Capítulo 04

2577 Words
>> Maya >> Eu fui acordada outra vez com o barulho do meu despertador, levantei a cabeça com dificuldade e procurei o celular com a não por toda a extremidade do colchão que eu conseguia alcançar, desliguei o barulho irritante de pintinhos gritando e me sentei na beira da cama, eu tentei levantar, mas a cólica que eu estava sentindo foi tão forte que me fez sentar de novo, com a mão no "pé" da barriga e uma careta de dor. Coloquei as mãos no joelho e olhei para baixo, eu não era de sentir muita cólica, ainda mais sem está menstruada, mas esse mês ela veio castigando e eu não duvidaria se a minha menstruação viesse mais cedo que o de costume. Levantei mesmo com dor, porque hoje era dia de vender lanches e eu não queria dá motivos para minha vó reclamar mais uma vez sobre a minha inutilidade dentro de sua casa. Abri o guarda roupa, observando cada peça de roupa dobrada e optei por um short de pano preto com elástico na cintura e uma regata cinza um pouco afogada, peguei a roupa íntima e saí do quarto indo direto para o banheiro. Me despir completamente enquanto olhava para o espelho, meu rosto estava um pouco inchado por que eu dormi cedo e acordei uma hora mais tarde do que estou acostumada. Escovei os dentes e segundos depois me joguei no box e abrir o chuveiro, sentindo a água fria do chuveiro atingir a minha pele quente como se fosse adagas afiadas, levei um tempo para me acostumar, e quando eu acostumei tive que me apressar porque minha avó acordou e provavelmente daqui a pouco queria o banheiro desocupado. Normalmente eu faço uma maquiagem básica nos dias normais, mas hoje eu estava sem ânimo para qualquer coisa que me desse trabalho, caminhei até o quarto com a roupa suja na mão e fui até o cesto para jogar a peças de roupas. — Esse short está curto, Maya, não quero ninguém no meu ouvido falando que você se aproveita para seduzir os homens enquanto vende lanche — Olhei incrédula para mim vó que estava escorada na porta do meu quarto, eu fiquei um tempo encarando a senhora de longos cabelos brancos, amarrados em um r**o de cavalo baixo, minha avó tinha um olho castanho claro que eu achava lindo, e uma pele bem mais clara que a minha. — É só um short, vó, todo mundo usa. — Falei como quem não queria nada e tentando parecer o menos ofendida possível pelo fato dela praticamente me chamar de oferecida. — Eu não vou falar duas vezes, Maya. Não quero mulher na minha porta reclamando que você tá pegando o marido do zoto — Ela saiu da minha porta antes que eu pudesse falar alguma coisa, eu umedeci os lábios e respirei fundo, me abaixei no guarda roupa e peguei a minha caixinha com algumas cédulas e moedas que eu havia guardado para algum momento. Minha avó cobrava R$200,00 pelo quarto, R$50,00 pela água, R$50,00 pela luz e R$100,00 pela comida e outras despesas que eu consumia. Eu ganhava R$450,00 por mês no bar trabalhando apenas finais de semana e fora algumas gorjetas que os clientes me dava, eu pagava tudo e o que sobrava eu guardava para um dia poder poder abrir ou ter algo que eu realmente possa chamar de meu. Eu respirei fundo e tirei do bolso da roupa suja uma nota de cinquenta reais, fechei a caixa e coloquei no canto escondido do guarda roupa antes que a minha avó tivesse a chance de saber da existência dela. Eu não sei se ela seria capaz de pegar sem a minha autorização, mas com certeza me diria mil e uma razões para que aquele dinheiro pare na mão dela. Troquei o short por um mais afogado e saí da casa empurrando o carrinho de lanche com dificuldade, porque eu ainda estava com dor e estava me sentindo um pouco fraca por não ter comido nada pela manhã. Quando cheguei na entrada do morro com o carrinho de lanches da minha vó, observei o movimento das ruas e dos vapores que ficavam na barreira controlando a entrada e a saída do morro de todos os moradores e visitantes do morro, não demorou muito para que os vapores começassem a comprar lanches. Dona Cláudia é uma cozinheira de mão cheia, quase tão talentosa quanto a minha mãe, por isso que seus lanches sempre são os que mais vendem, é quase uma raridade voltar para casa com alguma peça. A coxinha na minha mão me fez lembrar da infância, minha mãe costumava tirar um dia na semana para cozinhar algo diferente, me chamava para ajudar e no fim tudo terminava em uma grande meleira e muitas risadas. Mas quando Fábio apareceu em nossas vidas, tirando da gente a vida do único homem que eu já fui capaz de amar e admirar, tudo mudou, minha mãe se apaixonou perdidamente por ele, até por que ela sempre teve uma queda por homens que a tratava como um lixo, ou que usava ela como boneca de consolo, assim como o JP usava. Sei que nada justifica o fato dela ter ajudado a sequestrar a Melissa ou muito menos ter colocado a arma no na cara dela, mas se o JP não tivesse alimentado cada vez mais a ilusão de que um dia ela poderia ter se tornado a fiel dele, tudo poderia ter sido diferente. Minha mãe estava emocionada? Claro que sim, nunca disse ao contrário, mas se ele viu que ela era assim desde o início, talvez tivesse sido melhor não ter continuado a ficar com ela, em vez de ter dado corda e depois puxar de uma única vez. No final das contas a única que não teve sua parcela de culpa foi a Melissa. — Quero uma coxinha e de quebra a gostosa da vendedora, por favor — Levantei o rosto com um sorriso ao ouvir a voz da minha amiga, Carla estava com um vestido verde soltinho, com os cabelos bem curtos colocados para trás com a ajuda da tiara. No seu rosto ela estampa um sorriso de orelha a orelha, rostinho esse que me deixou receosa de fazer a pergunta a seguir. — Eu não estou à venda, mas agradeço o bom gosto. — Dei um beijinho no ombro e me levantei para pegar a coxinha dela, foi o tempo que a morena dava a volta pelo carrinho e se sentava na cadeira ao lado da minha. — Eu odeio a sua vó, mas que a bicha sabe cozinha ela sabe — Disse com a boca cheia e eu dei risada negando com a cabeça — Hoje é o aniversário do Coringa. — E quem é o doido que comemora a data de nascimento daquele homem? — perguntei como quem não queria nada, colocando os sachês de katchup e maionese em saquinhos de geladinho e ela deu um muxoxo. — Só o morro todo — Diz como se fosse o óbvio — O que eu quero dizer é que vai ter baile com bebida grátis, e nós vamos — Eu olhei para ela como se procurasse algum problema nela, por que é lógico que essa menina não é normal. — Tá de s*******m né? Nem morta que eu vou pra esse baile — Ela me olhou como se eu fosse de outro planeta ou simplesmente tivesse dito algo sem nexo. — Deixa de ser r**m, garota, eu mato e morro por você e você quer me deixar sozinha naquele baile cheio de bebidas grátis e homem gostoso — Ela brigou comigo como se estivesse falando de algo sério, o que me fez dar uma gargalhada que quase me fez cair da cadeira. — É bom que sobra mais, boba.— Falei e ela revirou os olhos enquanto colocava o resto da coxinha na boca. — Tá com medo de ficar com o coringa de novo dona Maya? — Ela cruza os braços e eu tomo um susto quando alguém aparece do meu lado. — Quem vai ficar com o coringa? — Luka pergunta curioso e eu olhei para o mesmo com o cenho franzido — Para de me olhar assim, eu sou tímido. — Ninguém vai ficar com o Coringa, eu só não quero ir, estou me sentindo m*l — Resmunguei, fazendo com que a Carla estreitasse os olhos para mim em dúvida, enquanto seu irmão me olhava preocupado. — Quer ir ao médico? Já tem uns dias que você tá se sentindo m*l né? — Perguntou me fazendo negar com a cabeça, já tinha algumas semanas que eu estava sentindo dores de cabeça, tontura e cólica, mas nada tão forte que me fizesse ir ao médico. — É melhor ir no postinho, vai que é dengue. — Vira essa boca pra lá menino — Reclamei empurrando o ombro dele e ele riu. — Isso é mentira dela, ela tá com medo de ficar careca. — Carla me fez olhar para ela indignada. — Se você for, eu prometo que não deixo ninguém tocar nesse seu cabelinho lindo — Luka coloca a mão no meu cabelo, fazendo com que eu encolha os ombros um pouco envergonhada pela seu gesto exagerado, e coloca no rosto aquele sorriso lindo que só ele tinha, eu solto ar pela boca e revirei os olhos — Você me deve uma por nunca ter tempo pra sair comigo e eu não aceito não como resposta. Eu fiquei um tempo encarando meus dois melhores amigos, eles me encaravam de volta como se estivessem loucos pela minha resposta, e como eu sou uma grande Maria vai com as outras, eu assenti com a cabeça me dando por vencida. No fim da tarde os lanches já tinham acabado, Carla me ajudou a levar o carrinho para casa, já que eu sempre tive mais dificuldade para subir o morro com ele do que descer. Entrei no meu quarto e comecei a procurar uma roupa, com a esperança de encontrar algo que preste antes que a minha avó saia do quarto. Coloquei uma calça jeans em um saco, um cropped regata de tricot cinza e um casaco do Luka azul escuro quadriculado que eu tinha que devolver. Eu saí de casa como uma fugitiva e fui em direção a Carla que me encontrava na porta. Fomos o caminho a casa dela conversando normalmente, até que eu senti alguns olhares na minha direção, virei para a cabeça para trás algumas vezes mas não encontrei ninguém que eu conheça. Chegamos a casa de Carla e cumprimentei os pais dela, o pai como sempre muito simpático me recebeu com um sorriso, já a mãe… Carla me puxou para o quarto dela, tomamos banho, uma de cada vez. Nós vestimos e saímos da casa indo em direção a quadra. Não demorou muito para chegarmos na quadra, o funk tocava bem alto e a mesma já estava lotada, fomos até o barzinho e pedimos as bebidas. Corri meu olhar por toda a quadra, dando risada com alguns meninos que entortavam os braços e as pernas no passinho do magrão e do Luka que dançava de maneira seduzente me encarando. Logo ele segurou a minha mão e por mais que eu negasse com a cabeça ele conseguiu me arrastar até a quadra onde tocava uma música música do ferrugem. Ele segurou a minha cintura colando o meu corpo ao dele e começou a movimentar nossos corpos no ritmo da música. Eu não conseguia parar de rir da voz fina dele acompanhando a música e segundos depois, eu voltei a sentir olhares em minha direção como mais cedo. Olhei para o lado assim que Lukas colou ainda mais meu corpo ao dele. Percorri a quadra com o olhar, a procura da Carla ou de qualquer outra pessoa que eu conheça, foi quando o meu olhar se encontrou com o dele. Coringa olhava fixamente para nossa direção com a expressão fechada e o olhar de quem poderia fuzilar qualquer pessoa sem nem sair do lugar. Eu tentei ignorar, mas meu coração começou a palpitar em sinal de adrenalina à medida que ele encarava a cada segundo com mais precisão, eu me soltei do Lukas e fui até o bar, soltando o ar que eu nem sabia que tinha prendido. — Me dá qualquer coisa com bastante álcool — Foi tudo o que eu falei para o moço que apenas assentiu, meu estômago começou a revirar e eu fiquei levemente tonta assim que ele colocou o copo da bebida na minha frente. Eu peguei o copo e fui para o lado de fora da quadra para tentar respirar um ar frio, coloquei as minhas costas contra a rede da parte exterior e respirei fundo diversas vezes. Depois de já me recuperar eu me virei para entrar, mas a presença de um homem que parecia ser o dobro do meu tamanho me impediu. — Tá tudo bem aí? — Perguntou, me fazendo franzir o cenho e olhar para ele confusa, o mesmo me encarava com a expressão séria e seu cabelo loiro estava na testa pelo fato dele ter inclinado um pouco a cabeça na minha direção para que pudesse me encarar melhor. — Você se importa? — Ergui a sobrancelha desconfiada e os lábios dele se curvou em um sorriso. — Não, mas sou curioso — Ele coloca o cigarro que só agora eu percebi está na sua mão e eu reviro os olhos — E não quero correr o risco de ser roubado. — Não troca o disco nunca? — O mesmo soltou uma risada pela narina e jogou a fumaça em minha direção, eu comecei a tossir por causa do incômodo e sentir o meu estômago revirar. — Eu nunca roubei nada de ninguém. — Só marmita do seu Ricardo — Revirei os olhos entediada — Tá de caso com o Luka? — Eu olhei para o lado, surpresa por ele estar me perguntando algo, em vez de insinuar alguma besteira ou simplesmente continuar com a conversa antiga. — Por que? Tá surpreso? — Olhei para o mesmo que levantou a sobrancelha enquanto me olhava de soslaio — Ou acha que toda mulher que t*****r com você tem que ficar correndo atrás só porque você fode gostoso? Eu arregalei os olhos quando percebi as palavras que saíram da minha boca, e engolir em seco quando o homem caminhou em minha direção em passos lentos, fazendo com que eu o acompanhasse com os passos para trás, minhas costas bateu na rede da quadra e ele colocou uma mão apoiada no ferro. Os olhos de Coringa fixados nos meus fizeram a minha respiração acelerar e o meu coração pulsar cada vez mais forte. — Quer dizer que você gostou? — Perguntou umedecendo os lábios com um sorriso e eu engulo em seco quando sua mão coloca o meu cabelo atrás da orelha. — Aquilo foi um erro — Minha voz saiu firme e eu pedi graças a Deus mentalmente por não ter deixado minha perna vacilar quando ele começou a descer o dedo pela minha mandíbula enquanto encarava a minha boca. — Então, por que não erra de novo? — Seu olhar subiu para meus olhos, eu senti o meu coração acelerar quando ele passou seu polegar pela minha boca e umedeceu os lábios — Eu vou te fuder tanto, que a sua b****a vai latejar só de ouvir o meu nome.
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