Ele ainda tava ali, por cima de mim, com o corpo pesado e quente, mas os movimentos suaves, como se quisesse decorar a textura da minha pele. O sofá era pequeno demais pra nós dois, os joelhos dele encostavam no chão, o braço escorregava atrás da minha cabeça, e mesmo assim, ele não parecia querer sair dali. — Tô apertada aqui — murmurei, só pra provocar. — Eu também. Mas não tô reclamando. Senti os dedos dele entrarem por baixo da minha blusa, a palma quente subindo devagar pela minha barriga, até alcançar meu peito. Não era pressa, não era necessidade, era um tipo de toque que dizia mais do que ele conseguiria dizer com a boca. — Se a vizinha bater na porta agora vai achar que você virou dono da casa também. — E não virei? — Você não vira dono de ninguém, Dante. Só acha que vira.

