O sol já estava se pondo quando deixei a última quentinha na loja de materiais de construção. Seu Zeca me pagou com moedinhas e pediu desculpa, como sempre. Eu só sorri, peguei o trocado e voltei pra casa da Paloma com as mãos meio congeladas pelo vento que batia entre os becos. — Brenda! — ela gritou da janela assim que me viu virando a esquina. — Tô morta — falei, jogando a mochila no chão assim que entrei na cozinha apertada. Paloma veio com uma vasilha de arroz doce na mão, já me oferecendo. — Come, que tu merece. Fez quanto hoje? — Duzentos e trinta e cinco. Tirando o que gastei no frango, no arroz e no gás, sobrou setenta. Tá ótimo, né? — Não tá, amiga. Mas você faz milagre. Ela se sentou do outro lado da mesa, me olhando como se tivesse querendo dizer alguma coisa há horas.

