A primeira coisa que senti foi o cheiro. Não de sangue, não de pólvora, mas dela. O cheiro da pele da Luna, misturado com o suor, o sabonete barato e alguma coisa doce que eu não sabia o que era, mas que ultimamente estava grudado na minha memória feito maldição. Abri os olhos com dificuldade. A cabeça latejava. O corpo parecia ter sido atropelado por um caminhão duas vezes. A luz da manhã entrava pelas frestas da cortina. O rádio na mesa ainda estava ali, mas pela primeira vez em muito tempo, ele estava desligado. Virei o rosto para o lado e foi quando a vi. Sentada no chão, encostada no sofá, dormindo daquele jeito todo torto, com as pernas dobradas de qualquer jeito e os braços cruzados na barriga. O cabelo bagunçado, o rosto cansado, as olheiras fundas. Ela devia ter passado a no

