Eu ainda estava sentada no sofá quando escutei o ronco da moto subindo o beco. Me levantei de um salto e fui até a janela, abri só uma fresta da cortina e vi quando ele parou a moto na frente de casa. Ele desceu com o corpo pesado, como se cada passo fosse um esforço. A roupa suja de terra e poeira, as mãos com marcas de sangue seco nos dedos, o cabelo desgrenhado, o olhar cansado mas vivo. Meus joelhos quase falharam de alívio. Corri para a cozinha, enxuguei as lágrimas rapidinho com o pano de prato, tentando disfarçar o estado em que estava. Mas no fundo, sabia que não adiantava. O portão rangeu, a porta abriu sem cerimônia, como sempre fazia, e ele entrou. Os olhos dele me acharam na hora. Primeiro uma encarada rápida, como se estivesse checando se estava tudo certo. Depois, um olhar

