareceu logo depois, cabelo despenteado, olhos inchados, mas sorridente. — Bom dia, mãe. — Bom dia, meu amor. Dormiu bem? — Uhum. Tive sonho com

