Era um sábado com cheiro de tranquilidade. Depois das panquecas, da bagunça na cozinha e das piadas sem sentido da Clara, Dante apareceu na sala ajeitando a camiseta sobre o corpo e jogando as chaves do carro na mão. — Vai se arrumar, bonequinha. Hoje cês vão almoçar como rainhas. Clara vibrou no sofá como se tivesse ganhado uma viagem pra outro planeta. Eu o encarei por alguns segundos, levantando a sobrancelha. — Onde você vai levar a gente? — Lugar decente. Restaurante, comida boa. Ar-condicionado. Toalha na mesa. Tudo. — Tu sabe que só o nome "Dante" já faz metade da Zona Norte prender o garfo na mão, né? Ele deu de ombros. — Quem quiser olhar, que olhe. Não vou esconder você nem a pequena. Havia algo naquilo que apertava meu peito. Porque por mais que ele fosse doente, bruto,

