A visita ao hotel já tinha terminado e agora Eric tinha mais um negócio para administrar, a localização do lugar era ótima, as vistas maravilhosas, mas a administração era uma porcaria o que facilitou a compra por um preço bem abaixo do mercado.
-Foi um prazer fazer negócio com você, senhor Ramos-O agora antigo dono do hotel apertou a mão do alfa enquanto sorria satisfeito com o cheque gordo que recebeu.
-Igualmente-Eric falou educadamente retribuindo o cumprimento.
-Vamos, vou abrir alguns vinhos na adega do hotel para comemorarmos a venda-O homem falou ainda sorridente acompanhando todos, que antes estavam em uma das grandes suítes, para fora do cômodo.
-Podem ir descendo, gostaria de ter uma conversa particular com meu sócio-Bernardo falou quando já estavam em um dos corredores daquele andar.
-Claro, vamos esperá-los lá embaixo-O homem falou indo até o elevador com dois de seus sócios logo deixando os alfas sozinhos.
O Almeida esperou que estivessem sozinhos para finalmente iniciar a conversa que tanto queria ter com Eric desde cedo.
-Eu vou me casar com a Sophia-O alfa mais baixo falou vendo o amigo lhe olhar surpreso.
-Bom… parabéns-Eric falou esboçando um sorriso e tentando se alegrar pelo amigo, mas a verdade é que não conseguia, o Ramos não acreditava em casamentos ou em qualquer compromisso que fosse, mas entendia que Bernardo era muito diferente de si-Era só isso?
-Não-O Almeida suspirou encarando o amigo com seriedade-Eu sei o que você pensa sobre isso, mas queria que fosse meu padrinho, porque sabe… você ainda é meu melhor amigo.
-Tudo bem, se acha que isso é o melhor pra você, então que seja-O lúpus falou sem conseguir conter o tom sarcástico em sua voz.
-Para com isso Eric, eu amo a Sophia e ela me ama também, você sabe disso, poderia pelo menos fingir que está feliz por mim?-Bernardo perguntou um pouco magoado com a atitude do outro.
-Estou tentando, mas depois não venha choramingar quando as coisas estiverem difíceis entre vocês, porque você sabe, é sempre assim que tudo isso termina-O Ramos falou de forma rude vendo o amigo lhe olhar irritado.
Esse era um dos maiores problemas de Eric, ele sempre acabava sendo rude ou direto demais, nunca parando para se preocupar muito sobre como suas palavras estavam soando, afinal, não queria parecer "sensível" como seu pai disse anos atrás, no final se tornou apenas um i****a.
-Chega Eric!-O Almeida falou um pouco mais alto-Você acha que eu não percebo o seu "desprezo" pelo meu relacionamento com a Sophia? Não é só porque seus pais tiveram um casamento fracassado que todos os outros também vão ter, eu sei o que você pensa sobre o amor, mas pensei que tinha entendido que somos completamente diferentes nisso, pensei que conseguisse pelo menos respeitar minhas escolhas.
-Acho que não temos mais o que conversar aqui, Bernardo-Eric o interrompeu pronto para sair dali, mas o alfa mais baixo o segurou.
-Não era só isso que eu queria dizer, também quero te pedir um presente de casamento antecipado-Bernardo sorriu minimamente para o outro o vendo suspirar.
-Então peça.
-Quero que tente se abrir para o amor um pouco, eu quero que…
-Não é só porque você vai se casar que eu vou sair por aí procurando um "parceiro", isso é algum tipo de piada?-O lúpus perguntou em um tom sério não gostando nenhum pouco daquela conversa.
-Pode fingir o quanto quiser Eric, mas eu continuo vendo o vazio em você-O Almeida falou em um tom triste-Eu me preocupo com você, me preocupo porque você está se fechando cada vez mais, aumentando os muros em volta de si mesmo e se fechando para as pessoas como se todos ao seu redor fossem te decepcionar.
O lúpus se surpreendeu com a fala do amigo, afinal por que o loiro queria ter aquela conversa tão de repente? As palavras de Bernardo acertaram em cheio o Ramos, ele sabia que o amigo estava certo, o Almeida o conhecia como ninguém, mas o orgulho do alfa não o deixaria admitir aquilo.
-E o que você quer que eu faça? Não vou mudar o que penso do dia pra noite.
-Não é isso, eu só…
Bernardo interrompeu a própria fala quando ouviu alguém se aproximar, não era algo que quisesse conversar na frente de estranhos, amava seu amigo e queria seu bem, então sentia que precisava ter aquela conversa com ele. Desde que conheceu Eric o Almeida conseguia ver que por baixo de toda aquela seriedade e calma que o amigo tentava passar em suas expressões havia a escuridão de um vazio que só aumentava com o passar do tempo e uma irritação quase incontrolável. Ele queria ajudá-lo, queria tentar colocar um sorriso verdadeiro no rosto do amigo, queria que pudesse finalmente encontrar paz para todo aquele ressentimento que sabia que o lúpus sentia. Bernardo queria vê-lo feliz porque amava o Ramos, mesmo que o outro não conseguisse acreditar nisso.
Porém Eric era cego, não queria se abrir para um novo mundo e se machucar de novo, não só pelo o que aconteceu com seus pais, mas também por tudo que veio depois disso.
Por outro lado, o Almeida tinha razão em interromper a conversa naquele momento, não por ser um assunto íntimo, mas sim porque mesmo que continuasse falando Eric dificilmente lhe ouviria já que sua atenção fora complementamente roubada por uma certa ômega que saiu do elevador empurrando um carrinho de limpeza.
“Linda.” Foi o que o Ramos pensou assim que colocou os olhos na mais baixa, o rosto redondinho, os lábios pequenos e aqueles lindos olhos castanhos fizeram o interior do alfa arder, pela primeira vez seu lobo não repudiou o cheiro doce de uma ômega, muito pelo contrário, ele parecia ansioso para senti-lo ainda mais, compartilhando os desejos de Eric que, sem ao menos perceber, farejava o ar querendo absorver cada resquício daquele aroma, damasco, com certeza se lhe perguntassem agora diria que essa é sua fruta preferida, mesmo sem ser. Por um momento o alfa sentiu uma vontade enorme de se aproximar da outra, como se precisasse tocá-la para saber se ela era real, como se seu corpo sentisse falta dela, mas como poderia se nem sequer se conheciam? O Ramos não sabia, só sabia que aquele impulso parecia forte demais para que pudesse lidar.
Sem ao menos perceber, Eric liberava cada vez seu cheiro de sândalo, como se quisesse atrair a pequena ômega desconhecida para si, porém foi quando seus olhos se cruzaram que o lúpus sentiu seu lobo se agitar como nunca antes uivando dentro de si como se tivesse finalmente encontrado a presa que tanto procurou. Seus olhos seguiram a mulher até que ela sumisse em outro corredor e por muito pouco o alfa não a seguiu querendo descobrir se a pele clarinha era realmente tão macia quanto parecia e se aqueles belos lábios finos tinham gosto de damasco.
-O que você está fazendo?-Bernardo perguntou tirando o amigo do transe no qual parecia ter entrado-Por que ia seguir aquela ômega?
Só então Eric notou que o motivo para não ter ido atrás do desconhecido foi simplesmente porque o Almeida tinha segurado seu braço e aquilo de certa forma lhe assustou.
-Eu não ia segui-la-Mentiu se recompondo e voltando a encarar o amigo.
-Tudo bem-O alfa mais baixo suspirou sabendo que não ia adiantar muito continuar aquela “discussão” ali-Vamos terminar essa conversa depois, temos uma nova aquisição para comemorar.
-Certo-O Ramos falou ainda um pouco perdido em seus pensamentos.
O alfa não estava mais interessado em vinhos e muito menos em conversas, ele só queria sentir aquele cheiro tão agradável de damasco novamente e encarar aqueles lindos olhos gateados outra vez, olhos esses que pareciam ainda mais tristes que os seus.