Capitulo 14

2710 Words
- Isso aqui está lotado! - constatei assim que paramos em frente ao estádio de basquete onde já havia muitas pessoas entrando no local. O estádio da faculdade era realmente muito grande e bonito, e eu agradeci mentalmente por não estar parecendo uma mendiga das selvas no momento. Já que Park Henry se encontrava perfeitamente maravilhoso ao meu lado e isso era fácil de se provar já que cada grupo de garotas que passavam por nós, tinham o prazer em se virar para onde estávamos e encarar o garoto dos pés a cabeça. - É que hoje é a final do campeonato, por isso veio bastante pessoas para assistir. - Henry respondeu parando na minha frente. Franzi o cenho confusa quando notei que o garoto parecia estar nervoso enquanto olhava em volta - Eu.... - Você? - insisti e ele suspirou negando com um aceno. - Nada não. - Pode falar, Henry . - Posso segurar sua mão? Sabe, para você não se perder de mim. - ele pediu tocando de leve minha mão, como se estivesse com medo de eu tirar ela dali ou fugir do seu toque. - Esse é o real motivo? - perguntei controlando um sorriso. Eu definitivamente não estava acostumada com um Park Henry assim, tão fofo e envergonhado. Ele passou o caminho inteiro sendo alguém completamente diferente daquele que eu já estou acostumada a conviver na república. Em nenhum momento ele havia dado em cima de mim, ou havia sido incoveniente, ele apenas me perguntou qual era os outros esportes que eu gostava e me perguntou o que eu estava achando da república. Ele estava sendo incrivelmente atencioso comigo. - Esquece, foi uma idéia boba. - ele falou sem graça olhando em volta. Ri enquanto negava com a cabeça e puxei sua mão de volta para mim entrelaçando nossos dedos fazendo o garoto me olhar confuso. - Não quero me perder de você. - pisquei conseguindo um sorriso maravilhoso que só Park Henry sabia dar. Ele concordou parecendo ainda sem jeito e me guiou para entrarmos no estádio. Depois que ele mostrou nossos ingressos, um dos caras que trabalhava alí nos indicou onde nós deveríamos nos sentar. - Uou, olha o tamanho desses telões. - falei surpresa apontando para os telões pendurados no teto. Essa faculdade realmente se importava com esse esporte, porque absolutamente tudo aqui era bonito e bem preparado. - Espera até começarem a passar o jogo, fica muito maneiro. - Henry falou animado me puxando para trás quando alguns garotos passaram por nós. Henry riu atrás de mim quando eu quase tropecei nos meus pés e contornou minha cintura com o seu braço me mantendo no lugar. - Qual é os nossos acentos? - perguntei com ele ainda atrás de mim e senti a respiração do garoto bater na minha nuca, me causando um arrepio pelo corpo. Okay! Pode ir parando aí hormônios! Vocês não podem se enlouquecer sempre que um desses 7 garotos maravilhosos tocarem em mim! - 54 e 55. - ele respondeu baixinho e eu engoli em seco. Muito perto, ele está muito perto. Eu conseguia sentir direitinho a respiração do garoto enquanto ele continuava me segurando firmemente por trás. Exato, POR TRÁS! Eu sentia as minhas costas tocarem o seu peitoral e aquilo estava fazendo minhas mãos suarem em nervosismo. - E onde fica? - perguntei dando um passo para frente, diminuindo a nossa aproximidade e o garoto soltou minha cintura segurando agora somente a minha mão. Henry respirou fundo e examinou o lugar onde estávamos olhando para os bancos vazios ao nosso lado. - Esses são os da casa trinta, ou seja, os nossos são mais para cima. Vem. - ele me puxou em direção a escada que tinha ali me levando até o lugar onde estaria nossos acentos. Assim que achamos eles, eu me sentei sendo seguida pelo garoto e notei que havia uma garota sentada na nossa frente e ela se virou para trás mirando seus olhos em nós. Perfeito! Agora além de assistir um jogo eu iria também ser assistida. Por que o Henry tinha que ser tão bonito? - Eu vou pegar pipoca e refrigerante, você também quer? - Henry perguntou ao meu lado me fazendo desviar o olhar da garota, já que eu comecei a encarar ela também. Eu posso até levar uma surra hoje, mas meu deboche irá continuar firme e forte. - Eu vou com você. - anunciei pegando sua mão antes que ele levantasse e eu notei ele tentar esconder um sorriso enquanto deixava um carinho leve na minha mão. - Não precisa, eu vou lá comprar rapidinho e já volto, vai querer algo mais? - ele perguntou e eu suspirei negando com a cabeça enquanto soltava sua mão. Por que eu estava tão desconfortável em imaginar o Henry andando por aí sozinho com tantas garotas olhando para ele? Ah, qual é! Eu não posso estar com ciúmes do Henry ! Não mesmo! - Acho que não. - Já volto. - ele se levantou e beijou minha testa, mas logo se afastou rapidamente quando notou o que havia feito e suas bochechas adquiriram um tom avermelhado - M-Me desculpa. - Tudo bem. - ri e ele concordou com um aceno e saiu dali atrapalhado. Observei com atenção quando o garoto passou a mão pelos cabelos e se virou para trás me dando um último sorriso antes de se perder em meio a multidão. Ouvi alguns barulhos soarem e olhei para frente vendo os jogadores entrarem na quadra fazendo a platéia gritar. O jogo já estava começando? Olhei para onde o Henry havia acabado de sair e logo voltei a olhar para frente onde vi a mesma garota de antes olhar para mim e depois para onde o Henry havia saído, isso é sério? Ela vai mesmo ficar secando ele o jogo inteiro? - Aqui está. - ouvi a voz do Henry ao meu lado e me assustei um pouco. Me virei para o lado vendo o garoto já sentado me estendendo um pacote de pipocas. Como que ele conseguiu comprar tão rápido? Notando meu olhar confuso ele riu e logo se explicou - Tinha um cara com um carrinho vendendo no corredor, então eu nem precisei ir na entrada do estádio. - Obrigada Henry . - É o mínimo. - ele deu de ombros se arrumando no banco. Ele olhou para o jogo com o cenho franzido mas logo se virou para mim - Como foi seu dia hoje? - ele falou bem perto já que a platéia estava uma loucura. - Foi bom, eu conheci os amigos do Peter quando ele me levou para a biblioteca. - falei sorrindo e vi o Henry franzir o cenho coçando a nuca. - Ah, e você conseguiu o emprego? - Estou esperando eles me ligarem. - Você vai conseguir. - ele segurou minha mão me encarando nos olhos e eu sorri entrelaçando nossos dedos. - Espero, mas acho que eu não causei uma boa impressão. - fiz uma careta me lembrando da vergonha que eu havia passado ao gritar com a velhinha s***a. Qual era o meu problema afinal? Tenho certeza que se qualquer pessoa com um bom senso comum visse as gravações daquele dia, iria fazer de tudo para eu ser demitida. - Por que? - Eu acho que sou antipática demais. - resmunguei brincando com os seus dedos. Acho que sou antipática? Ah, qual é! Eu sei que não sou o maior exemplo de Miss simpatia, mas todo mundo tem seus dias ruins. O meu problema, era que eu não sabia guardar isso somente para mim, e obrigava os outros a presenciarem o meu m*l humor. - Você não é antipática, apenas não sabe como se expressar. - ele tentou ajudar e eu o olhei segurando o riso. - Ou seja, antipática. - Para com isso, olha só... - ele puxou minha mão me fazendo virar para ele, mirando aqueles olhos lindos - Você é uma garota incrível, Melanie. - Como você tem tanta certeza? Você nem me conhece direito. - perguntei com o cenho franzido e ele sorriu tocando meu rosto com carinho. - Eu não preciso, eu sei que você é incrível desde o momento que você espirrou perfume em mim. - ele riu empurrando uma mecha do meu cabelo que havia caído em frente ao meu rosto. Então eu me lembrei da primeira vez que os conheci e não consegui segurar uma risada. Aquela definitivamente não havia sido uma das melhores primeiras impressões que eu causei na vida. - Me desculpa por aquilo, eu achava que vocês eram invasores. - Então, você se defendeu com um perfume? - ele sorriu deixando um carinho leve na minha bochecha com o seu polegar. - Era o que a casa oferecia no momento. - dei de ombros fazendo o garoto rir. - Você é doida. - Talvez. Sorri sendo retribuída pelo garoto e logo franzi o cenho. Por que eu tenho a sensação de que esse Park Henry que está na minha frente agora é quem ele realmente é? Sem cantadas ou tentativas de dar em cima de mim, apenas um garoto incrivelmente doce e gentil. Não que ele não fosse gentil antes, mas quando estávamos na frente dos outros garotos, ele simplesmente agia de um modo diferente. - Posso te fazer uma pergunta? - perguntei tirando sua mão do meu rosto e o garoto me lançou um olhar assustado. - Eu fiz algo errado? - O que? Não! Eu só quero te perguntar algo. - expliquei, logo notando o suspiro aliviado que o Henry soltou. - Que susto! Achei que eu estava passando dos limites e que você iria embora. - ele resmungou se afastando um pouco de mim - O que quer saber? - Por que você age de um modo diferente do que você é? Você é incrivelmente fofo, mas quando os garotos estão pertos, você evita mostrar esse lado. - perguntei confusa e vi o garoto de remexer inquieto no banco. E lá vai a minha boca grande estragando algo de novo! Parabéns para a minha idiotice que a cada dia cresce mais! - Eu não sou fofo. - o garoto cruzou os braços trincando o maxilar. - Você é. - Não sou não. - É sim. - Num sou. - resmungou manhoso fazendo um biquinho em seguida. - Viu? - ri tocando sua bochecha e ele fechou os olhos parecendo estar envergonhado - Por que você age de um jeito diferente? Henry ficou um tempo em silêncio apenas me olhando, mas logo suspirou desviando o olhar para o chão. - Eu não sei, talvez para parecer mais legal. - ele fez uma careta e eu não consegui esconder minha confusão. - Legal? - É, eu queria parecer mais legal pra você, não queria que você pensasse que eu sou um bobão sem experiência. - ele bufou se apoiando nos seus joelhos - Por isso, tentei parecer mais "homem"? Eu não sei, é i****a. Segurei o queixo do Henry e com cuidado virei seu rosto para mim, encontrando um garoto extremamente corado e eu não me segurei e deixei um selar na sua bochecha quentinha. - Você é legal do jeitinho que você é Henry ! Não precisa bancar o macho alfa para me impressionar, você faz isso sem esforço algum! Eu gosto desse seu jeito bobinho. - falei por fim me afastando dele e notei a respiração dele ficar um pouco irregulada. - Gosta? - Demais. - sorri e me afastei assustada quando ele se levantou rapidamente do banco quase caindo em cima de mim. O encarei confusa e vi o garoto com os olhos arregalados olhando em volta - Tá tudo bem? - Eu... Eu vou pegar mais pipoca, você quer algo? - ele perguntou atrapalhado e eu encarei com confusão as nossas pipocas que m*l haviam sido tocadas. - Mas você ainda tem pipoca. - É, é que eu acabei de me lembrar que eu prefiro pipoca doce. - ele riu coçando o cabelo - Quer algo? - Não, obrigada. - neguei e ele apenas concordou saindo apressadamente dali. Me virei para frente e notei de novo o olhar da garota desconhecida sobre nós - Você quer parar? - Oi? - ela perguntou me olhando confusa e eu revirei os olhos cruzando os braços. - Eu sei que ele é bonito, mas precisa mesmo ficar olhando? Vi a garota rir o que me irritou ainda mais, mas ela apenas se virou para frente de novo, ainda com um sorriso divertido no rosto. - Eu não estava olhando para ele. - ela deu de ombros ainda sem me olhar. - Ah, claro. - soltei debochada - Então, por que você não parava de olhar para cá? - Eu estava olhando pra você. Isso foi uma cantada? Eu acabei de ser cantada por uma garota? Meu Deus! E eu achando que ela estava olhando para o Henry , mas na verdade ela estava me olhando?! Okay, isso aumentou minha autoestima, mas me deixou sem graça. E o que eu faço agora? Finjo que não foi comigo? Ou eu devolvo o elogio? "Você também é bonita, mas eu não curto bater as tesouras" bater tesouras? Qual era o meu problema? É capaz da garota se levantar e me pegar e quando eu digo "pegar" não me reviro a um beijo quente e sim eu jogada no chão sem uns dois dentes enquanto ela segurava a cadeira que usou para me agredir. - Voltei! - Henry sentou ao meu lado segurando um pacote de pipoca e me encarou confuso quando notou a minha expressão desacreditada - Você tá bem? - Tô sim. - concordei fortemente com um aceno e ouvi a platéia começar a gritar ainda mais. - Olha, começou a câmera Kiss. - ele aponta para o telão acima da quadra e eu entendi o motivo das pessoas estarem gritando tanto. Câmera Kiss, era uma câmera que gravava pessoas aleatoriamente na platéia e elas tinham que se beijar quando fossem gravadas. Não era algo obrigatório, mas a maioria das pessoas que apareciam nos telões se beijavam. Eu e o Henry ficamos ali apenas olhando e rindo das pessoas que nem ao menos se conheciam mas que mesmo assim se beijavam, até que... - Espera aí! - eu arregalo os olhos apontando para o telão - É coisa da minha cabeça, ou realmente é nós dois ali? - Acho que sim. - Henry fala também com os olhos arregalados encarando o telão que mostrava nós dois sentados lado a lado. As pessoas em nossa volta começaram a gritar "Beijo! Beijo!" e ele se virou para mim assustado - Eu acho que a gente tem que se beijar. - É-é. - eu gaguejo me virando para ele e os gritos aumentam. - Tudo bem pra você? Eu não quero te forçar a nada! Quer mesmo fazer isso? - ele pergunta se aproximando aos poucos. - Po-Pode ser. Para de gaguejar! - Okay. - ele murmurou segurando o meu rosto enquanto me puxava para ele. Fechei os olhos quando senti sua respiração bater contra o meu rosto e notei o Henry travar parecendo nervoso, e sem muita paciência para enrolação eu acabei com a nossa distância selando nossos lábios. Senti o corpo do Henry endurecer em sinal de nervosismo, então me inclinei para frente dando a iniciativa e tornando aquele selar em um beijo de verdade. Sei que o Henry estava nervoso mas tenho que admitir que ele tinha uns lábios maravilhosos, os mesmo lábios que começaram (finalmente) a me acompanhar no beijo. Nesse momento parecia que os gritos da platéia haviam sumido... Parecia que só existia o Henry e eu naquele lugar. Coloquei meus braços sobre seus ombros e ele desceu uma de suas mãos até a minha cintura me puxando para ainda mais perto dele. Não dava para acreditar que eu estava beijando Park Henry , um dos meus colegas de dormitório, na frente de diversas pessoas. Mas não era isso que realmente me incomodava no momento e sim os batimentos acelerados do meu coração que pareciam estar me avisando que eu precisava tomar muito cuidado. Encerramos o beijo com pequenos selinhos e eu ouvi os gritos da platéia o que me vez corar violentamente.
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