O caminho até a escola parecia mais longo do que nunca. Minhas pernas pesavam, como se cada passo fosse contra a vontade do meu corpo. Eu andava olhando pro chão, com a cabeça cheia. O cheiro dele ainda grudado em mim, a sensação da pele marcada pelos toques dele... e agora aquela casa nova esperando por mim. Por nós. Respirei fundo antes de virar a última esquina. Quando cheguei no portão, a Clara já estava lá, com a mochila nas costas, pulando de um pé pro outro. Quando me viu, abriu aquele sorriso que só ela sabia dar. — Mããããe! O jeito que ela me chamava desse jeito sempre rasgava alguma coisa dentro de mim. Me agachei e ela veio correndo, me abraçando pelo pescoço, toda suada, toda agitada. — Hoje a Tia Simone deixou a gente pintar com tinta de verdade — contou, rindo, enquanto

