Capítulo 5

2364 Words
3º ENCONTRO Quarta. 21h: 48m. Terminando de me arrumar saio do quarto e antes que eu passasse pela porta sou incitada imediatamente a parar com os passos. — Mas uma reclamação e você está na rua. _Era o dono da boate em toda a sua glória, irônico e temível, encostado na porta do seu escritório. Àquele risinho ridículo no canto da boca me fez querer arrancá-lo na ponta da faca. O ignoro e respiro profundamente ao seguir para uma sala que me levava à saída. — Vá com Deus, Bella, e se comporte, por favor. _Proferiu a Ruthy quando me aproximei. Era nítido que eu não seguiria esse conselho. Então revirei meus olhos sem que ela avistasse e assenti para que ela ficasse despreocupada quanto a isso. — O nosso motorista a levará para o seu destino. _ Decretou o dono da boate, ressurgindo novamente como o próprio demôn*o das profundezas do infern*. Nada digo, apenas saio da casa e entro no carro que já me aguardava de portas abertas. E lá vou eu... *** Arrumando o meu vestido, adentro no restaurante. Eu estava bonita, percebia isso, pois chamava atenção ao andar, mas confesso, não era o tipo de roupa que eu estava acostumada. Vestido longo e f***a na perna. É desconfortável. Não me sinto eu mesma. Eu gosto mesmo é de tirar a roupa. — Boa noite, senhorita. Em que posso ser útil? _Minha atenção era direcionada a um homem alto e uniformizado de preto. Tudo o que não parecia era um garçom e sim alguém mais importante e que certamente me instruiria em informações. — O senhor David, ele já chegou? _Essa era uma única informação que eu tinha do indivíduo com quem eu ia jantar. Um nome, só um nome. — Ele está no estacionamento... Bem ali. _Sorrindo, o homem apontou o dedo para o vidro impecável que circulava todo o ambiente. E eu seguia o caminho que seu dedo fez. Vislumbrei um homem encostado numa BMW, mexendo no celular como se não houvesse o amanhã. A raiv* a princípio me domou inteiramente e assim, eu dei meia volta e me coloquei a sair para fora, vagando para a entrada do restaurante. Por um instante cessei o andado para analisar de longe melhor a situação, cheguei a me questionar se esse desavisado não sabia do nosso encontro. Balançando minha cabeça em pura descrição, vago até me aproximar dele. — Olá? _Balbuciei. Seu olhar lentamente viajava dos meus pés para cima. — Cibely. _ Me saudou antes de se desprender do carro e estender uma mão, dando impulso para me beijar. Automaticamente retrocedo dois passos para trás e avalio melhor o carro. Quem perdoa é Deus. Eu não... — Não vai dizer-me que está aqui esse tempo todo na espera do manobrista aparecer para passar instruções de como e com qual perna se deve entrar primeiro nessa sua lata?. _Pergunto, olhando para os lados. — E eu acreditando que dessa vez podia rolar um boqu*te debaixo da mesa. — Vamos com menos sede ao pote, senhorita. _Dito isso, ele jogou a chave para alguém e saiu andando. Resmungando, eu o segui. É com isso que eu vou jantar? Dentro do restaurante fomos recepcionados até uma mesa, no canto a esquerda e distante de todos. — A bebida de sempre, senhor David? O tal David me olhou e em seguida para o garçom. — Por favor. _Confirmou e eu pisquei confusa. — E se eu não quiser a sua bebida? _Estou escandalizada e não é pouco. — Beba água. _Ele colou as costas na cadeira e continuou a encarar-me. Confesso que já estava ficando chato suas olhadas audaciosas. — Não tenho ouvido boas coisas ao seu respeito. _ Confidenciou. Abro a boca para dar uma explicação, mas ele está em alerta e me corta. — E eu também não estou interessado. Engoli a própria saliva, conhecendo que esse seria o pior jantar de toda a minha vida e me calo, visualizando o jarrinho de flores acima da mesa. — Eu sou jogador... — De futebol? — Não. Cassino. _Relaxo os ombros e ele emenda. — Conheço todos tipo de trapaça, então não queira jogar comigo que você irá perder... _Limita a frase para estalar o dedo. — Assim. Isso é algum tipo de ameaça? Esse homem acha que me intimida? Não, acho que ele não tem peito para isso. — O que eu poderia jogar com um id*ota como você? _Tenho um sobressalto. — Já sei, pode ser esconde-esconde. Tipo, você some tão rápido quanto um estalar de dedos e eu finjo que te acho. Ele sorriu. — Errado. Eu faço as perguntas e você responde. Não esqueça, estou pagando para ter você aqui. Levanto os braços e me rendo. — Okay. O garçom apareceu com o vinho e abriu a garrafa perante os meus olhos. Não vendo perigo ergui a minha taça para que eu fosse servida, feito, balanço suavemente o líquido aromático e degusto. É bom. O David assente para o garçom e o mesmo entende o sinal e nos deixa a sós. — Quando desconfiamos que estamos sendo corno é por que estamos exatamente sendo corno ou não? _Feito a pergunta, depositou a taça na mesa. Foi constrangedor o berro que eu deixei escapar ao ouvir o que ouvi. Eu estava diante de um corno nato. — Não entendi, senhor. _ Digo sem acreditar e frizo. — O senhor está a pagar para eu ser a sua ouvinte amorosa? _Nada ele diz. E eu completo. — Quer mesmo que eu responda? _Arqueio uma sobrancelha. — Estou a ser corno? _Ele estava impaciente. E como é que eu vou saber disso, criatura? — Bom... _ Tossi. — Não sou a pessoa mais indicada para responder isso, mas, já que você insiste em querer saber a minha sincera opinião. _Bebo outro gole de vinho e volto ao que estou tentando fazer. — Acho que não. Ele enruga a testa e se remexe. Parecia pouco orgulhoso da minha resposta. — Então, porque ela não me procura mais? Talvez seu amigo seja muito pequeno e não faz cócegas. O olho. Eu tô mesmo me prestando a isso? — Você deve está a jogar muito e deixando de lado a família, caso contrário não teria outra explicação. Só se faz pouco caso quando tem indiferença. _Saliento. O que estou fazendo? — Está a dizer que isso é consequência dos meus atos? É minha culpa, é isso? _ Em desespero, ele bebeu o líquido em sua taça de uma só vez. — Estou a afirmar. Olha, senhor David. Nós mulheres temos dignidade e sentimentos que poucas vezes é valorizada. Não estamos disponíveis para só a hora que vocês querem... você tem que cair na real. Viver no trabalho e não procurar a família leva ambos a pensar imagináveis coisas que não existem, acredite, não é só você que acha que está a ser tapeado. _Seu olhar em mim era firme. Molho os meus lábios. — Ela, sua esposa também deve achar isso a seu respeito. Ele jogava as mãos no rosto e a esfregava, rastejando para que os dedos fizessem caminho para dentro dos seus cabelos. O ato parecia de alguém bem agoniado. Quando o cardápio veio tive a minha confirmação enquanto o tal David fazia os pedidos por nós dois. Ai está o problema, ele quer tudo do jeito dele. Pobre da esposa! — Então há um problema muito sério comigo. _A afirmação era para si mesmo. Interrompo sua guerra mental. — O senhor acabou de pedir a minha comida sem se importar se eu sou alérgica a camarão ou não. _Revelo. De repente, ele me olha. — Você é alérgica a camarão? _Seu semblante era de preocupação. Nego. — Não... Mas eu poderia ser. _ Acabamos caindo na gargalhada. — O cara que te escolher terá muita sorte. Por um segundo vi-me sem graça. — Diz isso porque não me conhece bem. _ Mordo os lábios, cruzando as pernas. — Me disseram que você era um tanto atrevida. _ Sorriu de lado. — Mas não estou a ver isso. — Por acaso você esta me comparando com uma santa? _ Finjo estar ofendida ao levar a mão a testa. — Olha a infame senhor, é pecado. Minutos depois nossos pedidos eram pousados na mesa. — Se eu lhe contar algo, você promete guardar segredo? _Pergunta depois que o garçom saiu. A curiosidade em mim dava sinal em cada poro do meu ser. — Claro. — Tem alguém muito poderoso por trás de tudo isso. _Contou. Me engasgo. — Por trás desses encontros? Ele assentiu. — Sim, ele te conhece como a palma da mão. _Confessou. Aterrorizada, me pergunto como? Como ele sabe tudo ao meu respeito. — Posso te falar outra coisa? Balanço a cabeça positivamente e a inclino, achando que obterei mais informações sigilosas. Quem sabe eu não descubra quem é o infel*z desnaturado que está brincando comigo de gato e rato. — Meu sonho é devorar uma ruiva por trás. _ O que? — Mas é uma pena eu não poder te tocar. Revirei os olhos. — É claro seu escroto do infern*. Esqueceu que é casado? _Me revolto, estreitando o olhar nele. Que m***a, em? — Realmente. _Fala arrumando a gravata e volta a sua postura inicialmente. — Como foi parar naquele lugar? Remexo na cadeira, sentindo-me desconfortável. — Se não se importa, eu me recuso a responder essa pergunta. _Desvio o olhar. — Achei que você não fosse virgem... _Com tudo, volto a encará-lo. — Mais sim... você é muito virgem. _Declara, sorrindo torto. Olha ai, hoje eu vim comportada e pareço virgem. anteontem vim mais decotada e me chamaram de PROST*T*T*..... Ainda dizem que as pessoas não nos julga pela roupa. — O que isso interessa para todos vocês se tem alguém por trás de tudo? Aliás, por que eu tenho que me encontrar com vocês? Por que esse doido não dá as cara? Eu deveria ao menos escolher com quem dormiria, não? Só agora caía a minha fixa de que nem isso eu tinha o direito. — Talvez, se pensasse com clareza teria a resposta que procura. Pensar e pensar, eu já havia feito isso por tantas vezes desde que me vi solitária no mundo. Mas nunca encontro motivos, tão pouco respostas para toda essa minha desgr*ç*. O olho, devastada. — Preciso ir. _Ele levantou. — Foi um prazer conhecê-la, Cibely. — Devo agradecer por ser seu prazer? _Pego em sua mão estendida e aperto. — Não. Hoje eu prometo, Cibely... Terei minha esposa de novo. _Retira a carteira e deixa algumas notas na mesa. No fundo, eu estava feliz por dar um mísero conselho e realmente esperava que ele se resolvesse com a esposa. — Obrigada… e boa sorte. _Desejo e antes que ele me desse as costas proferi. — Essa pessoa importante, ele está aqui por perto? — Ele saiu a meia hora de viagem. _Confidenciou e saiu, deixando-me sozinha e de braços cruzados. Definitivamente de mãos atadas. Mais essa senhor, mais essa! Pego minha bolsa, me coloco de pé, passo a mão em uma das notas e saio do restaurante. Retiro o meu celular da bolsa e me decepciona não ver nenhuma mensagem. Impossível não enxergar a frustração em minha pessoa. Erguendo o olhar presencio um táxi, aceno e guardo o celular em minha bolsa. Matadouro sempre estará a minha espera. *** Pago o taxista e então vou para os portões da Show Libertine, ficando em frente à boate e encarando tudo aquilo, os muros e os portões de ferro. Espremendo os meus olhos, é inevitável a lembrança. Meus pais continuam vivos em mim como o mesmo odi* que eu nutri por eles por todo esse tempo. Eles sempre foram o verdadeiro motivo de eu estar aqui. Eles não deviam ter feito o que fez comigo. Me tratado como um nada. Respiro profundamente. Por que, minha mãe? por que, meu pai? por que me magoaram tanto e não me deram uma explicação para tudo o que venho vivendo? por que se foram e não me deram respostas para isso que fizeram comigo? Descobrindo que, na verdade, eu não era tão forte como achei que fosse não me permito continuar a chorar e passo o dorso da mão com força no canto dos meus olhos, limpando as lágrimas que insistiam em escapar ao me lembrar que meus pais nunca foram as pessoas honrosas que acreditei por anos que fossem. Suspiro exaurida, cansada e sem cabeça para mais nada e adentro na boate, seguindo para beber água na cozinha. — Já veio, _ Assustada, não tenho equilíbrio do copo de vidro em minha mão e assim o mesmo escorregou, caindo no chão e espalhando os cacos. Trêmula, olhei para trás com medo. — Acho bom ter feito tudo certo. — Não se preocupe senhor, eu sei o que está em jogo e o motivo deu está a aceitar tudo que o senhor escolheu para mim. _ Me abaixo para recolher os cacos. Eu só não contava com o ele caminhando em minha direção e pisando fortemente na minha mão que recolhia os vidros quebrados. Eu sentia o vidro farpar lentamente a palma da minha mão me ocasionando um rugido arrastado de dor. Meus olhos ardiam ao subir o olhar. — Boa noite. _ Pisou mais forte. Eu trincava os dentes. Só pude respirar aliviada quando me livrei e ele saiu pisando firme, gargalhando da minha situação deploráv*l. Agindo ou não como ele quer, eu sempre sofreria consequências. Sopro levemente o ar e observo o corte profundo que já nem doía tanto, arranco o caco de vidro cravado na minha carne e fico de pé, indo rapidamente até a pia e a lavando, seco e enrolo o guardanapo em volta para voltar a recolher os cacos e jogá-los no lixo. Na mesa, pego minha bolsa e sigo para o quarto onde dormíamos, atiro a bolsa na cadeira ao lado e vejo um pijama para dormir, tomo um banho rápido, me troco com dificuldade e faço um curativo m*l feito para me jogar na cama. Esse cara me odeia tanto que não duvido que algum dia ele me m*te.
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