O coração batia apressado dentro do peito, igual tambor de festa em dia de santo. Eu tava sentado na varanda, afiando a faca na pedra, quando ouvi a voz da Laysla vindo de dentro de casa: — Teófilo! Chama os outros e vem cá! A voz dela tava cheia daquela animação que a gente não ouvia desde o susto da barriga. Meu coração bateu mais forte — quando a cabritinha chamava assim, era sempre coisa boa. Meti a faca na bainha e fui correndo. Encontrei o Doro consertando a cerca e o Bento mexendo no fogão. Vamo lá, ela chamou! gritei, sem explicar mais nada. Nóis três entramo no banheiro que ela mesma fez nóis construir e lá tava ela, nua como Deus fez, de pé ao lado da bacia de água que ela mesma esquentou no fogão. A luz do meio-dia entrava pela janela e pintava o corpo dela de dourado a

