Cap 4

1411 Words
Mia Robert Usei parte dos últimos trocados que estavam na minha bolsa para pegar o ônibus que passava mais perto do endereço que a Nataly me enviou. Ainda assim, tive que andar uma hora a pé para chegar até lá. Aproveitei esse tempo de caminhada para refletir sobre a minha vida, não podia continuar desse jeito. Por mais que Nataly fosse importante para mim, nossa relação não era uma troca, eu dava e não recebia. Ela não me ajudava a pagar as contas, não ajudava com a limpeza e ainda trazia aquele namorado drogado dela para casa e os dois comiam toda a comida. Para completar, roubaram o dinheiro do aluguel. Estava cansada de tudo aquilo, Nataly era o tipo de pessoa que te puxava para baixo. Cheguei à conclusão de que precisava dar um basta naquela situação e era isso que eu faria. Ao chegar no lugar intitulado Arena, fiquei impressionada com a grandiosidade da construção. Era no mínimo estranho que a polícia nunca tivesse batido ali, era difícil de acreditar que um estabelecimento tão grande e luxuoso não tivesse chamado a atenção deles, o que me fez lembrar do que Nataly disse, somente pessoas com dinheiro frequentavam a Arena. Respirei fundo e segui em frente, estava em um beco sem saída, precisava desse emprego, perigoso ou não. Passei pelo enorme estacionamento até chegar à portaria. Um homem enorme e m*l encarado veio me receber, ele era tão grande que, no auge dos meus míseros um metro e cinquenta e oito, precisei olhar para cima para falar com ele. . . ._ O que você quer aqui, garota? Perguntou desconfiado, com um tom de voz que deixava claro que queria me intimidar. Mia_ É. . . Eu vim, pe. . . Pela vaga de. . . . . ._ Já entendi, você é a garota que a Nat indicou. Disse mudando a postura rude, para uma mais descontraída. Mia_ Sim. Percebi seu olhar me analisando da cabeça aos pés e me senti desconfortável. . . ._ Não sabia que a Nat tinha uma amiga tão bonita, se for esperta vai ficar rica nesse lugar, pode entrar, o chefe está te esperando. Não entendi muito bem o que ele quis dizer com ser esperta, mas sem outra alternativa passei por ele e entrei. O luxo era ainda maior do lado de dentro e à primeira vista não havia nada de anormal, parecia uma daquelas cafeterias elegantes do tipo que pessoas ricas vao para tomar café e jogar conversa fora. Mas tudo era só fachada, e eu percebi isso quando um segurança se aproximou de mim e fez sinal para que eu o seguisse. Passamos por um extenso corredor escuro até chegar a um espaço enorme com um grande ringue cercado por uma espécie de arquibancadas, no alto haviam cabines com vidros escuros, como se fossem uma espécie de camarotes e ao fundo um enorme bar, onde várias meninas todos vestidas de maneira provocante organizavam tudo antes do expediente começar. Vi Nataly entre elas, ela limpava a alguns copos e conversava com uma garota despreocupadamente, era isso, ela não estava nenhum um pouco preocupada com o aluguel atrasado, porque saiba que eu daria um jeito, eu sempre dava, não importava quantas vezes ela aprontasse comigo. Mas dessa vez as coisas seriam diferentes e ela estava prestes a descobrir isso. . . . Então você é amiga Nat. Uma voz grossa soou atrás de mim me fazendo tomar um susto. . . ._ Calma garota, não vou te machucar. Ele falou quando me viu dar um pulinho de susto ao me virar. Mia_ De. . . Desculpe, estava distraída. Disse sem graça, ele não falou nada por um instante, fez como o segurança lá fora, ficou me observando, como se estivesse me avaliando. Mesmo não gostando nem um pouco daquilo aproveitei esse tempo para observa-lo também. Ele era um homem mais velho, já na casa dos cinquenta, não era do tipo que cuidava da saúde, a barriga enorme provava isso. Seus cabelos eram escaços o que o fazia exibir uma nítida calvície. Tinha uma barba rala, e os olhos castanhos escuros e passava uma energia pergosa que me deixava em alerta. . . ._ A Nat me falou que você era bonita mas não tanto, vai agradar os bastantes os clientes. Mia_ Agradar? Co. . .Como assim agradar? A Nataly me falou que a vaga é só para trabalhar garçonete. . . ._ E é, mas algumas das meninas fazem um trabalhinho por fora, se é que me entende, a propósito sou Carlo, o gerente da Arena. Mia_ Mas eu não, só quero mesmo o trabalho de garçonete, nada mais, e meu nome é Mia. Carlo_ Mia é o seu nome real? Aqui todas as nossas funcionárias adotam um nome falso ou apelido, sabe como é, por questões de segurança. Penso por um instante e o nome perfeito me vem a mente, quer dizer não sei se perfeito, mas por algum motivo foi a primeira coisa em que pensei. Mia_ Que tal Afrodite? Carlo_ Afrodite. Repete o nome como se testasse o som em sua boca. Carlo_ É, acho que Afrodite combina com bem você, sabe atender mesas e anotar pedidos? Mia_ Sei sim. Carlo_ Então podemos Começar fazendo um teste hoje mesmo se você quiser. Mia_ Quero sim! Digo empolgada. Carlo_ Ótimo, mas antes precisa saber, o que acontece na Arena fica na Arena, não queira saber que fazemos com traidores, você está vindo sobre indicação da Nat, se passar algum informação daqui para alguém, as duas rodam. Engulo em seco e assinto, ele nem precisava me dar esse aviso, não sabia exatamente o que acontecia aqui além das lutas clandestinas, mas mesmo que soubesse não seria louca de contar nada á ninguém, gostava de viver. Depois de acertamos alguns detalhes como pagamento, horário e dias de folga ele me levou para o bar e me apresentou para as outras meninas. Não vi mais a Nat, quando perguntei por ela a uma garota que foi mais simpática comigo ao contrário da maioria que pacereu me ver como uma ameaça para elas. Fui informada que ela atendia nos camarotes, por isso dificilmente eu a veria aqui em baixo, ela só vinha aqui para abastecer o bar lá de cima. Por isso só vi ela quando cheguei, talvez fosse melhor assim, com a raiva que eu estava dela era bem capaz de atacá-la aqui mesmo e nos duas perdermos o emprego que eu tinha acabado de conseguir, ou quase, já que ainda estava em periodo de teste. Pensando nisso passei a noite dando tudo de mim e quando demos por encerrado o expediente eu estava exausta, mas tinha a minha vaga garantida e o bolso cheio de gorjetas. Tive que aguentar uns tarados e uns velhos incoveniente mas todos davam gorjetas altas. Ainda não havia somado quanto tinha ganhado, mas sabia que era muito, muito mesmo. Tánto que até me dei ao luxo de pegar um táxi para ir embora, nem esperei por Nataly, queria por o meu plano em prática antes que ela aparecesse. Cheguei no apartamento, juntei todas as minhas coisas que não eram muitas, coloquei em uma mala e sai, mesmo sendo tarde passei na casa do meu senhoril paguei o aluguel do último mês e lhe entreguei as chaves avisando que estava me mudando e que tinha deixado tudo limpo e organizado. Agradeci, mesmo sabendo que o homem nunca foi uma pessoa agradável de se lidar e fui embora, como os móveis perteciam ao apartamento não tinha muito o que levar além da minhas roupas. Estava cansada então fui direto para um hotel e me hospedei lá, com as altas gorjetas que estava ganhando e o salário que também não era r**m poderia ficar hospedada ali até encontrar um novo apartamento para mim. Cuidaria disso no dia da minha folga, agora tudo que eu precisava era dormir, desliguei o celular tomei um banho e apaguei. Dormi o sonos dos justos, sem nenhuma preocupação como a muito tempo não dormia, havia me libertado da dependência emocional em relação a Nataly, percebi que ela usava do fato de eu a ver como a minha única família e com isso eu aceitava todas as merdas dela. Mas agora isso tinha acabado, quando chegasse no apartamento ia encontrar o lugar trancado, ou com um novo morador e teria que se virar sem mim para sustentar a ela e ao seu namorado inútil. . .
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