Emily Petrov
Tive alguns dias de paz enquanto Ivan estava fora. Ele havia viajado, e eu sabia que não era a trabalho, embora ele sempre dissesse o contrário. Eu tinha certeza de que ele me traía, mas, para ser honesta, não fazia diferença. Na verdade, eu preferia que ele estivesse com outra pessoa, desde que isso significasse que ele não me tocaria. Mas a realidade era c***l: ele sempre voltava, e eu sabia que não podia escapar do que viria.
Ivan chegaria à noite, e tudo o que eu podia fazer era torcer para que estivesse de bom humor. Quando ele estava irritado, eu me tornava o alvo de sua fúria, e hoje, eu simplesmente não tinha forças para ser seu saco de pancadas novamente. Tentei não pensar nisso enquanto terminava o meu banho, deixando a água quente escorrer pelo meu corpo, como se pudesse lavar o peso da ansiedade que me consumia.
De repente, senti um olhar pesado sobre mim. Abri os olhos e me virei lentamente. Ivan estava parado ali, dentro do banheiro, observando-me como um predador que avalia a sua presa. O seu olhar era de posse, como se eu fosse um objeto, algo que ele podia usar e descartar à vontade. O meu coração disparou, e a sensação de segurança que o banheiro me dava evaporou instantaneamente.
Desliguei o chuveiro rapidamente e tentei agir com naturalidade, embora as minhas mãos trêmulas mostrassem o meu nervosismo. Peguei a toalha e me enrolei depressa, evitando os seus olhos enquanto dizia:
- Você me assustou. Pensei que chegaria mais tarde.
Ele sorriu de lado, um sorriso que não alcançou os olhos.
- Eu pretendia. Mas senti falta da minha mulher.
A bile subiu à minha garganta, e eu engoli em seco, porque sabia exatamente o que aquelas palavras significavam. Não havia escapatória. Saí do banheiro apressada, tentando chegar ao closet antes que ele pudesse me impedir. Mas senti as suas mãos fortes agarrando os meus braços, e ele me prensou contra a parede.
- Ivan, por favor... – sussurrei, a minha voz trêmula, quase inaudível.
Ele ignorou o meu pedido. Sua respiração pesada tocava o meu pescoço, e ele começou a distribuir beijos pela minha pele, ignorando o meu corpo rígido. As lágrimas ameaçaram cair, mas eu as contive com todas as forças. Precisava manter a calma.
- Você não está cansado? – perguntei, a voz saindo falha. – Pode ir tomar banho, e eu preparo algo para você comer. Deve estar com fome...
Ele parou por um momento, me olhando com aqueles olhos que sempre me deixavam apavorada. Era um olhar vazio, c***l, que parecia se alimentar do meu medo.
- Estou faminto, sim. Mas por outra coisa agora. – a sua voz era fria e implacável. Antes que eu pudesse reagir, ele arrancou a minha toalha e me empurrou na cama.
Tudo o que pude fazer foi fechar os olhos e rezar para que acabasse logo.
Depois que ele terminou, fiquei deitada na cama, imóvel, tentando processar o que havia acontecido. As lágrimas vieram em um fluxo silencioso, e eu as deixei correr. Ivan, como sempre, agiu como se nada tivesse acontecido. Ele foi tomar banho e saiu do quarto sem sequer olhar para mim, algo pelo qual eu agradeci em silêncio.
Arrastei-me para o banheiro novamente, trancando a porta atrás de mim. Ali, finalmente permiti que o desespero tomasse conta. Me sentei no chão frio, abraçando os joelhos enquanto soluçava. Depois de alguns minutos, levantei-me e entrei no chuveiro, tentando apagar a sensação das suas mãos em mim. Peguei a bucha e comecei a esfregar a minha pele com força, como se pudesse arrancar a sujeira que sentia. Esfreguei até a pele ficar vermelha, mas não importava o quanto tentasse, o nojo não desaparecia.
Saí do banheiro vestida com roupas largas, desejando desaparecer. Foi quando Lila, uma das empregadas, entrou no quarto. Ela era a única que parecia se importar comigo. Sempre que Ivan me deixava de cama, ela vinha me ajudar.
- Está tudo bem? – perguntou, sua voz gentil, mas cheia de preocupação.
- Estou. – menti, tentando soar convincente. Mas a verdade era que Ivan já havia me destruído por completo.
Ela hesitou por um momento, como se quisesse dizer algo, mas então suspirou e murmurou:
- Ele pediu para você descer para jantar.
Eu não tinha fome. O meu estômago estava embrulhado, mas sabia que não tinha escolha. Se não descesse, ele viria me buscar, e isso seria ainda pior. Assenti, forçando um sorriso fraco.
- Já estou indo.
Lila me olhou como se quisesse protestar, mas sabia que não podia. Apenas saiu do quarto, me deixando sozinha para reunir coragem. Respirei fundo, tentando ignorar o tremor nas minhas mãos, e desci as escadas.
Ivan estava sentado em seu lugar habitual à mesa, com uma taça de vinho na mão. Quando me viu, ergueu os olhos e disse com sarcasmo:
- Achei que teria que te arrastar para cá.
Eu permaneci calada, pedindo licença antes de me sentar ao seu lado. O jantar foi servido, e o silêncio era ensurdecedor. Cada movimento meu era calculado, cada palavra pensada com cuidado. Então, ele começou a falar.
- Como foram seus dias? – perguntou, a voz casual, mas eu sabia que era uma armadilha.
- Tranquilos. – respondi de forma vaga. Não queria dar detalhes que ele pudesse usar contra mim.
- Que bom. – ele tomou um gole de vinho antes de continuar. – Amanhã iremos a um evento. Vista algo que me orgulhe.
Assenti, sem discutir. Mas meu coração acelerou, porque sabia o que aconteceria. Se alguém me elogiasse ou olhasse para mim por tempo demais, eu pagaria por isso. Quando chegássemos em casa, ele encontraria alguma desculpa para descontar a sua raiva em mim.
A sensação de impotência era sufocante. Eu queria gritar, fugir, desaparecer. Mas tudo o que fiz foi abaixar a cabeça e murmurar:
- Sim, Ivan.
O jantar continuou em silêncio, e cada segundo parecia uma eternidade. Quando finalmente terminei, pedi licença para subir, e ele acenou com a mão, dispensando-me como se eu fosse um nada. Subi as escadas o mais rápido que pude, fechando a porta atrás de mim e soltando um suspiro de alívio. Mais uma noite havia passado, mas o peso da minha realidade permanecia esmagador.