Eu estava sentada no chão da sala, separando algumas roupas que a Clara tinha perdido por causa do frio. Ela tinha crescido rápido demais nos últimos meses. Em menos de dois meses, o guarda-roupa dela parecia de criança de dois anos atrás. A mente ainda estava pesada com a conversa na escola. Aquele maldito aviso de que o Conselho Tutelar poderia se meter na nossa vida a qualquer momento. Só de lembrar da diretora insinuando que eu era um perigo para minha irmã, o estômago já embrulhava de novo. Eu estava dobrando uma blusa quando ouvi o barulho da porta se abrindo com força. Dante entrou com o passo largo de sempre. Sem bater, sem pedir licença, como se a casa fosse dele. Mas dessa vez, tinha um sorriso no rosto. Não era o sorriso debochado de sempre, nem aquele sorrisinho torto de quem

