76. Luna

1112 Words

O segundo bilhete apareceu dois dias depois. Foi deixado no portão. Sem envelope, sem assinatura, sem cerimônia. Alguém teve a coragem - ou a cara de p*u - de chegar até a frente da casa e enfiar o papel amassado por debaixo da grade, como se entregasse um recado qualquer. Eu quase não vi. Quase passei direto. Estava indo pendurar as roupas no varal dos fundos quando percebi aquele pedaço de papel molhado de orvalho, dobrado m*l e m*l, perto do batente. Parei. Olhei pra fora, instintivamente. Não tinha ninguém. Peguei o bilhete com as mãos trêmulas. E quando desdobrei, a primeira coisa que vi foi o meu nome. Luna. Escrito com letras feias, rabiscadas, como se cada traço tivesse sido pressionado com raiva. "Você pode enganar ele, fingir vida de madame. Mas a gente ainda lembra de onde

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