O quarto estava escuro. Só o som do ventilador girando no teto e a respiração dele pesada nas minhas costas. A mão do Dante estava firme na minha cintura, os dedos apertando minha pele como se quisesse colar a gente ali, pra sempre. Mas eu não conseguia dormir. Aquilo tava me corroendo por dentro. O bilhete, a expressão dele quando viu, o moleque correndo... E os dois outros recados que eu escondi. A raiva dele era um bicho solto, eu sabia. Mas o silêncio entre nós era mais perigoso agora. Respirei fundo. Virei devagar, de frente pra ele. — Dante... Ele abriu os olhos na mesma hora. Não devia estar dormindo de verdade. A mão dele deslizou até a minha nuca, como se o toque acalmasse. — Fala. — Não foi o primeiro bilhete. A expressão dele não mudou de imediato. Mas o silêncio mudou d

