Não dá pra negar: eu tava maravilhada com aquele futuro. Tudo ali parecia saído direto de filme de ficção científica. As janelas não tinham cortinas, tinham comandos. A comida saía de uma máquina como mágica. E até a privada dava bom dia. Literalmente. Mas, mesmo com todo esse brilho, eu me pegava o tempo todo pensando neles. Nos meus fazendeiros. O jeito debochado do Teófilo, o silêncio protetor do Isidóro, o carinho doce do Bento... Meus pensamentos sempre voltavam pros três. Pro cheiro da terra molhada, pro barulho da chaleira apitando, pro gosto dos biscoitos do Bento. Era como se o meu coração estivesse preso lá, numa época que não era minha, mas onde me sentia em casa. Fiquei uns três dias ali naquele lugar bizarro com o Valério — meu filho, que, pra deixar tudo ainda mais maluco,

