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Sinfonia do Caos

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Blurb

Ele a observa das sombras. Conhece seus passos, seus medos e seus segredos mais profundos. O que começou como uma fixação silenciosa logo se transforma em um jogo perigoso de controle e sedução. Quando seus caminhos finalmente se cruzam, ela se vê enredada em uma teia psicológica da qual não sabe se quer escapar. Envolvida por um homem misterioso, magnético e implacável, ela terá que decidir se luta contra o perigo iminente ou se entrega de vez à escuridão que ele oferece. Uma história intensa sobre obsessão, segredos e uma paixão proibida que desafia os limites da sanidade. [+18]

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Capítulo 1: O Acorde InVISÍVEL
A chuva de outono castigava os vidros decorados da Galeria Vértice, embaçando as luzes de neon da avenida principal de Nova York. Lá dentro, o silêncio era quase sagrado, interrompido apenas pelo som suave dos meus próprios passos sobre o piso de mármore escuro. Olhei para o relógio de pulso: 22h45. Mais uma vez, eu era a última a sair. — Você trabalha demais, Maya — resmunguei para mim mesma, ajeitando a alça da minha bolsa de couro. Como curadora assistente da galeria, eu vinha me desdobrando há semanas para organizar a próxima exposição de arte urbana contemporânea. Meus pais, donos de metade dos imóveis de luxo do Upper East Side, achavam que aquilo era apenas um "capricho rebelde". Eles queriam que eu me casasse com um herdeiro engomado e vivesse de aparências. Mas eu tinha orgulho demais, faísca demais nas veias para aceitar uma vida moldada por outra pessoa. Eu preferia o caos da minha independência. Caminhei até o painel de controle para apagar as luzes. Quando estendi a mão em direção ao interruptor, um arrepio violento subiu pela minha espinha. Aquela sensação de novo. Nos últimos dois meses, uma percepção incômoda vinha me perseguindo. Não importava se eu estava tomando café em uma esquina lotada, caminhando em direção ao meu apartamento ou no silêncio da galeria vazia; parecia que havia um par de olhos cravado nas minhas costas, despindo a minha alma, calculando cada respiração minha. Girei os calcanhares rapidamente, o coração batendo um pouco mais rápido. — Tem alguém aí? — minha voz ecoou pelo salão amplo, firme, mas carregada de uma defensiva agressiva. Eu não era do tipo que se encolhia com medo. Se alguém estivesse ali, eu bateria de frente. Nenhuma resposta. Apenas as sombras das esculturas projetadas nas paredes brancas. Soltei o ar, irritada com a minha própria paranoia, e apaguei as luzes, deixando apenas a iluminação de segurança. Saí da galeria, tranquei as portas de vidro e enfrentei o vento gelado da noite. A calçada estava deserta. Caminhei apressada em direção ao meu carro, um sedã preto estacionado a meia quadra dali, sob a luz trêmula de um poste. Foi quando o visor do meu celular acendeu dentro da bolsa. O toque curto indicava uma nova mensagem. Peguei o aparelho e destravei a tela. O remetente era um número privado. "O casaco de lã cinza combina com o seu humor hoje, Maya. Mas você deveria usar o guarda-chuva. Não quero que você fique doente." O sangue congelou nas minhas artérias por um segundo, antes de ferver em pura indignação. Olhei freneticamente ao redor. A rua chuvosa parecia um deserto de asfalto molhado. Não havia ninguém nas calçadas, nenhum carro com os faróis acesos, nada. Quem quer que tivesse mandado aquilo, estava me vendo. Sabia meu nome. Sabia o que eu estava vestindo. — Aparece, seu covarde! — gritei para a escuridão, a raiva engolindo o medo. — Quem é você? Meu celular vibrou novamente na minha mão, quase imediatamente. "Não sou um covarde, minha doce sinfonia. Sou apenas o homem que dita o ritmo. Entre no carro. Nos vemos em breve." Minha respiração ficou travada na garganta. Aquilo não era um trote de mau gosto. Era um cerco. A poucos metros dali, estacionado do outro lado da avenida, um sedã preto de luxo, com os vidros completamente escurecidos, ligou os faróis de milha lentamente. A luz forte cortou a névoa da chuva, iluminando a minha silhueta na calçada. Eu não conseguia ver quem estava atrás do volante, mas sabia, com cada fibra do meu ser, que o dono daquelas mensagens estava ali. Atrás daquele vidro fumê, Thomas Vance mantinha os dedos longos tamborilando levemente no volante de couro, seguindo o ritmo de uma música clássica que tocava baixo no painel. Seus olhos cinzentos e implacáveis fixavam-se na figura de Maya na calçada. Ele viu a postura dela se enrijecer, viu a fúria em seus olhos castanhos e o queixo erguido, desafiando a noite. Thomas sorriu de canto, um sorriso frio, dominador e perigosamente fascinado. Ela era perfeita. Tão esquentada, tão cheia de vida, tão orgulhosa. Maya Albuquerque achava que tinha o controle de sua própria vida, mas ela não passava de uma nota musical preciosa na partitura que ele vinha escrevendo em segredo. E Thomas Vance nunca errava o compasso. — Isso, Maya... sinta a minha presença — ele sussurrou para a escuridão do carro, enquanto a via entrar apressadamente em seu próprio veículo. — O show está apenas começando. (Continuação direta do Capítulo 1) — Isso, Maya... sinta a minha presença — ele sussurrou para a escuridão do carro, enquanto a via entrar apressadamente em seu próprio veículo. — O show está apenas começando. Maya bateu a porta do seu sedã, girando a trava elétrica com as mãos trêmulas. O som metálico das trancas ecoou no espaço confinado do automóvel como um estalo de realidade. Suas unhas quase perfuraram o couro do volante enquanto ela girava a chave na ignição. O motor rugiu, os limpadores de parabrisa começaram a varrer a água torrencial em um ritmo frenético e ela acelerou, cantando pneu no asfalto molhado de Manhattan, sem olhar para trás. Pelo retrovisor, ela observou os faróis de milha daquele carro de luxo permanecerem estáticos, como dois olhos de um predador felino observando a presa correr pela savana. Eles não a seguiram. Pelo menos, não fisicamente. Mas a sensação de ter a mente invadida permaneceu colada à sua pele, mais sufocante do que o próprio ar condicionado do veículo. O trajeto até o Queens, que normalmente levava trinta minutos de pura monotonia, transformou-se em um teste de sanidade. A cada cruzamento, a cada farol vermelho em que era obrigada a parar, Maya olhava obsessivamente para os lados. Caminhões de entrega, táxis amarelos borrados pela chuva, silhuetas de pedestres correndo sob coberturas... tudo parecia uma ameaça. Seus olhos castanhos, geralmente cheios de uma faísca indomável e orgulhosa, agora oscilavam entre a fúria e o puro estado de alerta. — Quem é você? — ela sibilou entre os dentes, socando o volante com frustração. A raiva começava a queimar o topo do medo ancestral que tentava dominá-la. — Um cliente da galeria? Um dos idiotas que meu pai tentou me empurrar? Aparece! Ao estacionar na vaga aberta em frente ao seu prédio residencial de tijolos à vista — um edifício antigo, mas charmoso, afastado do luxo estéril que sua família tanto amava —, ela desligou os faróis e correu sob a tempestade. A água fria encharcou seus cabelos escuros e pesou em seu casaco de lã cinza, mas ela m*l sentiu. Subiu os lances de escada dois a dois, o eco de seus saltos no cimento parecendo uma contagem regressiva. Quando finalmente cruzou a porta do seu apartamento e passou as três trancas da fechadura, Maya encostou as costas na madeira maciça e escorregou até o chão. O silêncio do seu lar deveria ser um refúgio, mas as paredes pareciam estranhamente desprotegidas agora. Ela respirou fundo, tentando recuperar o controle que sempre se orgulhou de ter. Ela era Maya Albuquerque. Ninguém a intimidava em seu próprio território. Caminhando em direção à cozinha americana para preparar um chá que acalmasse seus nervos, ela deixou a bolsa sobre o balcão de granito. Foi quando o silêncio da noite foi quebrado por um som suave, contínuo e perturbador vindo da sua sala de estar. Um som de piano. Não era uma música vinda do apartamento de algum vizinho. O som era acústico, limpo e vinha do canto da sua própria sala, onde o seu piano de cauda de ébano descansava. Maya congelou no lugar, a xícara vazia quase escorregando de seus dedos. Alguém não estava apenas tocando; estava dedilhando uma única sequência de notas melancólicas, repetitivas e arrastadas. Um acorde menor. Um acorde de caos. Com o coração martelando contra as costelas de forma ensurdecedora, ela caminhou a passos lentos e calculados até a divisória da sala. Suas mãos procuraram o interruptor e, ao acender as luzes, o som parou abruptamente. O ambiente estava vazio. As janelas estavam trancadas por dentro. O ar estava frio. No entanto, quando os olhos de Maya se fixaram no piano, seu estômago despencou. A tampa de madeira que cobria as teclas, que ela guardava meticulosamente fechada para proteger o instrumento, estava aberta. E sobre as teclas brancas e marfins, repousava uma única rosa branca com as pontas das pétalas queimadas, exalando um perfume adocicado e fúnebre. Ao lado da flor, um pequeno pedaço de papel de gramatura pesada exibia uma caligrafia elegante, feita à tinta preta: "Você toca lindamente, Maya. Mas a partir de hoje, nós dois tocaremos a mesma sinfonia. Durma bem." Maya deu um passo para trás, cobrindo a boca com a mão enquanto o terror finalmente perfurava sua armadura de orgulho. Ele não estava apenas na rua. Ele não estava apenas olhando por telas. O monstro tinha a chave da sua casa. Ele esteve ali, respirando o seu ar, tocando o seu piano, esperando por ela. A poucos quarteirões dali, do alto da cobertura de um dos arranha-céus mais exclusivos da cidade, Thomas Vance girava uma taça de cristal contendo um vinho tão escuro quanto o sangue. Através da imensa parede de vidro que dava vista para a silhueta chuvosa de Nova York, ele mantinha um tablet aceso em suas mãos. Na tela dividida, os feeds de câmeras ocultas mostravam a imagem em tempo real de Maya, estática e aterrorizada na sala do apartamento dela. Thomas levou a taça aos lábios, saboreando o amargor do líquido enquanto seus olhos cinzentos brilhavam com uma satisfação quase artística. Ver a altiva e intocável Maya Albuquerque perder o chão era a coisa mais bela que ele já havia criado. — O primeiro movimento foi executado, minha doce pianista — Thomas murmurou contra o cristal da taça, seu tom sério e aveludado preenchendo a cobertura luxuosa. — Agora, você vai dançar exatamente no meu ritmo.S

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