O dia passou rápido demais. Depois de buscar a Clara na escola, ela veio o caminho inteiro contando, empolgada, sobre uma aula de artes em que tinha feito um desenho com papel colorido. — Mãe, posso mostrar pro Dante? A pergunta me pegou no meio do trajeto, com as sacolas de pão e frutas equilibradas nos braços. — Pra quê? — Disfarcei, tentando soar indiferente. — Porque ele vai gostar — ela disse com naturalidade, como se fosse óbvio. Suspirei, ajeitando a alça da bolsa no ombro. Chegando em casa, ela nem me esperou abrir o portão direito. Entrou correndo, deixou o tênis na porta e foi direto pro quarto buscar o tal desenho. Dante estava sentado no sofá, mexendo no rádio de comunicação, o olhar concentrado nas frequências. Clara chegou com o papel nas mãos, se jogou ao lado dele n

